fevereiro 9, 2026

Há cinco anos, Brasil iniciava vacinação contra a covid-19

Jovem Pan*

O Brasil marcava um momento crucial em sua história sanitária há exatos cinco anos, no dia 17 de janeiro de 2021. Após a aprovação emergencial de imunizantes pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a tão esperada vacinação contra a covid-19 teve início, simbolizando um farol de esperança em meio a uma das maiores crises de saúde pública globais. A enfermeira paulista Mônica Calazans se tornou a primeira brasileira a receber uma dose, um ato carregado de significado que reverberou por todo o país. Este gesto inaugural não apenas deu a largada a uma campanha de imunização sem precedentes, mas também resgatou a confiança na ciência e no esforço coletivo para superar a pandemia que assolava o mundo, deixando para trás um período de incertezas e luto.

O início histórico da imunização

No dia 17 de janeiro de 2021, o Brasil deu seus primeiros passos para combater a pandemia de covid-19 de forma ativa e massiva. Este dia marcou o início de uma das maiores campanhas de vacinação já vistas no país, logo após a Anvisa autorizar o uso emergencial de duas vacinas. A escolha da primeira pessoa a ser imunizada recaiu sobre a enfermeira Mônica Calazans, um símbolo potente para o momento. A cena, transmitida para todo o país, representou o ápice de meses de pesquisa e o alívio de uma nação exaurida pelo avanço do vírus e suas consequências devastadoras. O momento não foi apenas um procedimento médico, mas um evento de grande significado emocional e social.

O marco de Mônica Calazans

Mônica Calazans, uma enfermeira que atuava no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, hospital de referência no tratamento de doenças infectocontagiosas e que atendeu mais de 40 mil pacientes durante a pandemia, foi a figura central deste momento histórico. Sua escolha não foi aleatória; ela participou ativamente dos ensaios clínicos da vacina Coronavac no final de 2020, ajudando a comprovar sua segurança e eficácia. Estava de plantão naquele domingo, 17 de janeiro, quando foi surpreendida pelo aviso de sua chefe para se dirigir ao local da cerimônia, onde autoridades aguardavam ansiosamente a decisão da Anvisa para iniciar a vacinação.

Ao descobrir que seria a primeira a ser vacinada, a emoção tomou conta. “Eu chorava muito! De verdade! Porque a gente estava passando por um momento traumatizante, e o meu irmão estava com covid na época”, recorda, transbordando de alegria e esperança pelo que a ciência estava conquistando. Mônica expressou a carga simbólica de seu ato: “Na hora que eu recebi a vacina, eu trouxe esperança para as pessoas. O meu punho cerrado era uma mensagem de esperança e de vitória. De que nós iríamos vencer essa fase tão terrível”. Seu gesto se tornou um ícone da resiliência brasileira diante da crise, um grito silencioso de fé na ciência e na capacidade de superação humana.

A expansão da campanha e seus desafios

O pontapé inicial dado por Mônica Calazans abriu caminho para a expansão da vacinação por todo o território nacional. A partir do dia 18 de janeiro de 2021, a distribuição das primeiras doses começou a chegar aos estados e municípios, dando início a uma complexa operação logística que visava imunizar milhões de brasileiros. A campanha se desenrolou em um cenário de intensa pressão e expectativa, com a população ávida por notícias e pelo acesso aos imunizantes que prometiam trazer de volta a normalidade.

Logística, prioridades e a luta contra o vírus

A vacinação em escala nacional teve início no dia seguinte ao marco de Mônica, 18 de janeiro, impulsionada pela distribuição de um lote inicial de 6 milhões de doses da Coronavac. Estas doses, produzidas na China, foram importadas pelo Instituto Butantan, que posteriormente incorporou a tecnologia e passou a processar a vacina no Brasil, a partir do ingrediente ativo enviado pela empresa Sinovac. Poucos dias depois, em 23 de janeiro, a campanha ganhou um reforço significativo com a chegada das primeiras 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, inicialmente importadas da Índia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A Fiocruz também assumiria gradualmente a produção do imunizante em solo nacional, consolidando a capacidade produtiva brasileira.

