fevereiro 9, 2026

Toffoli determina quebra de sigilo de depoimentos sobre crise do Banco Master

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra de sigilo dos depoimentos de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). A decisão, emitida em despacho recente, visa aprofundar as investigações sobre as alegadas fraudes envolvendo o Banco Master, instituição que atravessou um período turbulento culminando em sua liquidação extrajudicial. A medida atende a um pedido do Banco Central (BACEN), que busca acesso irrestrito às informações prestadas por seus diretores e demais envolvidos. Este desenvolvimento é crucial para o inquérito, prometendo lançar nova luz sobre os eventos que levaram à crise de liquidez e às subsequentes ações regulatórias, expondo detalhes sobre as operações financeiras e as interações entre os diversos atores do sistema bancário. A revelação desses depoimentos pode redefinir o curso das investigações e a compreensão pública dos fatos.

A decisão do Supremo Tribunal Federal

Abertura dos depoimentos-chave

A autorização concedida pelo ministro Dias Toffoli para o levantamento do sigilo dos depoimentos de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa representa um marco significativo na apuração das supostas fraudes no Banco Master. O despacho, publicado em 29 de dezembro, respondeu a uma solicitação formal do Banco Central (BACEN), que manifestou a necessidade de acesso aos relatos para dar continuidade às suas próprias análises e procedimentos de fiscalização. A medida abrange as peças constantes da Petição correlata ao inquérito, garantindo que as informações fornecidas pelos envolvidos se tornem públicas e acessíveis às partes interessadas no processo.

A quebra de sigilo é particularmente relevante porque permite um exame mais transparente das defesas e explicações apresentadas pelos executivos. Daniel Vorcaro, em seu depoimento à Polícia Federal e em oitiva anterior, detalhou a dinâmica de negócios do Banco Master, enquanto Paulo Henrique Costa, ex-dirigente do BRB, é peça-chave nas investigações sobre as negociações de venda de carteiras de crédito entre as duas instituições. A divulgação desses testemunhos pode fornecer elementos essenciais para entender as origens da crise de liquidez que atingiu o Master e as complexas interações entre os bancos e os órgãos reguladores.

O depoimento de Daniel Vorcaro e a defesa do Banco Master

A visão do dono do banco sobre a crise de liquidez

Em sua oitiva realizada em 30 de dezembro, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou sua versão dos fatos à Polícia Federal, negando qualquer irregularidade fundamental no modelo de negócios da instituição. Segundo ele, o Banco Master operava com um modelo “totalmente baseado” no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Vorcaro afirmou que a crise de liquidez enfrentada por sua entidade foi precipitada por “mudanças de regras no seguro de proteção ao investidor”. A crise de liquidez ocorre quando uma empresa se vê impossibilitada de honrar seus compromissos financeiros imediatos por falta de dinheiro em caixa.

O banqueiro enfatizou que o Banco Master “sempre honrou todos seus compromissos até 17 de novembro”, um dia antes de o Banco Central determinar a liquidação extrajudicial da instituição. Ele reiterou que o modelo de negócios do Master “não tinha nada de errado”, mas que, com o crescimento, as regras do jogo teriam mudado, forçando a busca por “outros meios de captação”. Vorcaro também relatou seus esforços para mitigar a crise, buscando soluções junto ao Banco Central, reunindo-se com investidores estrangeiros e explorando “negócios com concorrentes”. Em relação ao processo de venda ao BRB, ele declarou que a instituição “foi se adequando a todos os pedidos, acreditando que o acordo daria certo”, indicando uma tentativa de reestruturação que acabou não se concretizando.

As controvérsias envolvendo o BRB e o Banco Central

Suspeitas de interferência e a negociação com o Banco Master

Paralelamente à defesa de Daniel Vorcaro, surgiram graves alegações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e um diretor do Banco Central. Informações divulgadas anteriormente apontaram que Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), teria solicitado a Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, que adquirisse carteiras de crédito supostamente fraudadas do Banco Master. Essa alegação, embora negada pela instituição financeira, gerou um intenso debate sobre a conduta dos reguladores e as pressões em negociações entre bancos.

