fevereiro 9, 2026

Polícia Federal identifica lobista e filho de Lula em voos com mesmos códigos de reserva

Raul Holderf Nascimento

A Polícia Federal (PF) revelou a identificação de pelo menos seis viagens aéreas, tanto nacionais quanto internacionais, realizadas pela empresária e lobista Roberta Moreira Luchsinger e por Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O detalhe crucial é que todas essas reservas aéreas foram registradas sob os mesmos códigos localizadores, levantando questionamentos sobre a natureza dos deslocamentos. As informações são parte da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em 20 de dezembro de 2025, que investiga um complexo esquema de descontos irregulares aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS. Embora Roberta Luchsinger tenha sido alvo de busca e apreensão, Fábio Luís não foi objeto das medidas e, até o momento, não é formalmente investigado no caso. A revelação dessas viagens compartilhadas adensa o cenário da investigação, que busca desvendar a extensão de possíveis conexões e o fluxo de recursos no âmbito das fraudes.

Viagens compartilhadas e medidas restritivas à lobista

A Polícia Federal identificou um padrão de deslocamentos que liga a lobista Roberta Moreira Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva através de códigos de reserva idênticos, sugerindo uma coordenação nas viagens. Entre os voos rastreados, destaca-se um trecho internacional com destino a Portugal e uma série de viagens domésticas.

Padrão nos voos e sanções judiciais

Os registros da PF detalham seis ocasiões em que Roberta Luchsinger e Fábio Luís compartilharam os mesmos localizadores de reserva. O trecho internacional ocorreu em 13 de junho de 2024, no voo TAP 0088, localizador 4FUJPX, de Guarulhos para Lisboa, Portugal. Além deste, cinco voos domésticos entre abril e junho de 2025 também apresentaram os mesmos códigos. Em 29 de abril de 2025, o voo Latam 4700 (localizador MKRQIZ) de Congonhas para Brasília; em 27 de maio de 2025, o voo Latam 3606 (localizador WAUUEX) de Congonhas para Brasília; em 29 de maio de 2025, o voo Latam 3606 (localizador DCWWNL) de Brasília para Congonhas; em 19 de junho de 2025, o voo Latam 3612 (localizador CHEWWQ) de Guarulhos para São Luís (MA); e, por fim, em 24 de junho de 2025, o voo Latam 4700 (localizador MSPQMW) de Congonhas para Brasília.

Em quase todas as reservas, os nomes de Roberta e Fábio Luís eram os únicos listados. Contudo, no voo para São Luís, o localizador incluiu seis passageiros, abrangendo a esposa de Lulinha, Renata de Abreu Moreira, dois filhos do casal e uma filha de Roberta. Esses dados foram cruciais para a PF ao solicitar medidas cautelares contra Roberta Luchsinger. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a empresária foi obrigada a usar tornozeleira eletrônica, entregar seu passaporte, e foi proibida de deixar o território brasileiro, além de ter que manter distância de outros indivíduos investigados. Essas restrições foram impostas com base em indícios substanciais coletados ao longo do inquérito da Operação Sem Desconto, visando evitar a continuidade de práticas ilícitas e garantir a colaboração com a justiça.

Conexões pessoais e o rastro financeiro na investigação

A Operação Sem Desconto não se limita apenas aos deslocamentos, mas aprofunda-se nas relações pessoais e nos fluxos financeiros que conectam os investigados. O foco recai sobre Roberta Luchsinger e suas ligações, tanto familiares quanto empresariais, com outros personagens-chave, incluindo Fábio Luís Lula da Silva e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”.

Rede de contatos e movimentação de valores

Roberta Luchsinger, herdeira de Peter Paul Arnold Luchsinger, ex-acionista do Credit Suisse, e ex-esposa do ex-delegado Protógenes Queiroz, demonstra uma rede de contatos que se estende ao Palácio do Planalto. Registros obtidos via Lei de Acesso à Informação confirmam sua presença na sede do Executivo em 17 de abril de 2024, às 17h30, e em 18 de abril de 2024, às 12h30. Fábio Luís, por sua vez, também esteve no Palácio do Planalto em três ocasiões distintas no início de 2024: 17 de janeiro, 31 de janeiro e 7 de março.

Além dos registros oficiais, a PF destacou a proximidade pessoal entre Roberta e a família de Fábio Luís. Nas redes sociais, Roberta se descreve como “BFF” (melhor amiga para sempre) de Renata de Abreu Moreira, esposa de Lulinha, a quem chama de “irmã de alma”. As duas inclusive possuem tatuagens idênticas, um fato que foi registrado pela Polícia Federal como um indício do forte vínculo pessoal entre elas.

