fevereiro 9, 2026

Congresso analisa veto de Lula à lei da dosimetria

Sessão do Congresso Nacional no Plenário da Câmara

Com o encerramento do recesso parlamentar, deputados e senadores retomam as atividades no Congresso Nacional nesta semana, com uma pauta intensa e pontos de atrito já delineados. Entre os temas que prometem acirrar os debates e testar a articulação política do governo e da oposição, destaca-se a análise do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à lei da dosimetria. A proposta, aprovada pelo Legislativo no final do ano passado, visa alterar os critérios utilizados por magistrados na fixação das penas, especialmente ao limitar a margem de interpretação judicial na primeira fase da dosimetria. O veto de Lula, formalizado em 8 de janeiro, fundamenta-se na alegação de que a medida comprometeria a autonomia do Poder Judiciário e o princípio constitucional da individualização da pena. A expectativa é de um embate político significativo, com a oposição articulando a derrubada do veto e o governo empenhado em sua manutenção, reabrindo discussões sensíveis sobre a política criminal e a separação dos poderes no país.

A retomada dos trabalhos legislativos e a pauta do veto presidencial


Com o fim do período de recesso, o Congresso Nacional volta a ser palco de importantes discussões que moldarão o cenário político e jurídico do Brasil. Líderes partidários já iniciaram as articulações para a inclusão do veto presidencial ao Projeto de Lei da Dosimetria nas próximas sessões conjuntas de deputados e senadores. A pauta é considerada prioritária pela oposição, que vê na derrubada do veto uma oportunidade de marcar posição contra o governo e, segundo alguns parlamentares, de corrigir o que consideram um excesso do Executivo. O governo, por sua vez, defende a manutenção do veto, argumentando que a proposta legislativa invade a esfera de competência do Judiciário e pode desvirtuar a aplicação da justiça e do princípio da individualização da pena.

Articulação política e o embate esperado


O debate sobre o veto de Lula à lei da dosimetria transcende a mera questão técnica e se insere em um contexto de polarização política. A oposição, que apoiou massivamente a aprovação do projeto no ano passado, argumenta que a alteração nos critérios de dosimetria das penas é fundamental para garantir maior uniformidade e previsibilidade nas sentenças. Um dos pontos levantados por parlamentares é que a mudança poderia, indiretamente, reduzir penas aplicadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro, o que adiciona uma camada extra de sensibilidade ao tema, em um momento de intensa discussão sobre as responsabilidades pelos eventos. Por outro lado, o governo e seus aliados avaliam que a derrubada do veto seria um retrocesso, com riscos de enfraquecer o sistema de justiça e de desrespeitar o princípio da individualização da pena, que permite ao juiz analisar as particularidades de cada caso, garantindo uma aplicação da lei mais justa e contextualizada.

Para que o veto seja derrubado, é necessária a maioria absoluta dos votos de deputados e senadores em uma sessão conjunta do Congresso Nacional. Isso significa, no mínimo, 257 votos na Câmara dos Deputados e 41 no Senado Federal. Caso o número necessário de votos não seja alcançado em ambos os plenários, o veto será mantido, confirmando a decisão presidencial. A expectativa nos bastidores políticos é de que há votos suficientes para a derrubada, dado o amplo apoio que o projeto recebeu de partidos do centro e da direita durante sua tramitação no ano passado. A tensão é palpable, e a votação promete ser um termômetro da capacidade de articulação de ambos os lados – Executivo e Legislativo – e do grau de independência do parlamento em relação ao governo federal.

Detalhes do projeto de lei e seus impactos


O Projeto de Lei da Dosimetria é uma peça legislativa que busca reformular aspectos cruciais da aplicação de penas no Brasil. Sua aprovação no Congresso, no final do ano passado, ocorreu após intensos debates e uma tramitação relativamente rápida, evidenciando o interesse e a convergência de setores do parlamento em torno da matéria e de suas potenciais implicações no sistema penal.

