fevereiro 9, 2026

Roma implementa taxa de acesso à Fontana di Trevi

G1

Roma, a Cidade Eterna, palco de inestimáveis obras de arte e monumentos históricos, anuncia uma significativa alteração na forma como visitantes interagem com um de seus ícones mais amados. A partir de agora, aproximar-se da famosa Fontana di Trevi passará a ter um custo. As autoridades italianas instituíram uma taxa de dois euros, o equivalente a aproximadamente R$ 13, para turistas que desejarem acessar a área mais próxima da fonte, uma medida que visa controlar o fluxo de pessoas e contribuir para a manutenção do local. A decisão, revelada pelo prefeito Roberto Gualtieri, marca um novo capítulo na gestão do turismo da capital italiana, equilibrando a experiência do visitante com a preservação de seu valioso patrimônio.

Nova política de acesso e seus detalhes
A medida anunciada pela prefeitura de Roma estabelece que, embora a Fontana di Trevi continue visível gratuitamente à distância, o acesso à área adjacente, aquela que permite aos visitantes jogar moedas e apreciar os detalhes da escultura de perto, será restrito a quem possuir um ingresso. Esta política visa organizar o fluxo de milhões de turistas que anualmente visitam o monumento, um dos mais procurados na cidade. O prefeito Roberto Gualtieri detalhou em coletiva de imprensa que a cobrança, avaliada há tempos, surge como uma estratégia para gerenciar a superlotação e mitigar os impactos negativos do turismo de massa sobre o monumento barroco.

O que muda para os visitantes
Para o turista desavisado, a mudança mais imediata será a necessidade de adquirir um bilhete para uma experiência mais imersiva na Fontana di Trevi. A tradicional prática de jogar uma moeda na fonte, um gesto que promete o retorno a Roma e a realização de desejos, agora estará condicionada ao pagamento da taxa. Embora a vista panorâmica da fonte e da praça permaneça gratuita, a experiência de proximidade, crucial para muitos que desejam participar da tradição ou simplesmente admirar a riqueza de detalhes das esculturas, será paga. A implementação desta taxa sinaliza uma tendência crescente em cidades históricas europeias de buscar mecanismos para regular o acesso a pontos turísticos icônicos, conciliando a visitação com a conservação.

O racional por trás da cobrança
A decisão de implementar a taxa de acesso não é arbitrária. Segundo a prefeitura de Roma, a cobrança vinha sendo estudada há algum tempo, motivada pela crescente preocupação com a conservação do monumento e a gestão do intenso fluxo de visitantes. A Fontana di Trevi, como muitos outros patrimônios da humanidade, sofre com o desgaste natural e a pressão exercida por milhões de turistas. Os recursos arrecadados com a taxa serão direcionados para a manutenção e restauração da fonte, garantindo a sua preservação para as futuras gerações. Além disso, a medida busca oferecer uma experiência mais organizada e segura para os visitantes, reduzindo aglomerações e permitindo uma apreciação mais calma da obra.

A Fontana di Trevi: história, arte e cultura pop
Concluída em 1762, a Fontana di Trevi é uma obra-prima inquestionável do barroco tardio, desenhada por Nicola Salvi e concluída por Giuseppe Pannini. Sua grandiosidade e detalhes artísticos a tornam um dos monumentos mais belos e reconhecíveis do mundo. O tema central da fonte é a domesticação das águas, com a imponente estátua de Netuno (ou Oceano, conforme algumas interpretações) conduzindo sua carruagem em forma de concha, puxada por tritões e cavalos marinhos, um selvagem e outro calmo, simbolizando os estados variáveis do mar.

Um legado barroco e a maestria arquitetônica
A história da Fontana di Trevi remonta à Roma Antiga, quando ela era o ponto final do Aqua Virgo, um aqueduto construído em 19 a.C. para abastecer a cidade com água pura. A fonte atual, no entanto, é o resultado de um concurso do século XVIII vencido por Nicola Salvi. A complexidade de suas esculturas, o jogo de luz e sombra, e o movimento dramático das figuras são características marcantes do estilo barroco, que buscava evocar emoção e grandiosidade. Cada detalhe, desde as estátuas de abundância e salubridade até as representações das estações, contribui para a narrativa visual da fonte, tornando-a um espetáculo de arte e engenharia.

Ícone cinematográfico e tradições
Além de sua beleza arquitetônica, a Fontana di Trevi alcançou status de ícone cultural global por sua aparição memorável no cinema. A cena atemporal do filme “La Dolce Vita”, de Federico Fellini, onde a atriz Anita Ekberg entra na fonte e convida Marcello Mastroianni a juntar-se a ela, eternizou o monumento na imaginação popular. Esta representação cinematográfica não só aumentou sua fama, mas também solidificou a aura romântica e mágica do local. A tradição de jogar moedas, popularizada ainda antes do filme, é um ritual que transcende culturas e gerações, atraindo anualmente milhões de dólares em doações que são destinadas a causas de caridade em Roma.

Impactos e perspectivas futuras
A implementação da taxa de acesso à Fontana di Trevi reflete uma tendência global na gestão do turismo em grandes centros históricos. O desafio é conciliar a crescente demanda por experiências turísticas com a necessidade de proteger e preservar o patrimônio cultural. A medida de Roma pode ser vista como um passo importante para um turismo mais sustentável e consciente.

Gestão de multidões e conservação do patrimônio
A principal justificativa para a taxa é a gestão eficaz das multidões. O fluxo ininterrupto de visitantes, que em certas épocas do ano chega a ser esmagador, não só prejudica a experiência individual, como também representa um risco para a integridade física do monumento. A arrecadação, como já mencionado, será fundamental para programas de conservação. Além disso, ao controlar o acesso, espera-se diminuir o desgaste das superfícies e a poluição sonora e visual na área imediata da fonte, permitindo que os próprios romanos e visitantes apreciem o local com mais tranquilidade.

Precedente para outros pontos turísticos de Roma
A decisão sobre a Fontana di Trevi pode estabelecer um precedente para outros locais icônicos em Roma. A cidade é um museu a céu aberto, e muitos de seus monumentos e praças públicas estão sob pressão semelhante. Embora a ideia de cobrar por espaços públicos levante debates sobre o acesso irrestrito ao patrimônio, a realidade da sustentabilidade e da conservação exige soluções inovadoras. Medidas como esta, se bem-sucedidas em alcançar seus objetivos de proteção e melhoria da experiência, podem inspirar a implementação de modelos semelhantes em outros pontos de interesse na capital italiana ou até mesmo em outras cidades com desafios parecidos.

Conclusão:
A introdução de uma taxa de acesso para se aproximar da Fontana di Trevi representa uma virada na política de turismo de Roma, sinalizando um esforço para proteger um de seus bens mais preciosos. Embora possa alterar a experiência tradicional de visita, a medida busca garantir a conservação do monumento barroco e otimizar a experiência para os milhões de turistas que anualmente buscam este ícone cultural. Os fundos arrecadados serão cruciais para a manutenção e restauração, assegurando que a fonte continue a encantar gerações futuras.

Planeje sua próxima visita a Roma com antecedência e verifique as últimas atualizações sobre as taxas de acesso aos monumentos para uma experiência sem contratempos!

Fonte: https://g1.globo.com

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