fevereiro 8, 2026

PF investiga Grupo Fictor por suspeita de fraude na tentativa de compra do Master

Grupo Fictor pede recuperação judicial neste domingo (1º) no Tribunal de Justiça de São Paulo

A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para investigar o Grupo Fictor, uma holding que se viu no centro de um escândalo financeiro após apresentar uma proposta para adquirir o Banco Master em novembro do ano passado e, mais recentemente, protocolar um pedido de recuperação judicial. A investigação da PF foca em sérias acusações, incluindo gestão fraudulenta, apropriação indébita, emissão de títulos falsos e operação de instituição financeira sem a devida autorização. O caso ganha contornos dramáticos com a menção de “eventuais ilícitos” pelo próprio grupo em seu pedido de recuperação, e a intervenção do Banco Central (BC), que barrou a compra e liquidou o Master, suspeitando de uma tentativa de mascarar uma profunda crise financeira. O cenário delineia um complexo enredo de finanças, regulamentação e alegações criminais, com desdobramentos que prometem impactar o setor.

A investigação da Polícia Federal e as acusações contra o Grupo Fictor

A abertura do inquérito pela Polícia Federal contra o Grupo Fictor sinaliza a gravidade das suspeitas que pairam sobre a companhia. A investigação busca apurar uma série de crimes de natureza financeira que, se comprovados, podem ter implicações significativas para os envolvidos e para a credibilidade do mercado. As acusações formalizadas incluem gestão fraudulenta, que se refere à administração de uma instituição financeira de forma desonesta, em prejuízo de terceiros; apropriação indébita, caracterizada pelo uso indevido de bens ou valores de propriedade alheia; emissão de títulos falsos, uma prática que distorce a realidade patrimonial e pode enganar investidores; e operar instituição financeira sem a devida autorização dos órgãos reguladores, uma infração grave que coloca em risco a saúde do sistema financeiro.

A cronologia dos eventos e a tentativa de aquisição do Banco Master

O cerne das investigações da PF reside na fracassada tentativa do Grupo Fictor de adquirir o Banco Master, uma operação que remonta a novembro do ano passado. De acordo com os relatos, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria afirmado à PF que buscou viabilizar a venda de sua instituição financeira ao Fictor com o apoio de investidores árabes não identificados. No entanto, a operação foi abruptamente barrada pelo Banco Central (BC), que não apenas negou a transação, mas também decretou a liquidação do Banco Master. A decisão do BC foi motivada por fortes suspeitas de fraudes substanciais na emissão de títulos falsos, cujo montante alcançava a impressionante cifra de R$ 12,2 bilhões. Para o regulador, a proposta de compra pelo Grupo Fictor não passava de uma estratégia para encobrir a profunda crise financeira pela qual o Banco Master já atravessava, sem recursos para honrar seus compromissos com credores. O anúncio da oferta de compra, realizado em 17 de novembro, foi seguido, no dia posterior, pela decretação da liquidação do Master pelo Banco Central, marcando o início de uma crise de confiança que rapidamente se estendeu ao Grupo Fictor.

A recuperação judicial do Grupo Fictor e suas alegações

Diante do cenário de turbulência e das graves acusações, o Grupo Fictor entrou com um pedido de recuperação judicial no último domingo, 1º de março. No próprio documento protocolado na Justiça, o grupo reconhece a existência de “eventuais ilícitos”, uma admissão que sublinha a complexidade da sua situação jurídica e financeira. O objetivo declarado da recuperação judicial é reestruturar as finanças da empresa e viabilizar o pagamento de uma dívida que, segundo o grupo, soma cerca de R$ 4 bilhões. A companhia argumenta que a medida imposta pelo Banco Central, que impediu a compra do Banco Master e levou à sua liquidação, teve um impacto devastador em sua imagem e reputação no mercado.

O impacto da crise de confiança no mercado financeiro

Os advogados do Grupo Fictor, liderados por Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados, coordenador do processo de recuperação judicial, justificam o pedido como uma consequência direta de uma crise de liquidez que se manifestou após o anúncio da proposta de compra do Banco Master. Segundo a defesa, a crise de confiança gerada pela ação do Banco Central se estendeu ao Fictor, provocando um movimento massivo de retirada de recursos por parte de seus clientes. Desde a decretação da liquidação do Master pelo BC, os clientes do Grupo Fictor teriam sacado cerca de 70% dos investimentos que possuíam na empresa, o que representa um montante aproximado de R$ 2 bilhões. Essa retirada abrupta de capital exemplifica o efeito dominó que eventos como este podem ter no setor financeiro, onde a percepção de risco pode levar a rápidas e significativas perdas de liquidez. A situação atual do Grupo Fictor e as acusações que o cercam refletem a importância da vigilância regulatória e a fragilidade da confiança em um ambiente financeiro interconectado.

Este intrincado caso, envolvendo um Grupo Fictor sob investigação da Polícia Federal por graves crimes financeiros e o Banco Master liquidado pelo Banco Central devido a suspeitas de fraudes bilionárias, ressalta a importância da transparência e da rigorosa fiscalização no sistema financeiro brasileiro. Enquanto a recuperação judicial do Fictor avança, buscando reestruturar dívidas de bilhões, a PF prossegue com sua apuração para desvendar a verdade por trás das alegações de gestão fraudulenta e emissão de títulos falsos. Os desdobramentos dessa investigação prometem trazer à tona detalhes cruciais que podem não apenas definir o futuro das empresas envolvidas, mas também reforçar os mecanismos de proteção do mercado e dos investidores no país. A sociedade aguarda ansiosamente por clareza e justiça neste complexo cenário.

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Fonte: https://jovempan.com.br

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