Aprovação no Congresso e a proposta original


Em dezembro, a Câmara dos Deputados deu seu aval ao projeto por uma margem significativa de 291 votos a favor e 148 contrários, sinalizando a força da proposta entre os deputados. Posteriormente, a matéria seguiu para o Senado Federal, onde também foi aprovada, desta vez por 48 votos favoráveis e 25 contrários, em uma votação nominal que confirmou a tendência de aprovação do Legislativo. O texto original da proposta continha um artigo que previa anistia a todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e aos acusados dos quatro grupos relacionados à tentativa de golpe de Estado julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, após intensa polêmica e negociações com diferentes bancadas e setores da sociedade civil, esse artigo foi retirado do projeto antes de sua votação final, mitigando uma das maiores críticas e abrindo caminho para sua aprovação no plenário das duas casas.

Alterações na dosimetria das penas


O cerne do PL da Dosimetria reside na sua intenção de alterar a forma como as penas são calculadas e aplicadas. Ele estabelece, por exemplo, que crimes de tentativa contra o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto fático, deverão implicar no uso da pena mais grave entre eles, em vez da soma de ambas as penalidades. Essa mudança é significativa, pois em muitos casos a soma de penas pode resultar em sentenças mais longas e impactar o tempo de cumprimento total da condenação. O projeto, conforme sua formulação, visa uma “calibragem da pena mínima e da pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas, reduzindo também o tempo para progressão do regime de prisão fechado para semiaberto ou aberto”. Tal alteração busca oferecer maior objetividade e uniformidade na aplicação da lei penal, limitando a discricionariedade judicial.

Se convertido em lei, este novo método de cálculo e soma de penas beneficiaria diretamente todos os condenados pela tentativa de golpe de Estado. Entre os nomes de maior projeção que se encaixam neste perfil estão o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro; o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier; o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; o ex-ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto; o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno; o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; e o deputado federal Alexandre Ramagem. Este grupo principal foi condenado a penas que variam de 16 a 24 anos em regime fechado pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em caráter definitivo, em 25 de novembro do ano passado. A proposta também esclarece que outras penas de detenção deveriam ser cumpridas após aquelas de reclusão, organizando a sequência de cumprimento das sentenças e evitando a simultaneidade de penas de naturezas distintas.

Cenário jurídico e político pós-veto


A discussão em torno do veto presidencial ao PL da Dosimetria não se esgota na votação do Congresso. Especialistas em direito constitucional e penal alertam para a possibilidade de que, mesmo com a derrubada do veto pelo parlamento, o tema possa ser levado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A judicialização da política é um fenômeno cada vez mais comum no Brasil, e questões envolvendo a separação de poderes, a interpretação de leis penais e a constitucionalidade de novas normas frequentemente acabam na mais alta corte do país para uma análise definitiva.

Possível judicialização e debates constitucionais


Apesar da possibilidade de o tema parar no STF, a tendência observada por analistas jurídicos é de que a Suprema Corte, em muitos casos, tende a manter a decisão do Congresso em matérias legislativas, especialmente quando há um claro respaldo democrático na aprovação de uma lei. Contudo, a controvérsia gerada pelo PL da Dosimetria, em especial pela alegação de que ele interfere na autonomia do Judiciário e no princípio fundamental da individualização da pena, poderia justificar uma análise aprofundada por parte dos ministros. A retomada do debate parlamentar sobre o veto recoloca em pauta discussões fundamentais sobre política criminal, os limites da atuação do Judiciário, os direitos dos condenados e a delicada separação dos poderes que sustenta a democracia brasileira. Ainda não há uma data definida para a votação do veto no Congresso, mas sua inclusão na pauta é iminente, prometendo um dos primeiros grandes confrontos legislativos do ano e um marco importante para a legislação penal do país.

Acompanhe os desdobramentos dessa importante votação e entenda como ela pode redefinir o futuro da legislação penal no Brasil.

Fonte: https://jovempan.com.br

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