No campo financeiro, a investigação da Operação Sem Desconto rastreou transações significativas. Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelam pagamentos que totalizam R$ 1,5 milhão, divididos em cinco repasses de R$ 300 mil cada, direcionados à empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., de propriedade de Roberta Luchsinger. Mensagens anexadas ao inquérito adicionam uma camada crítica de suspeita: em uma delas, um funcionário questiona o destino de uma nova transferência, recebendo como resposta: “O filho do rapaz”. O comprovante de pagamento subsequente, surpreendentemente, foi direcionado para a empresa de Roberta. Essa sequência de eventos levou a Polícia Federal a classificar a atuação de Roberta Luchsinger como “essencial para ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de estruturas utilizadas como instrumentos de lavagem de capitais”, consolidando a teoria de que sua empresa e ações serviam para viabilizar esquemas ilícitos.

Defesas e cenário interno da Polícia Federal

Diante das revelações da Operação Sem Desconto, os envolvidos e seus representantes legais começaram a se manifestar, enquanto a própria Polícia Federal lida com divergências internas sobre os próximos passos da investigação.

Respostas dos envolvidos e cenário interno da PF

Questionada por telefone no sábado, 20 de dezembro, Roberta Luchsinger optou por não responder diretamente, orientando a imprensa a procurar seu advogado. Bruno Salles, seu defensor, declarou que “tem muita coisa completamente descontextualizada ali e que será objeto de esclarecimento no momento oportuno”, indicando que a defesa pretende contestar as interpretações da PF. A sustentação da defesa é que Roberta “jamais teve qualquer relação com descontos do INSS” e que sua atuação se restringe à “prospecção e intermediação de negócios”, sugerindo que as acusações de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio são infundadas.

Por sua vez, Fábio Luís Lula da Silva, que não é formalmente investigado, não possui advogado constituído no caso. Marco Aurélio de Carvalho, amigo de Lulinha, explicou a situação, afirmando que Fábio Luís não necessita de defesa legal neste momento porque “não é alvo das investigações”, reiterando a posição de que ele não está diretamente implicado nas fraudes do INSS.

Internamente, a Polícia Federal apresenta relatórios que apontam divergências significativas sobre o andamento da Operação Sem Desconto. Uma parcela dos investigadores defende que é necessário avançar com a apuração sobre o possível envolvimento de Fábio Luís, dada a proximidade e os indícios levantados pelas viagens e conexões financeiras. No entanto, outra ala da PF considera precipitado aprofundar as investigações sobre Lulinha, argumentando que há uma “falta de base robusta” para sua incriminação direta nas condutas relativas aos descontos associativos fraudulentos. Até o momento, a leitura que predomina dentro da instituição é de que “o filho do presidente não está diretamente envolvido nas condutas relativas aos descontos associativos fraudulentos”, o que tem limitado ações mais diretas contra ele, apesar dos múltiplos pontos de contato e dos mesmos códigos de reserva aérea identificados pela investigação.

Desdobramentos da Operação Sem Desconto

A Operação Sem Desconto da Polícia Federal continua a desvendar intrincados esquemas de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS, revelando conexões complexas e movimentações financeiras suspeitas. A identificação de viagens aéreas compartilhadas entre a lobista Roberta Moreira Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, sob os mesmos códigos de reserva, destaca a amplitude da investigação. Enquanto Roberta enfrenta sérias restrições judiciais e sua empresa é apontada como crucial para a lavagem de dinheiro, a posição de Fábio Luís permanece como um ponto de debate interno na PF, ainda que sem formalização como investigado. Os indícios de vínculos pessoais e financeiros, somados aos acessos a esferas de poder, sublinham a importância de um aprofundamento transparente das apurações. A PF segue empenhada em elucidar a totalidade dos fatos e responsabilizar os envolvidos, garantindo a integridade do sistema previdenciário e a coibição de atos ilícitos.

Mantenha-se informado sobre os avanços desta e de outras investigações que impactam o cenário político e financeiro do país, acompanhando as últimas notícias e análises.

Fonte: https://www.conexaopolitica.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

A decisão sobre como garantir a mobilidade pessoal representa um dos dilemas financeiros mais relevantes na vida moderna para muitos…

fevereiro 8, 2026

Recentemente, as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin revelaram um claro clima de…

fevereiro 8, 2026

A Justiça do Rio de Janeiro revogou na última sexta-feira (6) a prisão preventiva da advogada e influencer Agostina Paez,…

fevereiro 7, 2026

Com a contagem regressiva para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, em 2026, a realidade das mudanças…

fevereiro 7, 2026

Em um ato solene que celebrou os 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT) em Salvador, o presidente Luiz Inácio…

fevereiro 7, 2026

A União Europeia deu um passo significativo em direção à gestão de resíduos ao aprovar a inclusão da reciclagem química…

fevereiro 7, 2026