agosto 25, 2026

Santos avança na Sul-Americana com defesa firme e ataque contido

Murilo Alves Gomes

O Santos garantiu sua classificação para as quartas de final da Copa Sul-Americana ao empatar sem gols com o Macará, nesta quinta-feira, no Estádio Bellavista, em Ambato, no Equador. Mesmo com uma equipe significativamente modificada e sem um brilho ofensivo, o Peixe cumpriu seu objetivo, apoiado por uma atuação defensiva sólida que neutralizou os esforços do adversário equatoriano. A estratégia do técnico Cuca priorizou a segurança, utilizando jogadores em posições diferentes e focando na manutenção da vantagem construída na Vila Belmiro. O sistema defensivo, com destaque para Gabriel Brazão e a dupla de zaga, foi o pilar da classificação do Santos, enquanto o setor ofensivo teve pouca criatividade, enfrentando desafios para ameaçar o gol adversário e criar oportunidades claras de gol.

A solidez defensiva e o goleiro salvador

A defesa do Santos emergiu como o ponto mais positivo da equipe na decisiva partida que garantiu a vaga nas quartas de final da Copa Sul-Americana. Mesmo com uma formação inicial que não é usualmente empregada e com a necessidade de realizar alterações táticas ao longo do confronto, o setor defensivo do Alvinegro Praiano conseguiu limitar de forma eficaz as chances do Macará, mantendo as redes santistas intactas por mais um jogo. Essa consistência foi fundamental para assegurar a classificação do Santos.

Gabriel Brazão, o paredão do peixe

O grande destaque individual da defesa santista foi, sem dúvida, o goleiro Gabriel Brazão. O camisa 77 demonstrou reflexos apurados e posicionamento impecável em momentos cruciais do jogo. Logo aos 11 minutos do primeiro tempo, Brazão foi acionado para fazer uma defesa espetacular após um ataque perigoso do Macará. Campana apareceu livre de marcação dentro da área após uma cobrança de falta, finalizando de perto, mas o goleiro do Santos se agigantou e impediu o gol com uma intervenção de alto nível. Na etapa final, aos 13 minutos, Brazão voltou a ser testado e trabalhou com segurança, defendendo um chute rasteiro de Franco Posse. Essas duas intervenções foram as mais significativas e providenciais do arqueiro, que garantiu a segurança da meta santista.

Zaga e laterais: improvisação e segurança

A linha defensiva também se mostrou bastante coesa, apesar das mudanças. Willian Arão, que tem se consolidado como zagueiro, manteve o bom momento. Sua atuação foi marcada pela segurança, especialmente na disputa das bolas aéreas, onde foi fundamental para neutralizar os cruzamentos constantes do Macará. Arão ainda se aventurou no ataque no segundo tempo, cabeceando para fora após uma cobrança de escanteio, mostrando sua versatilidade. Luan Peres, por sua vez, começou o jogo improvisado na lateral esquerda e entregou uma performance segura e consistente, sem comprometer a retaguarda. No intervalo, com as alterações promovidas pelo técnico Cuca, Luan Peres retornou à sua posição de origem na zaga, formando uma dupla eficiente com Arão e mantendo a solidez defensiva da equipe. Pelo lado direito, Davizinho sentiu os efeitos da altitude de Ambato e precisou ser substituído no intervalo. Rafael Gonzaga entrou em seu lugar e conseguiu dar conta do recado, mantendo a estabilidade do setor e contribuindo para que o Santos não sofresse gols.

Meio-campo de contenção e transição

A estratégia do técnico Cuca para o meio-campo foi clara: priorizar a proteção da defesa e minimizar os espaços para o Macará. Com essa mentalidade, a equipe santista buscou a consistência no setor central, visando anular as jogadas adversárias e controlar o ritmo do jogo.

Prioridade na proteção e contenção

A dupla de volantes, composta por João Schmidt e Christian Oliva, teve um papel crucial nesse esquema tático. Ambos foram incumbidos de tarefas essencialmente defensivas, trabalhando intensamente na marcação e na recuperação da posse de bola. Apesar de o Santos ter enfrentado dificuldades para construir jogadas pelo chão, a preocupação central era garantir que o Macará tivesse poucas oportunidades de infiltrar na área. Oliva, em particular, conseguiu dar alguns flashes de criatividade durante o primeiro tempo. Aos 20 minutos, ele fez uma boa jogada individual e tentou acionar Rony em uma condição promissora para finalizar, mas o passe saiu com muita força e foi interceptado pelo goleiro Rodrigo Rodríguez. Gustavo Henrique, outro jogador do meio-campo, demonstrou muita entrega e intensidade na marcação, mas sua atuação foi condicionada por um cartão amarelo recebido logo aos 11 minutos. Essa advertência precoce o obrigou a atuar com maior cautela pelo restante do confronto, limitando sua agressividade na marcação. Com as mudanças promovidas por Cuca, o jovem Gustavo Henrique também teve que se adaptar a outras funções ao longo da partida, mostrando flexibilidade tática.

