Nos últimos anos, a dor nas costas tem se tornado uma realidade preocupante para uma parcela cada vez mais jovem da população brasileira. O que antes era considerado um problema predominantemente adulto, agora afeta adolescentes e até crianças no fim da infância, demandando atenção especializada e levantando um alerta para a saúde pública. Profissionais de saúde observam um aumento notável na incidência desses quadros, atribuindo o fenômeno a uma complexa interação de fatores relacionados ao estilo de vida contemporâneo. Longos períodos sentados, a exposição excessiva a telas, o sedentarismo e a prática de atividades físicas inadequadas são identificados como elementos-chave que contribuem para a vulnerabilidade da coluna vertebral nessa faixa etária, gerando lesões e desconforto persistente que impactam significativamente a qualidade de vida.
Causas do aumento da dor nas costas em jovens
O crescimento acentuado dos atendimentos relacionados à dor nas costas entre jovens é um fenômeno multifatorial, impulsionado principalmente por dois extremos comportamentais que se disseminaram na sociedade moderna. De um lado, observa-se um contingente crescente de adolescentes e jovens adultos que adotam um estilo de vida predominantemente sedentário, muitas vezes acompanhado de sobrepeso ou obesidade. Esse grupo passa longos períodos em posições sentadas, frequentemente em posturas inadequadas que sobrecarregam a coluna vertebral e enfraquecem a musculatura de suporte. A falta de movimento e o excesso de peso corporal criam um ambiente propício para o surgimento de disfunções e dores.
No outro extremo, encontra-se um grupo de jovens engajados em atividades físicas intensas, como musculação, esportes de alto impacto e treinamentos funcionais como o crossfit, mas sem a orientação e supervisão necessárias. Embora a prática esportiva seja fundamental para a saúde, o excesso de carga, a execução incorreta dos movimentos ou a falta de um plano de treinamento adequado podem resultar em lesões musculares, tendíneas e, principalmente, do disco intervertebral. Ambos os cenários, apesar de opostos em sua natureza, convergem para um aumento expressivo das queixas de dor na coluna lombar e cervical, revelando uma geração mais vulnerável a esses problemas.
O impacto do sedentarismo e do uso excessivo de telas
Entre os fatores de risco mais relevantes para pacientes com até 19 anos, o sedentarismo emerge como um dos principais vilões. A ele somam-se hábitos comuns na rotina contemporânea, como a permanência prolongada na posição sentada, que muitas vezes envolve a hiperflexão da coluna lombar, e o uso contínuo de dispositivos móveis com o pescoço inclinado para baixo. Essa inclinação constante e prolongada da cabeça para observar o celular, por exemplo, pode aumentar drasticamente a carga sobre os discos cervicais, gerando tensões e desgastes.
Da mesma forma, permanecer sentado por longos períodos, especialmente em posturas de hiperflexão lombar , pode elevar a pressão sobre o disco lombar para mais de duas vezes o peso corporal. A privação de sono e noites mal dormidas, a fraqueza muscular generalizada e a obesidade são outros componentes que amplificam significativamente o risco de desenvolvimento de dor nas costas nessa faixa etária. A ausência de atividade física regular é crucial para o agravamento do quadro, pois a musculatura responsável por estabilizar a coluna vertebral torna-se progressivamente mais fraca, comprometendo a sustentação e proteção das estruturas vertebrais.
Prevenção, tratamento e sinais de alerta
Para combater a crescente incidência de dor nas costas em jovens, a prevenção é a estratégia mais eficaz, centrada na adoção de um estilo de vida saudável e consciente. A prática de atividade física regular, que integre exercícios aeróbicos e, fundamentalmente, fortalecimento muscular, é essencial. Uma musculatura estabilizadora forte e equilibrada não só distribui melhor a carga imposta à coluna durante as atividades diárias, como também reduz significativamente o risco de lesões. Ajustes ergonômicos simples no cotidiano também podem fazer uma grande diferença: manter o celular na altura dos olhos, sentar-se com a coluna ereta, utilizar cadeiras que ofereçam apoio lombar adequado e evitar longos períodos sentado ou deitado com o tronco fletido são medidas que contribuem para a saúde da coluna.
Além da prevenção, é fundamental saber identificar os primeiros sinais de alerta que indicam que a dor não é apenas um desconforto passageiro, mas um problema que demanda atenção médica. Dores que persistem por mais de quatro a seis semanas, dores intensas que limitam as atividades cotidianas, irradiação da dor para as pernas acompanhada de formigamento ou fraqueza muscular, alterações urinárias ou intestinais, dor noturna que impede o sono, perda de peso inexplicada e febre associada à dor são sintomas que exigem avaliação imediata de um especialista. A presença de sinais neurológicos agudos, como irradiação severa, perda de força ou disfunções esfincterianas, demanda uma busca rápida por atendimento médico especializado.
Erros comuns e a importância da busca por ajuda
No manejo da dor na coluna, um dos erros mais frequentes observados entre os jovens é a demora ou a negligência em procurar atendimento médico. Muitos subestimam a dor, acreditando que se trata de um desconforto normal ou passageiro, o que pode atrasar o diagnóstico e tratamento corretos, levando ao agravamento do quadro. Identificar a causa subjacente da dor e instituir um plano de tratamento adequado são passos essenciais para evitar complicações a longo prazo. Outro equívoco recorrente é a negligência do fortalecimento muscular; enquanto alguns jovens permanecem completamente sedentários, outros se dedicam apenas a exercícios aeróbicos. Embora importantes para a saúde cardiovascular, os aeróbicos isoladamente são insuficientes para proteger a coluna vertebral de forma eficaz.
É crucial entender que a dor nas costas em jovens, embora muitas vezes de origem muscular ou discal comum, pode, em casos menos frequentes, ser indicativa de condições mais sérias. Entre as possibilidades a serem investigadas, estão doenças inflamatórias como a espondilite anquilosante, infecções da coluna vertebral, hérnias discais graves que causam perda de força ou alterações urinárias e intestinais, alterações estruturais como espondilolistese e escolioses importantes, além de tumores. A presença de sinais neurológicos associados à dor, ou uma dor persistente e incapacitante que não responde a medidas iniciais, são indicativos claros de que uma investigação diagnóstica aprofundada por um especialista é imprescindível.
A importância da conscientização para a saúde da coluna
A saúde da coluna vertebral deveria ser tratada como uma prioridade em diversos níveis da sociedade, dada a sua relevância para a qualidade de vida e o fato de que as doenças da coluna estão entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil e no mundo. Atualmente, apesar de haver informações disponíveis, elas nem sempre chegam ao público jovem de forma clara e acessível, ou não são interpretadas com a seriedade necessária.
A implementação de campanhas educativas abrangentes em escolas, universidades, empresas e nas redes sociais é um caminho promissor para aproximar os conhecimentos especializados do público em geral. Essas iniciativas podem orientar sobre práticas de prevenção, a importância da postura correta, os benefícios do fortalecimento muscular e a necessidade de praticar esportes com acompanhamento profissional adequado. Promover a conscientização desde cedo pode ajudar a formar uma geração mais informada e proativa em relação à saúde da coluna, incentivando a busca por ajuda especializada sempre que a dor persistir.
Não ignore os sinais de alerta da coluna. Em caso de dor persistente ou sintomas preocupantes, busque a avaliação de um especialista para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.
Fonte: https://jovempan.com.br