fevereiro 9, 2026

Trama golpista: prisões mantidas em audiência de custódia

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo

As prisões domiciliares de oito indivíduos envolvidos na trama golpista, cujas ações visavam a desestabilização democrática do país, foram formalmente mantidas neste sábado (27). A decisão foi proferida após audiências de custódia conduzidas por uma juíza auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As sessões, presididas pela juíza Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, tiveram como objetivo primordial cumprir uma exigência legal, assegurando que as medidas restritivas de liberdade fossem devidamente revisadas e confirmadas em conformidade com o devido processo legal. Este procedimento sublinha a seriedade com que o Judiciário brasileiro tem tratado os desdobramentos dos atos antidemocráticos, reforçando a vigilância sobre os réus e a necessidade de prevenir quaisquer tentativas de evasão da justiça. A manutenção das prisões ocorre em um cenário de crescentes preocupações com a fuga de condenados.

Manutenção das medidas e os alvos
A manutenção das prisões domiciliares para os oito indivíduos sinaliza a continuidade e o rigor das investigações em curso relacionadas às tentativas de subverter a ordem democrática brasileira. A decisão, tomada após as audiências de custódia, reforça a postura do Supremo Tribunal Federal (STF) em assegurar que os acusados e condenados por atos contra o Estado de Direito respondam por suas ações. As audiências de custódia, embora formais, são etapas cruciais para a garantia dos direitos individuais, permitindo que a legalidade da prisão seja reavaliada por um juiz após a detenção, mesmo que seja uma prisão domiciliar. Neste caso, a condução pela juíza Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, atuando como auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, assegurou que todos os procedimentos fossem seguidos à risca.

A decisão judicial e a formalidade
A condução das audiências pela juíza auxiliar Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, em nome do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, ressalta a importância do rito legal mesmo em casos de alta complexidade e repercussão. A audiência de custódia é um instrumento jurídico que visa apresentar o custodiado a uma autoridade judicial em até 24 horas após a prisão, para que esta avalie a legalidade e a necessidade da medida. No contexto das prisões domiciliares, essa formalidade é igualmente essencial para garantir que a privação de liberdade, mesmo que em ambiente residencial, esteja em conformidade com a lei, prevenindo abusos e garantindo os direitos do indivíduo. A manutenção das medidas, após essa avaliação, indica que os requisitos para a prisão domiciliar continuam válidos e foram ratificados pelo Poder Judiciário, confirmando a necessidade de sua continuidade.

Quem são os condenados e as medidas
A lista de alvos iniciais, com dez ordens de prisão domiciliar decretadas pelo ministro Alexandre de Moraes, é composta por um perfil diversificado de indivíduos. Entre eles, destacam-se sete militares do Exército, que tiveram seu envolvimento na trama golpista detalhado pelas investigações. A presença de militares nesta lista aponta para a gravidade e a abrangência das tentativas de subversão. Além dos militares, uma delegada da Polícia Federal também figura entre os condenados, ressaltando a capilaridade da suposta organização criminosa em diversas esferas do poder público. Outros nomes relevantes são Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, e Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro. As medidas foram impostas com o objetivo de conter a ação de indivíduos que, segundo o STF, agiram para desestabilizar as instituições democráticas, especialmente no período pós-eleitoral de 2022, culminando nos atos de 8 de janeiro. A gravidade dos delitos imputados a esses indivíduos justifica a severidade das medidas cautelares adotadas, visando proteger a ordem jurídica e o Estado Democrático de Direito.

Preocupação com fugas e o posicionamento do STF
A decisão de manter as prisões domiciliares não se baseia apenas na formalidade legal, mas também na expressa preocupação do Supremo Tribunal Federal com o risco de fuga dos condenados. O ministro Alexandre de Moraes tem reiteradamente manifestado que há uma estratégia coordenada entre os envolvidos para tentar evadir-se do país, buscando escapar das consequências jurídicas de seus atos. Essa percepção tem sido um fator determinante para a adoção de medidas cautelares mais rigorosas, incluindo a prisão, seja ela domiciliar ou em regime fechado. A experiência recente com outros réus envolvidos em atos antidemocráticos reforça a tese do STF sobre a alta probabilidade de evasão, o que justifica a firmeza do judiciário em tais casos e a necessidade de prevenção ativa contra essas tentativas.