Dificuldades na construção e ajustes táticos

Apesar do esforço defensivo, a construção de jogadas ofensivas a partir do meio-campo foi um desafio para o Santos. A equipe encontrou pouca fluidez e dificuldade em progredir com a bola dominada. Na tentativa de melhorar a transição e a qualidade na armação, o técnico Cuca promoveu a entrada de Rollheiser no intervalo. O argentino, conhecido por sua capacidade de articular jogadas, conseguiu participar mais da construção no segundo tempo. No entanto, mesmo com sua presença, Rollheiser encontrou pouco espaço para desenvolver seu jogo. Isso se deu principalmente porque, naquele momento da partida, o Santos estava ainda mais focado em administrar a vantagem no placar agregado e manter o zero no placar, o que resultava em uma postura mais recuada e menos propositiva.

Ataque com pouca produção ofensiva

O setor ofensivo do Santos enfrentou consideráveis dificuldades para ameaçar o gol do Macará. Atuando sem peças cruciais como Neymar, Gabigol e Barreal, que foram preservados da viagem ao Equador, a equipe demonstrou uma clara deficiência na criação de jogadas de perigo e na finalização, o que se refletiu no placar sem gols.

Esforço tático e ausência de criatividade

Os atacantes Rony, Caballero e Thaciano se desdobraram em campo, principalmente no trabalho sem a bola. Sua atuação foi marcada por uma intensa dedicação tática, auxiliando na marcação e na pressão sobre a saída de bola adversária. No entanto, a produção ofensiva perto da área rival foi escassa. Thaciano, atuando como referência, foi importante para as ligações diretas, um recurso frequentemente utilizado pelo Santos para escapar da pressão imposta pelo Macará e tentar avançar rapidamente ao ataque. Caballero também contribuiu na retenção da bola, utilizando seu corpo para segurar a posse e sofrer uma falta perigosa na entrada da área ainda no primeiro tempo. Contudo, sua presença nas finalizações foi mínima. Rony, com sua velocidade, tentou explorar os espaços deixados pela defesa do Macará, especialmente durante a segunda etapa, mas não conseguiu transformar suas arrancadas em chances claras de gol.

Substituições e a busca por um gol

A falta de criatividade no ataque persistiu, e o técnico Cuca buscou alternativas no banco de reservas para tentar modificar o cenário, embora o foco principal fosse a manutenção do resultado. Já nos minutos finais da partida, o cenário para o ataque se complicou ainda mais. Aos 45 minutos do segundo tempo, Rony recebeu um cartão amarelo. Por estar pendurado, essa advertência o tornou desfalque certo para o jogo de ida das quartas de final, contra o Atlético-MG, um contratempo para a equipe. Nos acréscimos, em um momento de emoção, Pedro Assis entrou em campo para fazer sua estreia como profissional. O jovem teve a oportunidade de transformar uma noite especial em inesquecível: após uma disputa de bola com Rony, a bola sobrou para Pedro Assis, que finalizou. No entanto, o chute saiu para fora, e o gol que poderia marcar sua estreia de forma memorável não veio, encerrando as chances ofensivas do Santos.

A classificação do Santos para as quartas de final da Copa Sul-Americana, selada com um empate sem gols contra o Macará, demonstra uma vitória da estratégia sobre o espetáculo. A equipe, atuando com modificações e enfrentando a altitude, priorizou a segurança defensiva, que se mostrou o pilar fundamental para o avanço na competição. A atuação impecável de Gabriel Brazão e a solidez do sistema defensivo, mesmo com improvisações, foram decisivas para manter o zero no placar. Por outro lado, o ataque, desfalcado e com pouca inspiração, terá que buscar maior efetividade para os próximos desafios. A classificação, ainda que sem brilho ofensivo, é um passo importante na campanha e serve como lição de que a solidez tática pode prevalecer. Agora, o Peixe se prepara para um embate de alto nível contra o Atlético-MG nas quartas de final, onde precisará conciliar a defesa firme com uma produção ofensiva mais consistente.

Mantenha-se atualizado sobre a trajetória do Santos na Copa Sul-Americana e todos os detalhes do confronto contra o Atlético-MG. Não perca nenhum lance e confira análises exclusivas!

Fonte: https://www.gazetaesportiva.com

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