fevereiro 9, 2026

Zelensky anuncia nova rodada trilateral por fim da guerra

G1

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou neste domingo (1º) que uma nova rodada de negociações de paz entre as delegações da Rússia e da Ucrânia está agendada para quarta e quinta-feira (4 e 5). O governo de Kiev opera sob intensa pressão dos Estados Unidos para que aceite um acordo que possa interromper o conflito, que já se estende por quase quatro anos e tem devastado o país. Simultaneamente aos esforços diplomáticos, a Ucrânia enfrenta uma incessante campanha de ataques aéreos russos, que resultou na destruição de grande parte de seu sistema de energia, exacerbando as dificuldades durante um dos invernos mais rigorosos das últimas décadas. Uma rodada prévia de conversas, envolvendo enviados de Moscou, Kiev e Washington, ocorreu na semana passada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, mas não resultou em avanços concretos para a resolução do conflito.

Esforços diplomáticos em curso

Anúncio e expectativas
A declaração de Volodymyr Zelensky sobre a iminente rodada de negociações foi feita durante uma entrevista coletiva na Lituânia e posteriormente reiterada em uma publicação em uma plataforma de mídia social. O presidente ucraniano expressou a prontidão de seu país para participar de “negociações substantivas”, almejando um “resultado que nos aproxime de um fim real e digno da guerra”. A expectativa é alta, mas a cautela também permeia o cenário, dado o histórico de impasses e a profundidade das divergências entre as partes.

No sábado (31), Kirill Dmitriev, que é considerado o principal enviado russo para estas discussões, reportou ter tido uma “reunião construtiva com a delegação de pacificação dos EUA” na Flórida, indicando um canal de comunicação estabelecido, mesmo que as autoridades tenham divulgado poucos detalhes sobre o teor das conversas em Abu Dhabi. A iniciativa diplomática em questão, com a participação dos Estados Unidos, tem sido liderada pelo governo de Donald Trump, conforme as informações disponíveis na época das negociações, o que sublinha a complexidade e a diversidade de atores envolvidos nos bastidores dos diálogos. Embora houvesse um acordo em princípio sobre a necessidade de um compromisso, as posições de Moscou e Kiev permanecem diametralmente opostas.

Obstáculos e divergências
A principal questão que impede um avanço nas negociações reside na definição do futuro dos territórios ucranianos ocupados pelas forças russas. Moscou insiste em manter as áreas sob seu controle, especialmente o Donbas, o coração industrial do leste da Ucrânia, além de exigir a concessão do território de Donetsk, que, apesar das reivindicações russas, permanece sob controle ucraniano. Outra demanda crucial do Kremlin é a rejeição definitiva da Ucrânia à adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), uma aliança militar que a Rússia considera uma ameaça à sua segurança.

Em contraste, a União Europeia e a Ucrânia iniciaram, em outubro do ano passado, a elaboração de um plano de paz que delineia 12 pontos, mas que prevê unicamente a concessão dos territórios ucranianos que já estão sob ocupação russa. Essa divergência fundamental sobre a soberania territorial e a orientação geopolítica da Ucrânia constitui o maior desafio para qualquer acordo duradouro, tornando cada rodada de negociações um campo minado de expectativas e desconfianças. A profundidade dessas exigências conflitantes sugere que o caminho para um entendimento pacífico ainda é longo e complexo.

Intensificação dos conflitos e impactos humanitários

Ataques a infraestruturas e civis
Paralelamente aos esforços diplomáticos, a Ucrânia continua a ser alvo de ataques. Na manhã deste domingo, drones russos atingiram uma maternidade no sul do país, na cidade de Zaporizhzhia. O incidente causou ferimentos em mulheres que estavam no hospital e desencadeou um incêndio na área de recepção da ginecologia, que foi posteriormente controlado. O chefe da administração regional, Ivan Fedorov, confirmou que seis pessoas ficaram feridas em decorrência do ataque, um triste lembrete do custo humano da guerra.

Na última semana, a Rússia intensificou os ataques a instalações de energia em diversas regiões da Ucrânia. A cidade de Odessa, no sul, e Kharkiv, no nordeste, foram alvos de bombardeios que comprometeram suas infraestruturas elétricas. Na quarta-feira, a região de Kiev também sofreu ataques, resultando na morte de duas pessoas e ferindo outras quatro. Essa estratégia de direcionar a infraestrutura energética visa desestabilizar o país e pressionar a população, especialmente em um período de temperaturas extremas.

Trégua e desafios invernais
Dias antes dos ataques a Zaporizhzhia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado que o presidente russo, Vladimir Putin, concordara em suspender temporariamente os ataques à capital ucraniana e a outras cidades. Esta pausa, segundo Trump, visava aliviar o sofrimento da população, que enfrenta temperaturas congelantes e dificuldades generalizadas causadas pela falha nas redes de aquecimento e energia. O Kremlin confirmou na sexta-feira a suspensão dos ataques a Kiev até domingo, mas optou por não divulgar mais detalhes sobre os termos do acordo ou sua abrangência.

No entanto, em Kiev, o impacto do inverno e dos ataques prévios era palpável. Neste domingo, quase 700 prédios residenciais permaneciam sem aquecimento, enquanto as temperaturas na cidade giravam em torno de -15ºC. Equipes de emergência e manutenção trabalhavam incessantemente para restabelecer o aquecimento e a energia após uma falha generalizada na rede elétrica, um desafio monumental que afeta diretamente a qualidade de vida e a segurança dos cidadãos em meio ao rigoroso inverno ucraniano. A interrupção do aquecimento em centenas de edifícios em uma cidade com milhões de habitantes destaca a gravidade da crise humanitária desencadeada pelo conflito.

Conclusão
A iminente rodada de negociações entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos sublinha a complexidade de um conflito que exige uma solução urgente, mas cujas raízes são profundas e as divergências, acentuadas. Enquanto a diplomacia busca abrir caminhos para a paz, a realidade no terreno é marcada por contínuos ataques, impactando civis e infraestruturas vitais, e exacerbando uma crise humanitária em meio a um inverno brutal. A pressão internacional e a necessidade premente de um “fim real e digno da guerra” se chocam com as demandas territoriais e geopolíticas intransigentes, tornando o próximo encontro um momento crucial para avaliar a viabilidade de um compromisso duradouro.

Para mais detalhes sobre os desdobramentos desta crise e a cobertura completa dos impactos humanitários, continue acompanhando nossas atualizações.

Fonte: https://g1.globo.com

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