fevereiro 9, 2026

Toffoli cita fartos indícios de novos crimes de dono do Banco Master

© Rosinei Coutinho/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou a existência de “fartos indícios” de que os indivíduos sob investigação no caso do Banco Master continuam a perpetrar atividades criminosas. Entre os citados está Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira, evidenciando a gravidade e a continuidade das ações ilícitas apuradas. Essa constatação impulsionou uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última quarta-feira, 14 de fevereiro, reiterando o compromisso das autoridades em combater fraudes financeiras de grande porte no país. As investigações buscam desmantelar um esquema complexo que envolve desvios de recursos e títulos forjados, com repercussões significativas no sistema financeiro nacional.

Novas fases e acusações contra o Banco Master

A deflagração da Operação Compliance Zero

A recente fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pessoalmente pelo ministro Dias Toffoli, que expressou preocupação com a persistência de atividades criminosas por parte dos investigados. Ao deferir as novas medidas, o ministro ressaltou a presença de “fartos indícios” de que os suspeitos, incluindo Daniel Vorcaro, continuam a atuar em desacordo com a lei, o que justificou a urgência e a amplitude das ações policiais. A operação, coordenada pela Polícia Federal, visa aprofundar as apurações sobre um complexo esquema de desvio de recursos do sistema financeiro, que estariam sendo utilizados para abastecer patrimônios pessoais dos envolvidos. A ação desta semana é um desdobramento direto das investigações iniciadas em fases anteriores, que já haviam levantado suspeitas sobre a concessão de créditos falsos e a emissão de títulos forjados.

Medidas judiciais e atrasos na execução

Entre as determinações cruciais da Justiça, destacou-se a prisão preventiva de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, além do bloqueio de vultosos R$ 5,7 bilhões em bens dos investigados. Toffoli, em sua decisão, manifestou insatisfação com a demora na execução dessas medidas. Ele observou que os mandados de prisão e busca e apreensão, que deveriam ter sido cumpridos até o dia 13 de fevereiro, foram realizados com um dia de atraso. O ministro apontou que essa “falta de empenho no cumprimento da ordem judicial” poderia comprometer a investigação, alertando que a demora “causou espécie”, “posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa”. Diante da gravidade dos fatos e da necessidade de aprofundamento da investigação, Toffoli determinou que todos os bens, documentos e eletrônicos apreendidos fossem imediatamente encaminhados à sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, onde devem ser mantidos lacrados para posterior perícia pelas autoridades competentes. Essa medida visa garantir a integridade das provas e evitar qualquer tentativa de manipulação ou destruição.

Os alvos da investigação e o escopo da fraude

Perfil dos investigados e prisões

A nova fase da Operação Compliance Zero mirou em figuras proeminentes do cenário financeiro e empresarial. Fabiano Campos Zettel, peça-chave na investigação e cunhado do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi detido na madrugada, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto tentava embarcar em um voo com destino aos Emirados Árabes Unidos. Sua prisão preventiva ressalta a preocupação das autoridades com a fuga e a potencial destruição de provas. Além de Zettel, outros nomes importantes foram alvo de mandados de busca e apreensão. Entre eles, destacam-se o empresário Nelson Tanure, conhecido gestor de fundos com ligações ao Banco Master, e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. As investigações apontam que esses indivíduos são suspeitos de operar um esquema que desviou recursos do sistema financeiro para inflar seu patrimônio pessoal, em uma teia complexa de transações ilícitas. Ao todo, a operação mobilizou a Polícia Federal para cumprir 42 mandados de busca e apreensão em diversas localidades. Durante as diligências, foram confiscados diversos itens de luxo, incluindo carros de alto valor, além de mais de R$ 90 mil em espécie, consolidando um quadro de enriquecimento ilícito por meio de fraudes financeiras.

O histórico da Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero não é recente. Em novembro do ano passado, a mesma investigação já havia focado em Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e em Daniel Vorcaro. Naquela ocasião, as apurações giravam em torno da concessão de créditos falsos, com a suspeita de que a trama envolveria a criação de títulos forjados que poderiam totalizar impressionantes R$ 17 bilhões. Este montante, se confirmado, representaria uma das maiores fraudes bancárias já registradas no país, com capacidade de abalar a confiança no sistema financeiro. O histórico do Banco Master, de propriedade de Vorcaro, também inclui uma tentativa de aquisição pelo BRB em março de 2023, por um valor de R$ 2 bilhões, que foi posteriormente rejeitada pelo Banco Central (BC). A recusa do BC em aprovar a negociação já sinalizava preocupações com a solidez e a conformidade da instituição. A complexidade e a gravidade das acusações culminaram na decretação da liquidação do Banco Master em novembro, um passo drástico que sublinha a extensão dos problemas e as sérias implicações legais para todos os envolvidos.

Desdobramentos e posicionamento das defesas

A defesa do dono do Banco Master

Diante das novas fases da operação e das sérias acusações, a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, emitiu uma nota à imprensa. No comunicado, os advogados afirmaram que Vorcaro tem cooperado plenamente com as autoridades desde o início das investigações. A nota enfatizou que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”, buscando demonstrar um compromisso com a elucidação dos fatos. Além disso, a defesa reiterou que “o Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”. Essa postura visa a desvincular o banqueiro das acusações de obstrução de justiça ou de continuidade de práticas criminosas, como apontado pelo ministro Dias Toffoli.

Perspectivas futuras da investigação

A continuidade da Operação Compliance Zero, com as recentes ações e as declarações do ministro Dias Toffoli, indica que as investigações estão longe de serem concluídas. A urgência demonstrada pelo STF, a gravidade dos indícios levantados e o vultoso bloqueio de bens apontam para um cenário de aprofundamento das apurações. A análise dos documentos, bens e equipamentos eletrônicos apreendidos, que agora estão sob custódia do Supremo, será crucial para a consolidação das provas e para a identificação de novos envolvidos e de outros desdobramentos do esquema. A colaboração ou não dos investigados e de suas defesas também terá impacto no ritmo e na direção do processo. Espera-se que, nos próximos meses, novos elementos venham à tona, revelando a total extensão da alegada fraude e suas ramificações no sistema financeiro nacional.

O avanço das investigações e a busca por responsabilidade

As recentes ações da Operação Compliance Zero, com o forte posicionamento do ministro Dias Toffoli e a prisão de Fabiano Campos Zettel, irmão de Daniel Vorcaro, marcam um momento crucial na investigação do Banco Master. Os “fartos indícios” de continuidade criminosa sublinham a seriedade das acusações de desvio de bilhões de reais e a complexidade do esquema de fraude. A determinação do STF em salvaguardar as provas e a crítica à celeridade das diligências pela Polícia Federal reforçam a busca por transparência e responsabilidade. O processo judicial é complexo, mas essencial para garantir a integridade do sistema financeiro e assegurar que as infrações sejam devidamente apuradas e os responsáveis, exemplarmente punidos, contribuindo para a estabilidade e a confiança no mercado.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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