O tão aguardado filme ‘Dark Horse’, que promete narrar a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem sua estreia programada para 11 de setembro. A produção cinematográfica, que mergulha na vida do ex-chefe do Executivo, concentra seu enredo no traumático ataque a faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora, Minas Gerais, durante a campanha presidencial de 2018. Este evento crucial serve como ponto central para explorar a ascensão de uma figura política que dividiu o país. O roteiro detalha não apenas os aspectos pessoais e políticos do ex-presidente, mas também contextualiza sua trajetória com a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto e sua subsequente detenção, criando um panorama complexo da política brasileira. A cinebiografia de Bolsonaro promete uma visão aprofundada dos eventos que o levaram ao poder.
A ascensão política e o ataque que moldou uma campanha
O evento central: O ataque em Juiz de Fora
O coração do enredo de “Dark Horse” pulsa a partir do incidente de Juiz de Fora. O ataque a faca sofrido por Jair Bolsonaro em setembro de 2018, enquanto fazia campanha na cidade mineira, é o ponto de virada dramático que impulsiona a narrativa. O roteiro se dedica a explorar as tensões e os impactos desse evento na figura de Bolsonaro e em sua campanha presidencial, retratando o momento não apenas como um ataque físico, mas como um catalisador para sua imagem de “vítima” e de “outsider” combatente. A produção cinematográfica visa mergulhar na repercussão midiática e popular que o incidente gerou, influenciando decisivamente a percepção pública sobre o então candidato e pavimentando o caminho para sua eleição. Este foco sublinha a importância do evento na trajetória política do ex-presidente, transformando-o em um elemento narrativo primordial para a compreensão de sua jornada.
O pano de fundo político: A trajetória de Lula
Antes de se aprofundar na figura de Bolsonaro, o roteiro faz um significativo prólogo, ambientando o espectador no cenário político brasileiro da época. Este preâmbulo destaca a ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva, inicialmente em “cores vibrantes”, como um líder da “extrema-esquerda” que se tornou presidente em 2003 e deixou o cargo em 2010 com alta popularidade. Contudo, a narrativa não se detém apenas nos triunfos, mas avança para os escândalos de corrupção que, segundo o script, revelaram uma “extensa corrupção”. O texto menciona explicitamente a condenação de Lula por lavagem de dinheiro e corrupção em 2017, culminando em sua prisão. Essa contextualização serve para estabelecer o ambiente político polarizado e a desilusão pública com a política tradicional, elementos que, conforme o filme sugere, criaram um terreno fértil para o surgimento de uma figura política disruptiva como Bolsonaro.
A figura de Bolsonaro: O “azarão” que desafiou o sistema
Na sequência da contextualização sobre Lula, o roteiro de “Dark Horse” introduz Jair Bolsonaro como um novo e inesperado protagonista no cenário político de 2018. Descrito como um “obscuro deputado federal”, ele emerge como um “azarão” no contexto da coalizão de direita, batizada de “Carne, Bíblia e Balas”. O script enfatiza a promessa de Bolsonaro de “Quebrar o Sistema” que, na visão da narrativa, oprimia o Brasil. Essa imagem de “poster, cada vez maior” sugere a rápida e surpreendente ascensão de um político que, até então, não possuía o mesmo protagonismo de outras figuras nacionais. O filme busca retratar a percepção pública de Bolsonaro como um candidato antissistema, que prometia romper com as velhas práticas políticas e enfrentar a corrupção, capitalizando o sentimento de insatisfação popular e a busca por uma alternativa radical.
Os personagens e os momentos controversos retratados
A família Bolsonaro: Presenças e ausências notáveis
A cinebiografia “Dark Horse” se aprofunda nos laços familiares do ex-presidente, mostrando cenas com figuras-chave como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, o ex-vereador Carlos Bolsonaro e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. A presença desses membros da família sublinha a influência e o papel que desempenharam ao lado do patriarca, tanto na vida pessoal quanto na política. Curiosamente, a filha mais nova, Laura Bolsonaro, é mencionada como a “favorita do pai”, aparecendo em apenas um breve trecho, o que pode sugerir uma representação de sua inocência ou distanciamento dos embates políticos. Por outro lado, o roteiro chama atenção para uma ausência significativa: o vereador Jair Renan, de Balneário Camboriú, não é retratado nem mencionado em momento algum do script. Essa omissão pode indicar uma escolha narrativa deliberada para focar em membros da família com maior projeção política ou para evitar complexidades adicionais à trama central.
