fevereiro 9, 2026

Acordo Mercosul-UE impulsiona acesso brasileiro a 36% do comércio global

entidade industrial brasileira avalia a formalização do acordo é uma virada estratégica para ...

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) promete transformar significativamente o cenário do comércio exterior brasileiro, expandindo o acesso do país ao mercado de importações mundiais de bens de 8% para impressionantes 36% quando o tratado entrar em vigor. A União Europeia, por si só, representa 28% do comércio global em 2024, evidenciando a magnitude dessa parceria para a economia nacional. A formalização do tratado, celebrada em Assunção, Paraguai, após a assinatura pelos representantes de ambos os blocos, é vista como uma virada estratégica para a indústria nacional, oferecendo novas oportunidades e desafios para o desenvolvimento econômico do Brasil. Este pacto, resultado de mais de 25 anos de intensas negociações, é considerado o mais moderno e abrangente já negociado pelo Mercosul.

Abertura sem precedentes no comércio global

Redução tarifária e assimetria favorável
O levantamento mais recente sobre o impacto do acordo Mercosul-UE revela que a entrada em vigor do pacto trará uma drástica redução de tarifas para os produtos brasileiros na Europa. Mais de 54,3% dos produtos negociados, o que corresponde a mais de cinco mil itens, terão seu imposto de importação zerado na União Europeia assim que o acordo for implementado. Isso representa um acesso privilegiado e imediato para uma vasta gama de mercadorias brasileiras. Com base nos dados de 2024, estima-se que 82,7% das exportações do Brasil para a UE passarão a ingressar no bloco europeu sem a incidência de tarifas de importação desde o início da vigência do tratado.

Em contrapartida, o Brasil, na condição de membro do Mercosul, adotará uma abordagem mais gradual na redução de suas tarifas de importação para produtos europeus. O país terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para diminuir as tarifas de 44,1% dos produtos, abrangendo cerca de 4,4 mil itens. Esse cronograma escalonado assegura uma transição previsível e tempo hábil para a adaptação da indústria nacional. Destaca-se que o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente as tarifas de apenas 15,1% das importações originárias da União Europeia, reforçando uma diferença que se mostra favorável ao país e permite maior competitividade aos produtores locais durante o período de adaptação. Essa assimetria nos prazos e volumes de desgravação tarifária reflete uma estratégia de proteção e estímulo à indústria brasileira.

Um tratado que vai além das tarifas
A formalização do acordo é percebida como um marco estratégico para o setor industrial brasileiro, não apenas pela abertura de mercados e pela redução de barreiras tarifárias, mas também pela incorporação de disciplinas que transcendem a mera negociação de taxas. O tratado inclui disposições que visam aumentar a previsibilidade regulatória, o que é crucial para empresas que buscam segurança jurídica e operacional em suas atividades de comércio exterior. Além disso, a expectativa é de uma significativa redução de custos associados às operações comerciais, impulsionada pela harmonização de normas e pela simplificação de processos burocráticos.

A abrangência do acordo também cria um ambiente mais propício para investimentos, inovação e a tão necessária criação de empregos. Ao estabelecer regras claras e um terreno mais estável para o comércio e a cooperação, o pacto estimula o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil e incentiva as empresas brasileiras a investir em modernização e pesquisa. O caráter moderno do tratado, resultado de uma negociação que se estendeu por mais de duas décadas e meia, demonstra um esforço conjunto para alinhar as economias do Mercosul e da UE às exigências do século XXI, promovendo uma integração internacional mais robusta e sustentável para o país no comércio global.

Multiplicidade de impactos econômicos

Estímulo à geração de empregos e à agroindústria
Os benefícios projetados do acordo Mercosul-UE estendem-se à geração de empregos e ao fortalecimento de setores-chave da economia brasileira, como o agroindustrial. Projeções baseadas em dados de 2024 indicam que, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a União Europeia, são criados 21,8 mil empregos, movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e gerados R$ 3,2 bilhões em produção. Esses números sublinham o potencial transformador do acordo na economia interna, fomentando o crescimento e a distribuição de renda através do incremento das exportações.

