fevereiro 8, 2026

Acidez estomacal: quando falta ou sobra, sintomas e cuidados

Ácido do estômago: quando falta e quando sobra - sintomas, riscos e tratamento

O ácido gástrico, ou ácido clorídrico, é um componente fundamental para a saúde digestiva e geral do organismo. Produzido no estômago, ele desempenha funções cruciais na digestão dos alimentos, na absorção de vitaminas e minerais essenciais e na proteção contra microrganismos nocivos que podem ser ingeridos com a comida. No entanto, quando a produção desse ácido está desequilibrada, o corpo pode enfrentar duas condições distintas e igualmente preocupantes: a hipocloridria, caracterizada pela insuficiência de ácido, e a hiperacidez ou hipercloridria, que se manifesta pelo excesso. Recentemente, a atenção para esses desequilíbrios cresceu significativamente, impulsionada pelo uso frequente de medicamentos que reduzem a acidez, pelo envelhecimento populacional e por novas descobertas que ligam a acidez gástrica alterada à saúde da flora intestinal e à absorção de nutrientes. Compreender essas condições é vital para o bem-estar digestivo.

A complexidade do ácido gástrico: Funções e desequilíbrios

O papel essencial do ácido clorídrico

O estômago, um órgão vital do sistema digestivo, é responsável pela produção do ácido clorídrico (HCl), uma substância de extrema importância para o corpo humano. Secretado por células parietais localizadas na parede gástrica, esse ácido é o principal responsável por diminuir o pH do ambiente estomacal para um nível altamente ácido, geralmente entre 1 e 2. Essa acidez intensa é fundamental para diversas funções. Primeiramente, ela ativa a pepsina, uma enzima crucial que inicia a digestão das proteínas. Em segundo lugar, o ácido gástrico facilita a absorção de nutrientes essenciais como ferro e cálcio. Por fim, e não menos importante, ele atua como uma barreira protetora, eliminando grande parte das bactérias e vírus que entram no organismo através dos alimentos, prevenindo assim infecções e mantendo a integridade do sistema digestivo.

Fatores que impulsionam o debate atual

Nos últimos anos, o debate sobre o equilíbrio do ácido gástrico ganhou destaque na comunidade médica e entre o público. Uma das razões é a popularidade e o uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (IBPs), medicamentos como omeprazol, esomeprazol e pantoprazol, que revolucionaram o tratamento de condições como azia, refluxo e úlceras. Embora sejam eficazes, a utilização por tempo excessivo desses fármacos tem sido associada a efeitos colaterais significativos, incluindo deficiência de vitamina B12, ferro e cálcio, além de um risco aumentado de infecções intestinais. Paralelamente, o envelhecimento da população trouxe à tona a crescente ocorrência de gastrite atrófica, uma inflamação crônica que destrói as células produtoras de ácido, e gastrite autoimune, onde o próprio sistema imunológico ataca o estômago. Ambas as condições resultam na redução da acidez e são preocupantes devido à sua ligação com deficiências nutricionais e um risco maior de câncer gástrico.

O mecanismo de produção do ácido estomacal

A produção de ácido clorídrico pelo estômago é um processo finamente regulado, envolvendo uma complexa interação de fatores neurais e hormonais. O nervo vago, que conecta o cérebro ao estômago, envia estímulos que iniciam a secreção ácida. A gastrina, um hormônio produzido no próprio estômago, também atua como um potente estimulador da produção de ácido. Para intensificar essa ação, a histamina, uma substância liberada por células especializadas do estômago, potencializa o efeito da gastrina. A harmonia entre esses elementos garante que o pH do estômago seja mantido em sua faixa ideal, extremamente ácida, crucial para a eficiência de todas as suas funções digestivas e protetoras.

Hipocloridria: Quando o ácido é insuficiente

Causas e manifestações da baixa acidez

A hipocloridria é uma condição em que o estômago não produz ácido clorídrico em quantidade suficiente, elevando o pH gástrico e tornando o ambiente menos ácido do que o ideal. As causas dessa insuficiência são variadas e incluem a gastrite atrófica, uma inflamação crônica da mucosa estomacal que leva à destruição das células produtoras de ácido. Outra causa comum é a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, que, embora frequentemente associada a úlceras e câncer gástrico, também pode levar à atrofia da mucosa e, consequentemente, à hipocloridria. O uso prolongado e muitas vezes inadequado de medicamentos que reduzem a acidez, como os IBPs, é um fator contribuinte significativo. Além disso, o processo natural de envelhecimento também pode diminuir a capacidade do estômago de produzir ácido. Os sintomas da hipocloridria são muitas vezes vagos e podem ser confundidos com outras condições digestivas, incluindo digestão lenta, sensação de estufamento após as refeições, excesso de gases, azia paradoxal (causada pelo refluxo de alimentos mal digeridos que fermentam no estômago) e irregularidades intestinais como diarreia ou prisão de ventre.

Riscos e complicações da hipocloridria

As consequências da hipocloridria vão muito além do desconforto digestivo imediato. A longo prazo, a baixa acidez estomacal pode levar a uma série de deficiências nutricionais e problemas de saúde graves. Sem ácido suficiente, a absorção de ferro é prejudicada, resultando em anemia ferropriva. A deficiência de vitamina B12, crucial para a saúde neurológica e a formação de glóbulos vermelhos, também é comum, podendo causar sintomas como formigamentos, fraqueza e até perda de memória. A absorção insuficiente de cálcio aumenta o risco de osteoporose. Além das deficiências nutricionais, a barreira protetora contra microrganismos é enfraquecida, facilitando o crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado (SIBO – Small Intestinal Bacterial Overgrowth) e aumentando a suscetibilidade a infecções gastrointestinais. Portanto, o diagnóstico e tratamento precoces da hipocloridria são essenciais para prevenir complicações sérias e manter a saúde geral do indivíduo.

