julho 29, 2026

Santos avança na sul-americana, mas fragilidades alertam sobre equilíbrio

Murilo Alves Gomes

O Santos FC garantiu sua vaga nas oitavas de final da Copa Sul-Americana ao derrotar a Universidad Central de Venezuela (UCV) por 4 a 2, na Vila Belmiro, selando um placar agregado de 8 a 3. A classificação, embora incontestável, veio acompanhada de um desempenho que ligou um sinal de alerta sobre a necessidade de maior equilíbrio na equipe. A superioridade técnica do Peixe foi evidente e suficiente para assegurar o avanço no torneio continental, contudo, a partida contra um adversário considerado inferior revelou lacunas preocupantes na concentração e na organização tática. Essa dualidade entre o resultado positivo e a performance instável levanta questionamentos sobre a consistência do time para os desafios futuros da temporada.

Primeiro tempo expõe desorganização e falhas individuais

Início turbulento e posse improdutiva

A expectativa para o confronto de volta, após uma vantagem confortável construída na Venezuela, era de um jogo sob controle do Santos. No entanto, o que se viu nos primeiros 45 minutos foi uma equipe que entrou em campo visivelmente desconcentrada, pagando um preço alto logo na primeira jogada. O zagueiro Adonis Frías cometeu uma falha crucial, permitindo que Samuel Sosa abrisse o placar para a UCV antes mesmo do primeiro minuto de partida. Este gol inesperado alterou drasticamente o roteiro planejado, forçando o Peixe a atuar sob uma pressão desnecessária contra um oponente tecnicamente inferior, mas que soube aproveitar o momento de instabilidade.

A problemática, entretanto, não se limitou ao erro individual de Frías. O Santos demonstrou uma notável dificuldade em se reorganizar após o revés inicial. Houve uma tendência a acelerar jogadas de forma desnecessária, e a equipe confundiu posse de bola com controle efetivo do jogo. Embora o time mantivesse a posse por longos períodos e rondasse a área adversária, encontrava sérias dificuldades para transformar esse domínio territorial em chances de gol realmente perigosas. A criação de jogadas ficava muitas vezes restrita a lampejos individuais. Barreal, pela esquerda, era um dos poucos a conseguir desequilibrar a defesa venezuelana, enquanto Miguelito buscava dar mobilidade ao ataque e Gabigol participava ativamente da construção. No entanto, o conjunto parecia ansioso, e a falta de coesão impedia que a superioridade técnica se traduzisse em superioridade tática. O empate boliviano, que veio na reta final do primeiro tempo, foi fundamental para aliviar a tensão e impedir que a expressiva vantagem do jogo de ida começasse a ser questionada, mas a performance geral da equipe santista ainda estava muito aquém do esperado para um time com aspirações maiores no cenário continental.

Reorganização tática e virada no placar

Impacto das substituições e mudança de postura

A mudança de postura do Santos se tornou evidente após o intervalo. As intervenções do técnico Cuca, com as entradas de jogadores como Neymar, Gabriel Bontempo e Lucas Veríssimo, injetaram um novo ritmo e qualidade ao time, mas a melhora foi, acima de tudo, coletiva. A equipe santista passou a circular a bola com muito mais rapidez e inteligência, ocupando melhor os espaços entre as linhas da UCV e atacando com maior aproximação entre os setores. O time deixou de insistir excessivamente em jogadas individuais isoladas e, finalmente, encontrou alternativas mais eficazes para envolver a defesa venezuelana. Não por acaso, a virada no placar aconteceu de forma natural, com gols de Miguelito, Gabigol, Gabriel Menino e Rony, e o adversário passou a ter dificuldades visíveis para acompanhar a intensidade e a organização tática santista.

O segundo tempo também revelou um Santos mais agressivo na recuperação da posse de bola, demonstrando maior empenho defensivo e uma capacidade aprimorada de sustentar a pressão ofensiva sobre o oponente. Jogadores que já vinham se destacando individualmente, como Barreal, cresceram ainda mais na partida, enquanto Gabigol se mostrou mais participativo dentro da área, aumentando sua influência no terço final do campo. Gabriel Menino, por sua vez, apareceu com destaque para completar a jogada que resultou no terceiro gol do Peixe, consolidando a virada. Finalmente, a equipe conseguiu traduzir sua inquestionável superioridade técnica em um domínio absoluto do jogo, algo que havia falhado em alcançar nos 45 minutos iniciais. A capacidade de reação do Santos foi louvável, evidenciando que o elenco possui qualidade para reverter situações adversas. Contudo, essa virada de chave no segundo tempo apenas reforçou a percepção de que o time precisa encontrar uma regularidade de desempenho desde o apito inicial, especialmente em competições de alto nível onde a margem para erros é significativamente menor.

Classificação com lições para a sequência

Mesmo com a vitória e a classificação confirmada, o Santos não conseguiu apagar completamente os problemas defensivos que voltaram a se manifestar. Quando a partida parecia totalmente controlada, a equipe novamente relaxou e sofreu outro gol em uma bola parada, desta vez de Gonzalo Mottes. Este lance reforçou uma sensação recorrente na temporada: o time ainda oscila demais durante os jogos e concede oportunidades que poderiam ser facilmente evitadas com maior concentração e disciplina tática. Contra a UCV, essas falhas não comprometeram o resultado final, dado o placar agregado elástico. Entretanto, contra adversários de maior calibre nas próximas fases da Copa Sul-Americana e em outras competições, como a Copa do Brasil, esses lapsos podem fazer toda a diferença e custar caro. O principal aprendizado da noite é que o Santos possui um inegável potencial ofensivo e capacidade de reação, mas precisa urgentemente encontrar um equilíbrio emocional e tático para administrar momentos favoráveis e reduzir a ocorrência de erros. O placar de 4 a 2 foi justo pelo volume ofensivo, mas a fragilidade defensiva ainda é uma área a ser aprimorada por Cuca para que a qualidade ofensiva do time se transforme em atuações consistentemente convincentes.

O saldo, naturalmente, é positivo com a classificação para as oitavas de final da Copa Sul-Americana, onde o Santos enfrentará o Macará, do Equador. Antes disso, a equipe volta as atenções para a Copa do Brasil, recebendo o Remo na Vila Belmiro. A principal missão do técnico Cuca é, sem dúvida, encontrar o equilíbrio entre a força ofensiva e a solidez defensiva, um desafio essencial para a busca por títulos na temporada.

Não perca os próximos desafios do Santos na Copa Sul-Americana e na Copa do Brasil. Acompanhe a evolução do time e as análises detalhadas de cada partida!

Fonte: https://www.gazetaesportiva.com

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