No setor agroindustrial, o tratado traz resultados particularmente positivos, com a negociação de cotas que favorecem produtos estratégicos. Para a carne bovina, por exemplo, as cotas concedidas superam o dobro das ofertadas pela União Europeia a parceiros como o Canadá e são mais de quatro vezes superiores às destinadas ao México, abrindo um vasto mercado para os produtores brasileiros. As cotas para o arroz também superam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco europeu, ampliando o potencial de acesso a esse mercado exigente. Tais ganhos representam um impulso significativo para a competitividade do agronegócio nacional e sua capacidade de expansão internacional.

Fomento à cooperação tecnológica e sustentabilidade
Além dos ganhos comerciais diretos, a assinatura do tratado estabelece um ambiente propício para a ampliação de projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) voltados à sustentabilidade e à inovação tecnológica. As novas exigências regulatórias e de mercado europeias funcionam como um catalisador para oportunidades em tecnologias de descarbonização industrial. Isso inclui áreas como captura, uso e armazenamento de carbono, eletrificação com hidrogênio de baixa emissão, desenvolvimento de motores híbrido-flex e a reciclagem de baterias e minerais críticos.

O acordo também incentiva a produção de bioinsumos para uma agricultura mais resiliente e menos impactante ao meio ambiente. A articulação dessas frentes fortalece a cooperação tecnológica entre Brasil e UE, acelerando a transição para uma economia de baixo carbono e ampliando a competitividade do Brasil no mercado europeu, que é um polo de inovação e preocupação ambiental. Essa sinergia em P&D representa uma modernização essencial para o parque industrial e agrícola brasileiro, alinhando-o às tendências globais de sustentabilidade.

Complementaridade industrial e fluxo de investimentos
A União Europeia se mantém como o segundo principal mercado externo do Brasil, atrás apenas da China. Em 2024, foi o destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, equivalente a 14,3% do total exportado pelo país. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, correspondendo a 17,9% do total. A quase totalidade (98,4%) das importações brasileiras provenientes da Europa foram de produtos da indústria de transformação, enquanto 46,3% das exportações brasileiras para a UE foram de bens industriais.

Considerando os insumos industriais, a participação no comércio em 2024 foi de 56,6% das importações originárias do bloco e de 34,2% das exportações do Brasil para a União Europeia. Essa complementaridade é vital para a modernização do parque industrial brasileiro, aumentando sua competitividade. A UE também se destaca como o principal investidor no Brasil, respondendo em 2023 por 31,6% do estoque de investimento produtivo estrangeiro no país, somando US$ 321,4 bilhões. Curiosamente, o Brasil foi o maior investidor latino-americano na União Europeia, com o bloco sendo o destino de 63,9% dos investimentos brasileiros no exterior, demonstrando uma relação econômica profunda e multifacetada.

Próximos passos e desafios da ratificação
A formalização do acordo Mercosul-UE, após a assinatura, ainda requer um processo de ratificação fundamental para sua efetiva entrada em vigor. O texto será submetido à aprovação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada um dos países integrantes do Mercosul. A parte comercial do acordo, que engloba todas as projeções e benefícios econômicos detalhados, depende dessa aprovação legislativa, com a expectativa de uma implementação gradual ao longo dos próximos anos. Essa fase final é crucial e envolve debates políticos e econômicos em ambas as regiões.

A previsão é de que o Brasil tenha, em média, oito anos adicionais para se adaptar integralmente à redução tarifária, se comparado ao prazo do bloco europeu, considerando o comércio bilateral e o cronograma previsto no acordo. Essa janela de adaptação é estratégica para a indústria brasileira se preparar para a nova dinâmica competitiva. O acordo é inegavelmente um marco histórico para o fortalecimento da indústria brasileira, a diversificação de sua pauta exportadora e a integração mais profunda do país ao comércio global. Seu sucesso dependerá da agilidade e do consenso nos processos legislativos subsequentes, pavimentando o caminho para uma nova era de prosperidade e cooperação internacional.

Para aprofundar seu entendimento sobre os impactos deste acordo no cenário geopolítico e econômico, acompanhe as próximas análises e debates de especialistas.

Fonte: https://jovempan.com.br

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