O embate com Maria do Rosário: Um episódio marcante
Um dos momentos mais controversos da trajetória de Jair Bolsonaro, retratado no roteiro, é o embate com a deputada federal Maria do Rosário, ocorrido em 2003 na Câmara dos Deputados. O script da cinebiografia recria a cena em que o então deputado federal fez uma declaração amplamente criticada, afirmando que “não estupraria” a parlamentar “porque ela não merece”. No filme, a deputada é representada pela personagem Gloria De Rosales. A inclusão desse episódio ressalta a disposição do filme em não se esquivar de momentos polêmicos da carreira de Bolsonaro, que geraram amplas discussões sobre misoginia e respeito no ambiente político. O incidente é um marco que ajuda a definir a personalidade política do ex-presidente, caracterizada muitas vezes por falas diretas e controversas, e sua interação com adversários, especialmente aqueles ligados a pautas progressistas.
Adélio Bispo: A complexa caracterização do agressor
A figura de Adélio Bispo, autor do ataque a faca contra Bolsonaro, é um ponto crucial na narrativa do filme “Dark Horse”. No roteiro, ele é transformado no personagem Aurelio Barba, e sua caracterização é detalhada através de suas próprias falas. Aurelio Barba relata ter se envolvido primeiramente com “socialistas radicais”, depois com a “extrema-esquerda progressista (F.L.P.)” e, por fim, com “marxistas”, dos quais se distancia por considerá-los usuários excessivos de drogas. O personagem expressa uma profunda convicção ideológica, afirmando ter sido recrutado pelo F.L.P. para “bater em caras” e que, se algo precisa ser feito, ele mesmo se encarregaria. Suas motivações são explicitadas em um momento de confissão conspiratória, onde Aurelio Barba declara: “Se tem um filho da puta que merece morrer, é esse filho da puta fascista (Bolsonaro)”, revelando a intensidade do ódio ideológico que o impulsiona e que o roteiro busca explorar como um dos eixos do atentado.
O enigmático “Slender Man”: Uma figura final e simbólica
O desfecho do filme “Dark Horse”, conforme o roteiro, introduz uma figura enigmática e potencialmente simbólica: o “Slender Man” (Homem Magro). O personagem é descrito de forma sucinta, mas impactante: “careca, sério, com ar de superioridade moral”. O script sugere que ele “poderia ser um ministro da Suprema Corte”, o que adiciona uma camada de mistério e uma possível conotação política à sua aparição. A presença do “Slender Man” no final pode ser interpretada como uma representação do sistema, do poder judiciário ou de forças ocultas que, na visão da narrativa, operam nos bastidores da política e da justiça. Essa figura misteriosa serve para ampliar o alcance temático do filme para além da biografia individual de Bolsonaro, sugerindo reflexões sobre as estruturas de poder e as forças invisíveis que podem influenciar os rumos de uma nação, deixando uma impressão duradoura e aberta à interpretação do público.
Conclusão
O filme “Dark Horse” se apresenta como uma cinebiografia ambiciosa, que busca decifrar a complexa ascensão de Jair Bolsonaro ao poder, tendo o ataque de Juiz de Fora como epicentro narrativo. Ao mergulhar nos bastidores políticos, desde a contextualização da trajetória de Lula até a caracterização dos membros da família Bolsonaro e dos adversários, o roteiro demonstra a intenção de oferecer um panorama multifacetado da política brasileira recente. A inclusão de momentos controversos e a representação detalhada de Adélio Bispo, bem como a figura enigmática do “Slender Man”, indicam que a produção não se limitará a um simples relato, mas buscará explorar as tensões ideológicas e as forças que moldaram um período tão polarizado na história do Brasil. A expectativa é que o filme provoque discussões e ofereça uma perspectiva cinematográfica sobre os eventos que culminaram na presidência do ex-capitão.
Diante dos detalhes revelados, qual sua expectativa para o filme “Dark Horse” e como você acredita que essa produção impactará a compreensão da trajetória política de Jair Bolsonaro?
Fonte: https://jovempan.com.br