Mensagens trocadas entre Aquino e Costa teriam sido apresentadas em ao menos uma reunião do conselho do BRB. Em 25 de março do ano passado, em meio a essas discussões, o conselho do BRB aprovou uma oferta de compra de 58% das ações do Master por R$ 2 bilhões. Meses depois, a proposta foi reduzida para 22%, mas, ainda assim, o próprio Banco Central vetou a operação. Em novembro, Daniel Vorcaro e outros seis executivos do Banco Master foram presos pela Polícia Federal.

Ainda sobre as mensagens, relatos indicam que, em uma reunião para resolver divergências entre conselheiros do BRB, o diretor do BC teria pedido a um dos conselheiros que comprasse mais de R$ 300 milhões em créditos do Master. O conselho, então, decidiu pela compra de R$ 270 milhões em créditos, “após pedido do regulador”. A ata dessa reunião, contudo, não faz menção explícita às mensagens.

Após as revelações, o Banco Central se pronunciou, declarando que o diretor Ailton de Aquino “jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas” ao presidente do BRB. A autoridade monetária afirmou que a área de Supervisão, sob a liderança de Aquino, foi, na verdade, responsável pela “identificação de inconsistências” na venda das carteiras de crédito consignado que seriam fraudulentas do Banco Master, sugerindo que o papel do diretor era de fiscalização, e não de incentivo a operações irregulares.

O contexto da liquidação e o impacto no sistema financeiro

A escalada da crise e suas ramificações

A liquidação do Banco Master e de outras instituições associadas, como a gestora de investimentos Reag (liquidada em 15 de janeiro), expôs um dos episódios mais graves e complexos do sistema financeiro brasileiro. A série de liquidações extrajudiciais começou em novembro, quando o Banco Central identificou indícios de irregularidades financeiras e uma severa crise de liquidez. Foram atingidos o Banco Master S/A, o Banco Master de Investimentos S/A, o Banco Letsbank S/A e a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. Mais recentemente, em 21 de fevereiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve seu encerramento forçado.

As investigações apontam que o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com rentabilidade significativamente acima da média de mercado. Para sustentar essa prática e atrair investidores, a instituição teria assumido riscos excessivos e estruturado operações que inflavam artificialmente seu balanço financeiro, enquanto sua liquidez se deteriorava rapidamente. Esse modus operandi é central para as acusações de fraude que permeiam o inquérito.

A dimensão desses casos vai além das meras irregularidades financeiras, gerando tensões e desafios para diversos órgãos públicos. O imbróglio envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central e a Polícia Federal, que atuam em diferentes frentes para desvendar as responsabilidades e mitigar os impactos. A gravidade da situação foi ainda mais evidenciada com o início do processo de ressarcimento aos credores pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), iniciado em 17 de fevereiro. O valor total das garantias a serem pagas aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank soma impressionantes R$ 40,6 bilhões, sublinhando a magnitude das perdas e a necessidade de proteção aos investidores afetados.

Desenvolvimentos futuros no inquérito

Perspectivas para as investigações e o mercado

A decisão do ministro Dias Toffoli de quebrar o sigilo dos depoimentos de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa promete intensificar significativamente as investigações sobre as alegadas fraudes no Banco Master. A transparência gerada por essa medida permitirá que as autoridades e o público examinem em detalhes as versões apresentadas pelos principais envolvidos, confrontando-as com as evidências coletadas até o momento. Este avanço é crucial para desvendar as complexas teias de operações financeiras e as supostas irregularidades que culminaram na liquidação de diversas instituições.

Os próximos passos das investigações provavelmente incluirão uma análise aprofundada dos depoimentos revelados, buscando conexões e desdobramentos que possam apontar para novas provas ou para a responsabilização de outros agentes. A interação entre o STF, o Banco Central e a Polícia Federal continuará sendo um ponto de atenção, dada a complexidade institucional do caso. Para o mercado financeiro, a resolução deste inquérito é vital para reforçar a confiança e a integridade das instituições, além de servir como um alerta sobre os riscos de práticas irregulares. A expectativa é que as revelações ajudem a consolidar uma compreensão completa dos fatos e a evitar a repetição de episódios semelhantes no futuro.

Mantenha-se informado sobre os próximos capítulos desta complexa investigação que abala o setor financeiro brasileiro.

Fonte: https://jovempan.com.br

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