fevereiro 9, 2026

Toffoli rejeita pedido da PGR e mantém acareação sobre Banco Master

© Rosinei Coutinho/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para suspender a acareação com os investigados no complexo caso do Banco Master. A decisão mantém a audiência agendada para a próxima terça-feira, marcando um passo crucial na apuração de um esquema de fraudes financeiras que pode ter movimentado cifras bilionárias. A investigação, que foca em supostas irregularidades e emissões de títulos de crédito falsos, ganhou repercussão nacional e envolve figuras importantes do setor financeiro. A acareação visa confrontar depoimentos-chave, buscando esclarecer pontos divergentes e consolidar provas sobre as operações no Banco Master, que já geraram a Operação Compliance Zero.

O prosseguimento da acareação e seus participantes
Decisão ministerial e o papel da acareação
A decisão do ministro Dias Toffoli de manter a acareação, proferida na última quarta-feira, sublinha a importância deste instrumento processual em investigações complexas. A acareação é uma ferramenta jurídica fundamental que consiste no confronto direto entre duas ou mais pessoas que já prestaram depoimentos e cujas declarações divergem em pontos cruciais. Seu objetivo é confrontar os depoimentos, desvendar inconsistências, identificar a verdade dos fatos e, eventualmente, atribuir responsabilidades. No âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga o caso do Banco Master, a acareação é vista como essencial para clarear aspectos nebulosos de um suposto esquema de fraudes financeiras de grande escala.

Os investigados que participarão dessa audiência crucial por videoconferência são Daniel Vorcaro, sócio do Banco Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB); e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central. A presença de um representante do Banco Central na acareação ressalta a seriedade das acusações e a preocupação com a integridade do sistema financeiro nacional. Os depoimentos desses três indivíduos são considerados vitais para o avanço das investigações, pois cada um, a seu modo, pode ter informações relevantes sobre as supostas transações fraudulentas e o papel desempenhado pelos envolvidos. A expectativa é que o confronto de suas versões traga à tona novos elementos e contornos sobre as operações sob escrutínio, que envolvem bilhões de reais e a credibilidade de instituições financeiras.

A teia de fraudes financeiras: Operação Compliance Zero
Detalhes da investigação e os valores envolvidos
O pano de fundo para esta acareação é uma complexa investigação de fraudes financeiras que, segundo apurações da Polícia Federal, podem ter movimentado uma soma estratosférica de R$ 17 bilhões. Este montante teria sido desviado ou gerado por meio da emissão de títulos de créditos falsos, uma prática que, se comprovada, configura uma grave violação da legislação financeira e pode abalar a confiança no sistema bancário brasileiro. A Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025 pela Polícia Federal, foi a ação que trouxe à tona os primeiros detalhes deste esquema, revelando a extensão das irregularidades.

A deflagração da operação marcou um momento de grande impacto, com a prisão de Daniel Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos (SP). Sua detenção ocorreu um dia após a Fictor Holding Financeira anunciar a intenção de comprar o Banco Master, que já havia sido liquidado extrajudicialmente. Essa sequência de eventos levantou questionamentos sobre a transparência e as circunstâncias que envolveram a liquidação e a potencial aquisição da instituição. Além de Vorcaro, outros sócios foram detidos na ocasião: Augusto Ferreira Lima, Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva. A abrangência das prisões e o alto escalão dos envolvidos demonstram a gravidade das acusações e a amplitude da suposta rede de fraudes, indicando um esquema sofisticado e com ramificações significativas no mercado financeiro.

Desdobramentos e as condições dos investigados
Apesar das detenções iniciais, a Justiça Federal autorizou que todos os acusados respondessem ao processo em liberdade. Contudo, essa liberdade foi concedida sob rigorosas condições, visando garantir a continuidade da investigação sem risco de fuga ou obstrução. Os investigados estão sendo monitorados por tornozeleira eletrônica, uma medida que visa garantir a fiscalização de seus movimentos e o cumprimento das restrições impostas. Além disso, foram proibidos de exercer atividades no setor financeiro, uma medida preventiva para evitar que utilizem suas posições ou conhecimentos para cometer novas irregularidades ou obstruir a justiça. Também não podem ter contato com outros investigados, o que impede a articulação de versões ou a tentativa de influenciar depoimentos. Por fim, está vedada a saída do país, garantindo que permaneçam à disposição das autoridades judiciais para todas as etapas do processo.

A complexidade do caso se aprofundou quando o ministro Dias Toffoli, relator do processo no Supremo Tribunal Federal, acolheu um pedido da defesa de Daniel Vorcaro. Essa decisão transferiu a condução do caso da Justiça Federal em Brasília para a esfera do STF, onde tramita em sigilo. A justificativa para essa mudança de foro foi a citação de um deputado federal na investigação, pessoa que possui foro privilegiado. A presença de um parlamentar entre os nomes citados automaticamente atrai a competência do Supremo Tribunal Federal para julgar o caso, assegurando que o processo siga os ritos e as prerrogativas legais aplicáveis a detentores de cargos públicos com foro especial. O sigilo do processo, por sua vez, visa preservar a intimidade dos investigados, a eficácia das diligências e a integridade das provas, especialmente em uma fase tão sensível da apuração, evitando vazamentos que possam comprometer a elucidação dos fatos.

Ramificações e o futuro da investigação
A manutenção da acareação pelo ministro Toffoli no caso do Banco Master sinaliza uma fase de intensificação na busca por clareza e verdade. A decisão da PGR de pedir a suspensão da audiência, embora negada, pode refletir a complexidade das evidências ou estratégias processuais que ainda estão em jogo. Com a proximidade da acareação, espera-se que os depoimentos confrontados de Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e Ailton de Aquino possam destrinchar os múltiplos elos da suposta fraude de R$ 17 bilhões, que abalou o Banco Master e teve reflexos em instituições como o BRB e o Banco Central. As informações obtidas por meio desta diligência serão cruciais para a Polícia Federal e o Ministério Público na consolidação do inquérito e na eventual formalização de acusações. O desfecho dessa investigação terá implicações significativas para os envolvidos e para o setor financeiro brasileiro, reforçando a importância da compliance e da fiscalização rigorosa para a manutenção da integridade e da confiança no sistema.

Acompanhe as próximas notícias para entender o desenrolar desta complexa investigação e suas implicações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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