julho 28, 2026

São Paulo ‘apaga’ em seis minutos e sofre virada no Campeonato Brasileiro

Murilo Alves Gomes

O São Paulo protagonizou uma dolorosa derrota por 2 a 1 para o Athletico-PR, nesta quarta-feira, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. O revés ocorreu no Estádio Cícero de Souza Marques e chocou torcedores, especialmente pela forma como se desenrolou. Após um primeiro tempo de absoluto controle e superioridade tática, a equipe tricolor viu-se à frente no placar, com todos os indícios de uma vitória que selaria um retorno positivo à competição nacional. No entanto, bastaram apenas seis minutos no início da segunda etapa para que o cenário promissor desmoronasse, transformando uma atuação convincente em mais um tropeço amargo. O técnico Dorival Júnior, visivelmente frustrado, descreveu o ocorrido como um “apagão” da equipe.

Domínio no primeiro tempo e a ilusão da recuperação

Superioridade tática e o gol de abertura

A expectativa em relação ao retorno do São Paulo após a pausa para a Copa do Mundo era grande, e os primeiros 45 minutos do confronto contra o Athletico-PR apresentaram uma resposta positiva. A equipe de Dorival Júnior exibiu um futebol de alta qualidade, dominando a posse de bola e demonstrando uma circulação eficiente, que dificultava a marcação adversária e abria espaços. A ocupação dos setores era exemplar, e o Athletico-PR encontrava imensa dificuldade para sequer ameaçar a meta defendida por Rafael.

No coração do meio-campo, Marcos Antônio se destacava ao ditar o ritmo das jogadas, distribuindo a bola com precisão e inteligência. Pablo Maia, por sua vez, complementava o trabalho, aparecendo com consistência na construção das oportunidades ofensivas. A sintonia entre os setores era notável, e o ápice dessa performance veio com um belo gol de falta anotado por Artur, que confirmava a superioridade são-paulina no placar.

Mesmo com a saída precoce de Rafael Tolói devido a uma lesão, o time manteve a organização e a coesão defensiva, sem permitir que a alteração desestabilizasse o esquema tático. A sensação ao término da primeira etapa era de que o placar de 1 a 0 era justo e, inclusive, poderia ter sido mais elástico, refletindo o desempenho dominante do Tricolor. A saída de bola funcionava com fluidez, a pressão pós-perda era aplicada em diversos momentos, e o Athletico-PR se via completamente encurralado, com pouquíssimas chances de reação, assimilando as ideias trabalhadas durante a intertemporada.

O fatídico “apagão” de seis minutos

A virada relâmpago do Athletico-PR

O otimismo gerado pela atuação no primeiro tempo evaporou em questão de segundos com o reinício da partida. A volta do intervalo marcou uma completa inversão de papéis. Antes mesmo que o relógio marcasse o primeiro minuto da segunda etapa, o Athletico-PR já dava sinais de sua reação: Leozinho acertou a trave em um lance perigoso, e, na sequência imediata da jogada, aproveitou a desorganização defensiva para empatar o jogo.

O baque inicial, contudo, não foi suficiente para despertar o São Paulo. Apenas cinco minutos após o gol de empate, o mesmo Leozinho apareceu novamente, com liberdade dentro da área tricolor, para marcar o segundo gol e decretar a virada do Athletico-PR. Foram meros seis minutos de total desatenção e desorganização, suficientes para apagar praticamente tudo o que o São Paulo havia construído e apresentado durante os 45 minutos iniciais.

A queda de rendimento não se limitou a um aspecto isolado do jogo. Houve uma notável desorganização defensiva, uma alarmante falta de concentração por parte dos jogadores e uma dificuldade gritante para reagir imediatamente ao primeiro golpe sofrido. O Athletico-PR, que até então havia produzido muito pouco e se mostrava inofensivo, soube capitalizar cada espaço concedido e cada lapso de atenção do adversário, mudando completamente o roteiro da partida e selando uma virada surpreendente e custosa para o São Paulo.

O desafio além da tática e a pressão crescente

Consistência: o calcanhar de aquiles tricolor

Nas semanas iniciais do trabalho de Dorival Júnior, a maior parte da discussão sobre o desempenho do São Paulo girava em torno do modelo de jogo e das adaptações táticas. No entanto, a recente sequência de resultados, especialmente a derrota para o Athletico-PR, sugere que o principal obstáculo agora reside em outro campo: a capacidade de sustentar o nível de atuação por toda a partida. O São Paulo tem demonstrado que consegue competir em alto nível, controlar a posse de bola e criar oportunidades, como visto em momentos de jogos contra Botafogo e o próprio Athletico-PR, evidenciando uma evolução coletiva.

Apesar dos bons períodos e da melhora tática, a equipe não tem conseguido transformar essa superioridade em vitórias consistentes. Contra o Botafogo, erros individuais pontuais foram decisivos para o resultado negativo. Diante do Athletico-PR, um “apagão” de apenas seis minutos custou três pontos cruciais. A fala de Dorival Júnior, que classificou o ocorrido como “inexplicável” e afirmou que a equipe participou “ativamente” dos gols sofridos, revela a perplexidade diante da falta de consistência. A maior dificuldade do treinador, atualmente, parece ser justamente fazer com que a equipe consiga transformar boas atuações em resultados concretos.

Cenário para a sequência do Campeonato Brasileiro

Após sofrer a virada, o São Paulo tentou uma reação. A equipe voltou a competir e criou chances para buscar o empate, com Luciano obrigando o goleiro Santos a fazer uma grande defesa. Dorival Júnior tentou aumentar o poder ofensivo com as entradas de Ferreira e André Silva, buscando um novo fôlego para o ataque. Contudo, a boa organização defensiva do Athletico-PR, que se fechou após a virada, impediu que a reação tricolor se concretizasse.

No fim, o desempenho positivo do primeiro tempo foi ofuscado pelo resultado final. A derrota mantém o São Paulo em uma situação delicada no Campeonato Brasileiro. A equipe chega à 19ª rodada mais distante do G6, o grupo de classificação para a próxima edição da Copa Libertadores, e amplia sua sequência sem vitórias para seis jogos – com quatro derrotas e dois empates no período. Com 25 pontos, o Tricolor caiu para a nona colocação na tabela. A pressão agora é imensa para o próximo compromisso, que será contra o Flamengo, no Maracanã, no domingo, às 18h30. Embora a evolução sob o comando de Dorival exista e possa ser percebida em diversos momentos, enquanto a equipe alternar bons períodos com lapsos de concentração como os vistos contra o Athletico-PR, qualquer melhora coletiva será insuficiente para interromper a má fase.

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Fonte: https://www.gazetaesportiva.com

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