Casos de não cumprimento e foragidos
A tese de risco de fuga ganhou contornos dramáticos com o não cumprimento de algumas das ordens de prisão. Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, não foi localizado pela Polícia Federal e é atualmente considerado foragido. Seu desaparecimento adiciona uma camada de complexidade ao caso e corrobora a preocupação das autoridades com a evasão de réus, indicando uma possível resistência à justiça. O Instituto Voto Legal é investigado por sua possível participação na disseminação de desinformação e questionamentos infundados sobre o sistema eleitoral brasileiro, elementos cruciais para a narrativa golpista que visava minar a confiança nas instituições. Outro caso notável é o do tenente-coronel do Exército Guilherme Marques de Almeida, cujo mandado de prisão domiciliar também não foi cumprido inicialmente. Embora ele tenha viajado para a Bahia, comprometeu-se a retornar a Goiânia para iniciar o cumprimento da medida, um ato que, embora tardio, pode atenuar a percepção de evasão. Esses episódios evidenciam os desafios enfrentados pelas autoridades na execução das decisões judiciais e reforçam a necessidade de vigilância constante e de mecanismos eficazes para garantir a aplicação da lei.

A estratégia de fuga e a postura de Moraes
No entendimento do ministro Alexandre de Moraes, a reiteração de tentativas de fuga não é um mero acaso, mas sim parte de uma estratégia bem delineada por aqueles que foram condenados pelos atos golpistas. A intenção seria escapar do país para evitar a responsabilização judicial. Moraes citou diversos exemplos de evasão de réus em ações penais relacionadas aos eventos de 8 de janeiro. Entre os casos mencionados, destaca-se a situação do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, que foi detido no Paraguai após tentar embarcar para El Salvador utilizando um passaporte falso, um claro indicativo de tentativa de fuga internacional. Outro exemplo contundente é o do ex-deputado Alexandre Ramagem, cuja fuga, segundo Moraes, foi executada com auxílio de terceiros, sugerindo uma rede de apoio estruturada. O ministro foi categórico ao afirmar que “o modus operandi da organização criminosa condenada pelo Supremo Tribunal Federal indica a possibilidade de planejamento e execução de fugas para fora do território nacional, como feito pelo réu Alexandre Ramagem, inclusive com a ajuda de terceiros”. Essa declaração sublinha a percepção do STF de que há uma rede de apoio e um planejamento sistemático por trás das tentativas de evasão, o que impõe a necessidade de uma resposta judicial igualmente firme e coordenada para garantir a aplicação da lei e a integridade do processo judicial, blindando a justiça contra manobras de desobediência.

Conclusão
A manutenção das prisões domiciliares para os envolvidos na trama golpista representa um passo significativo na longa jornada de responsabilização pelos atos antidemocráticos no Brasil. As audiências de custódia, embora formais, serviram para revalidar a legalidade das medidas, enquanto a preocupação do STF com a evasão de réus justifica a firmeza das decisões. Casos de foragidos e tentativas de fuga anteriores reforçam a convicção do ministro Alexandre de Moraes de que existe um plano organizado para subverter a justiça, o que demanda uma resposta enérgica do Estado. O Judiciário, ao reiterar sua postura rigorosa, sinaliza a inabalável defesa das instituições democráticas e o compromisso em garantir que todos os que atentaram contra o Estado de Direito sejam devidamente processados e punidos. A complexidade do cenário exige vigilância contínua e a aplicação intransigente da lei, para que a estabilidade democrática seja preservada.

Para acompanhar a fundo as próximas etapas das investigações e decisões judiciais relativas à trama golpista, siga nosso portal de notícias e mantenha-se atualizado

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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