fevereiro 9, 2026

Tiroteio em Minneapolis envolve agentes federais do ICE

G1

Minneapolis, Minnesota – A prefeitura de Minneapolis anunciou neste sábado (24 de janeiro de 2026) que está investigando relatos de um novo tiroteio em Minneapolis envolvendo agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). O incidente, que teria ocorrido na manhã de hoje em uma rua da cidade, adiciona mais um capítulo à já tensa relação entre a agência federal e o estado de Minnesota, que tem sido palco de crescentes confrontos e operações controversas do ICE. Testemunhas descrevem cenas de violência e reanimação cardiopulmonar sendo realizada em um homem baleado múltiplas vezes. Este evento ocorre em um contexto de intensa polarização política e protestos generalizados contra as táticas da agência em todo o estado, reacendendo debates sobre a atuação de forças federais em jurisdições locais.

O incidente em Minneapolis

Relatos de testemunhas e a ação dos agentes

O sábado em Minneapolis foi marcado por cenas de choque e apreensão após relatos de um tiroteio envolvendo agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). De acordo Testemunhas oculares, cujos depoimentos foram cruciais para a reconstrução dos fatos preliminares, descreveram momentos de intensa tensão e ação rápida por parte dos agentes federais.

Uma das testemunhas, que gravou um vídeo de dentro de um café próximo, capturou imagens que mostram ao menos sete agentes federais do ICE engajados na tentativa de imobilizar um homem. As imagens revelam a agressividade da abordagem: o homem é derrubado no chão por vários agentes. Em meio à confusão e ao esforço para contê-lo, um dos agentes efetuou disparos. O jornal local detalhou que o homem foi atingido várias vezes no peito.

Após os disparos, a situação se tornou ainda mais crítica. Testemunhas que acompanhavam a cena observaram agentes de reanimação cardiopulmonar (RCP) sendo realizadas no homem ferido, indicando a gravidade de seus ferimentos. Pouco depois, uma ambulância deixou a área em alta velocidade, levando o indivíduo para atendimento hospitalar. O estado de saúde da vítima, no entanto, não foi imediatamente divulgado pelas autoridades. A brutalidade da cena, registrada em vídeo e corroborada por múltiplos depoimentos, gerou um impacto imediato na comunidade e levantou sérias questões sobre o uso da força por parte dos agentes federais em operações urbanas.

Reações imediatas e a investigação

A prefeitura de Minneapolis agiu rapidamente, comunicando que está apurando os relatos do tiroteio envolvendo o ICE. A investigação promete ser minuciosa, dadas as circunstâncias e o histórico recente de tensões com a agência federal. A comunidade aguarda por respostas claras sobre os eventos que levaram ao uso de força letal em plena luz do dia.

A repercussão do incidente não se limitou ao âmbito municipal. O governador de Minnesota, Tim Walz, manifestou publicamente sua indignação. Utilizando uma rede social, Walz confirmou que já havia entrado em contato com a Casa Branca após tomar conhecimento do tiroteio. Em uma declaração contundente que reflete a exaustão e a frustração do estado com as operações do ICE, o governador escreveu: “Minnesota já não aguenta mais. Isto é repugnante.” A fala de Walz ressalta a escalada do conflito entre o governo estadual e as políticas federais de imigração, evidenciando uma ruptura na confiança e na cooperação entre os níveis de governo. A intervenção direta do governador junto à Casa Branca sublinha a gravidade da situação e a necessidade de uma resposta imediata e coordenada das mais altas esferas do poder. Este evento, portanto, não é apenas um incidente isolado, mas um sintoma de um problema muito maior e mais profundo.

Escalada da tensão em Minnesota

A morte de Renee Good e o confronto político

O tiroteio de 24 de janeiro não é um evento isolado, mas o mais recente capítulo em uma série de incidentes que têm exacerbado a tensão em Minnesota. O estado tem vivenciado um período de forte atrito devido à intensificação das operações do ICE, caracterizadas por uma postura cada vez mais assertiva e, para muitos, truculenta. Um marco decisivo nessa escalada foi o trágico incidente de 7 de janeiro de 2026, quando Renee Good, uma cidadã americana, foi morta a tiros disparados por um agente do ICE.