A estratégia de imunização priorizou os grupos mais vulneráveis, em um esforço para proteger aqueles com maior risco de desenvolver formas graves da doença e óbito. Inicialmente, foram contemplados os trabalhadores da saúde da linha de frente, que se dedicavam incansavelmente ao cuidado dos doentes; idosos e pessoas com deficiência que viviam em instituições, dada a maior exposição e fragilidade; e as populações indígenas, devido às especificidades de acesso à saúde e vulnerabilidades. Este período coincidiu com o pico da variante Gama do coronavírus no Brasil, que se mostrou mais agressiva e letal do que as variantes anteriores.

Dada a escassez inicial de doses, a imunização avançou lentamente, o que gerou ansiedade e desafios para a gestão da saúde pública. Grupos como os idosos em geral, embora altamente vulneráveis, só foram alcançados mais tarde. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, pessoas com idades entre 60 e 70 anos só receberam o imunizante ao longo dos meses de março e abril de 2021, evidenciando as dificuldades e a necessidade de escalonamento da campanha.

Os frutos da vacinação: vidas salvas e o futuro

Apesar dos desafios logísticos e da limitação inicial de doses, os benefícios da vacinação não demoraram a se manifestar de forma contundente, transformando o cenário da pandemia no Brasil. A curva de casos graves e óbitos começou a mudar, demonstrando a eficácia dos imunizantes na proteção da população. Este período marcou uma virada de página crucial, na qual a esperança começou a se converter em resultados palpáveis e mensuráveis.

Impacto comprovado e a resiliência científica

Dados do Observatório Covid-19 Brasil revelaram uma queda vertiginosa nas hospitalizações e mortes entre idosos a partir de abril de 2021, apenas alguns meses após o início da campanha para esse grupo. Essa constatação precoce sublinhou o impacto positivo da imunização na proteção dos mais vulneráveis. Pesquisadores estimam que, apenas nos primeiros sete meses da campanha, 165 mil internações e 58 mil mortes entre idosos foram evitadas, um número que ressalta a importância e o sucesso da iniciativa.

Nos meses seguintes, a capacidade produtiva nacional foi intensificada. Tanto o Instituto Butantan quanto a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) expandiram suas operações para finalizar e envasar as vacinas no Brasil, reduzindo a dependência de importações e acelerando o ritmo da imunização. Este esforço foi complementado pela chegada de imunizantes adquiridos de empresas privadas, o que permitiu um aumento expressivo no número de doses disponíveis. Em um ano, a campanha alcançou um marco impressionante: 339 milhões de doses foram aplicadas, atendendo a 84% da população brasileira com pelo menos uma dose.

Especialistas calculam que este gigantesco esforço de vacinação preveniu 74% dos casos graves e 82% das mortes esperadas no Brasil. Em termos absolutos, isso significa que mais de 300 mil vidas foram poupadas, um testemunho inegável do poder da ciência e da saúde pública na contenção de uma catástrofe humanitária. O sucesso da campanha de vacinação transformou a perspectiva do país em relação à pandemia, permitindo um caminho gradual para a recuperação e a retomada das atividades sociais e econômicas.

O legado de uma campanha histórica

Os cinco anos que se passaram desde o início da vacinação contra a covid-19 no Brasil nos permitem olhar para trás com uma perspectiva de profunda gratidão e aprendizado. O que começou como um passo solitário da enfermeira Mônica Calazans se transformou em uma corrida coletiva contra o tempo, impulsionada por instituições científicas robustas como Butantan e Fiocruz, e abraçada por milhões de brasileiros. A campanha demonstrou a força da ciência e da saúde pública, que, mesmo diante de um cenário de incerteza e crise, foram capazes de orquestrar uma resposta sem precedentes. O legado desta jornada é a lembrança de um período difícil, mas também a celebração da capacidade humana de inovar, colaborar e, acima de tudo, salvar vidas. A vacinação não apenas protegeu indivíduos, mas restabeleceu a esperança e permitiu ao país vislumbrar um futuro pós-pandemia.

O legado desta campanha reforça a importância contínua da vacinação e da vigilância sanitária. Mantenha seu calendário de vacinação atualizado e contribua para a saúde coletiva.

Fonte: https://jovempan.com.br

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