Hiperacidez: O perigo do excesso

Doenças ligadas à produção excessiva de ácido

No extremo oposto da hipocloridria, encontra-se a hiperacidez, uma condição caracterizada pela produção exagerada de ácido clorídrico no estômago. Essa superprodução pode ser um sintoma de doenças digestivas comuns, como o refluxo gastroesofágico grave, onde o excesso de ácido retorna do estômago para o esôfago, causando irritação e danos. Úlceras pépticas, feridas abertas no revestimento do estômago ou do duodeno, também estão frequentemente associadas à hiperacidez, que corrói a mucosa protetora. Além dessas condições mais prevalentes, a hiperacidez pode ser um sinal de distúrbios mais raros, como a síndrome de Zollinger-Ellison. Esta síndrome é causada por um tumor, geralmente localizado no pâncreas ou duodeno, chamado gastrinoma, que secreta gastrina em excesso. A gastrina, como mencionado, é um hormônio que estimula a produção de ácido, levando a níveis de acidez extremamente elevados e persistentes.

Sintomas e impactos da hipercloridria

Os sintomas da hiperacidez são intensos e muitas vezes angustiantes. A sensação de queimação, comumente referida como azia, é um dos sinais mais característicos, acompanhada por dor na “boca do estômago” (epigastralgia). Náuseas e vômitos também são comuns, especialmente após as refeições. Em casos mais graves e prolongados, a hiperacidez pode levar a complicações sérias, como sangramentos digestivos devido à erosão da mucosa e, em situações extremas, perfurações do estômago ou duodeno, que exigem intervenção médica de emergência. Na síndrome de Zollinger-Ellison, o volume massivo de ácido que chega ao intestino delgado pode prejudicar a ação de importantes enzimas digestivas, resultando em diarreia crônica e significativa má absorção de nutrientes, agravando o quadro clínico e impactando severamente a qualidade de vida do paciente.

Diagnóstico e tratamento: Restaurando o equilíbrio

Ferramentas para identificar a disfunção

O diagnóstico preciso das alterações na acidez gástrica é crucial para o sucesso do tratamento. Em situações específicas, a acidez do estômago pode ser medida diretamente através da pHmetria de 24 horas, um exame que monitora os níveis de pH no esôfago e estômago por um dia. Outros testes avaliam a quantidade de ácido produzida tanto em repouso quanto após a estimulação. Para casos de hipocloridria associada à gastrite atrófica, exames de sangue podem ser úteis para medir os níveis de pepsinogênio I, a relação pepsinogênio I/II e a gastrina sérica; alterações nesses marcadores sugerem a destruição das células produtoras de ácido. A confirmação definitiva da gastrite atrófica e a avaliação do grau de atrofia da mucosa gástrica são realizadas por meio de endoscopia digestiva alta com biópsias. No diagnóstico da hiperacidez causada por gastrinoma (síndrome de Zollinger-Ellison), a medição da gastrina sérica em jejum, que estará elevada, combinada com um pH estomacal muito baixo, é indicativa. O teste da secretina pode ser empregado para confirmar o diagnóstico, e exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, são utilizados para localizar o tumor.

Estratégias terapêuticas e mudanças no estilo de vida

O tratamento para os desequilíbrios do ácido gástrico é altamente individualizado e depende da causa e do tipo de alteração. Na hipocloridria, a abordagem principal é tratar a causa subjacente: isso pode incluir a erradicação da bactéria Helicobacter pylori, a suspensão de medicamentos que reduzem a acidez quando não são estritamente necessários e o acompanhamento de casos de gastrite autoimune. A reposição de nutrientes como ferro, vitamina B12 e cálcio é frequentemente indispensável para corrigir as deficiências resultantes da má absorção. Para a hiperacidez, o tratamento baseia-se no uso de medicamentos que reduzem a produção de ácido, como os inibidores da bomba de prótons (IBPs) e os bloqueadores H2, que permitem a cicatrização da mucosa gástrica. Em casos de síndrome de Zollinger-Ellison, doses elevadas desses medicamentos são muitas vezes necessárias, e a cirurgia para remover o tumor é uma opção quando viável. Além das intervenções medicamentosas, mudanças no estilo de vida são cruciais para ambos os extremos: evitar refeições volumosas à noite, reduzir o consumo de alimentos que irritam o estômago (como cafeína, álcool e alimentos muito gordurosos ou picantes), parar de fumar e adotar estratégias para controlar o estresse são recomendações universais que contribuem significativamente para a saúde gástrica.

O equilíbrio é fundamental para a saúde digestiva

Hipocloridria e hiperacidez representam os extremos opostos no espectro da produção de ácido pelo estômago, mas ambas as condições carregam consigo um fardo significativo para a saúde. Enquanto a insuficiência de ácido compromete a digestão e a absorção de nutrientes vitais, aumentando o risco de deficiências como anemia e osteoporose, além de infecções, o excesso provoca sintomas intensos, como queimação e dor, podendo levar a complicações graves, como úlceras e sangramentos internos. O reconhecimento precoce desses desequilíbrios, um diagnóstico preciso e um plano de tratamento personalizado são, portanto, elementos cruciais para mitigar os riscos associados e melhorar substancialmente a qualidade de vida. A atenção à saúde gástrica não é apenas sobre o alívio dos sintomas, mas sobre a manutenção de um sistema digestivo robusto e funcional, essencial para o bem-estar geral.

Se você sente algum dos sintomas mencionados, não hesite em procurar um especialista. O diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença na sua saúde e bem-estar digestivo.

Fonte: https://jovempan.com.br

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