A morte de Good deflagrou um confronto aberto e sem precedentes entre a administração Trump e o estado de Minnesota. Esse embate envolveu tanto os líderes políticos do estado, que vota majoritariamente no Partido Democrata, quanto uma parcela significativa de sua população. A população de Minnesota, já historicamente inclinada a políticas mais progressistas e acolhedoras em relação a imigrantes, reagiu com veemência à ação federal. O incidente com Renee Good não só gerou uma onda de protestos massivos, mas também expôs a fragilidade das relações federativas e a autonomia dos estados frente a ações federais consideradas invasivas ou excessivas. O agente responsável pelos disparos, Jonathan Ross, recebeu apoio explícito da Casa Branca, o que apenas intensificou a revolta e a sensação de injustiça por parte da comunidade local e dos líderes estaduais. Este apoio direto do governo federal foi interpretado como um endosso à brutalidade e uma desconsideração pela vida dos cidadãos, inflamando ainda mais o debate público e a oposição.

Detenção de crianças e uso de “isca”

A política agressiva do ICE em Minnesota não se manifesta apenas em tiroteios, mas também em táticas que geraram profunda indignação pública e condenação generalizada. Um exemplo chocante dessa abordagem veio à tona na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, revelando um incidente ocorrido dois dias antes, na terça-feira (20). Pelo menos quatro crianças foram detidas por agentes federais, com um detalhe particularmente perturbador: uma delas teria sido usada como “isca” em uma tentativa de prender seus familiares.

Liam Conejo Ramos, de apenas 5 anos de idade, foi um dos menores envolvidos nesse episódio. Ele foi detido por agentes do ICE logo após retornar para casa da pré-escola. A notícia da detenção de crianças, especialmente sob tais circunstâncias, provocou uma onda de repúdio. A utilização de uma criança tão pequena para atrair e prender outros membros da família foi amplamente criticada como uma tática desumana e moralmente indefensável, violando princípios básicos de proteção infantil e gerando um trauma profundo nas famílias afetadas. Este evento serviu para solidificar a percepção de que as operações do ICE em Minnesota estavam extrapolando limites éticos e humanitários, transformando a agência em um símbolo de opressão para muitos moradores. A controvérsia em torno da detenção de Liam Conejo Ramos e das outras crianças adicionou uma camada de crueldade à já tensa situação no estado, aprofundando a indignação popular e a determinação em resistir às políticas de imigração do governo federal.

Apoio da Casa Branca e protestos populares

A série de incidentes em Minnesota, incluindo a morte de Renee Good e a detenção de crianças, não apenas gerou indignação local, mas também provocou uma forte reação por parte da administração federal. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, prontamente defendeu as ações do ICE, um movimento que se tornou uma constante na postura de Washington. Desde o assassinato de Renee Good, tanto o presidente Trump quanto outros membros da Casa Branca têm manifestado apoio inabalável ao serviço de imigração e ao agente Jonathan Ross, responsável pelos disparos contra a cidadã americana. Essa defesa irrestrita tem sido interpretada por muitos como um incentivo à truculência da agência e um desrespeito às preocupações dos estados e das comunidades.

Em resposta a essa postura e à crescente brutalidade percebida nas operações do ICE, a população de Minneapolis e de todo o estado de Minnesota tem se mobilizado em massa. As ruas foram tomadas por protestos vigorosos, com milhares de pessoas manifestando sua condenação às táticas da agência federal. Os protestos não se limitaram a Minnesota; outras manifestações de solidariedade e repúdio às ações do ICE ocorreram em diversas cidades por todo os Estados Unidos, refletindo uma preocupação nacional com a direção das políticas migratórias e o uso da força por agências federais. A força desses movimentos populares demonstra a profunda insatisfação e o desejo de mudança, transformando a questão imigratória em um ponto central de embate político e social. A solidariedade entre as comunidades e a persistência dos protestos sublinham a gravidade da situação e o clamor por justiça e responsabilização.

Um estado em ebulição

A situação em Minnesota se desenrola como um drama contínuo, onde cada novo incidente com o ICE serve para acentuar a polarização e aprofundar a fenda entre o governo federal e a população local. O tiroteio de 24 de janeiro, somado aos eventos trágicos anteriores – a morte de Renee Good e a controversa detenção de crianças –, pinta um quadro de um estado em ebulição, com uma comunidade exausta pela escalada da violência e pela percepção de impunidade. A intransigência da Casa Branca em defender as ações do ICE, ignorando os apelos do governador e a indignação popular, sugere que o confronto está longe de um desfecho. Pelo contrário, a persistência de operações agressivas em um ambiente já carregado de tensão indica que Minnesota continuará sendo um epicentro do debate sobre imigração, direitos civis e o papel das agências federais em uma democracia. Os olhos da nação permanecem voltados para o estado, observando como essa crise se desenvolverá e quais serão as consequências para o futuro das políticas migratórias e das relações entre estado e federação.

Para análises aprofundadas sobre o papel das agências federais e o impacto das políticas migratórias nas comunidades, continue acompanhando nossa cobertura.

Fonte: https://g1.globo.com

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