fevereiro 15, 2026

PF, BNDES e Febraban fecham acordo para combater o crime organizado na Faria Lima

A Polí­cia Federal realizou, em 28 de agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto, a maior para...

Em uma resposta unificada ao crescente avanço do crime organizado contra o sistema financeiro, a Polícia Federal (PF), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) formalizaram um acordo de cooperação estratégica. A iniciativa, anunciada na segunda-feira (22) em São Paulo, visa sufocar as operações de lavagem de dinheiro que utilizam indevidamente plataformas digitais e fintechs. Com duração prevista de 70 meses, a parceria é vista como um passo crucial para evitar a reedição de esquemas sofisticados, como o desmantelado pela Operação Carbono Oculto, que revelou a infiltração de uma facção criminosa no mercado financeário da Faria Lima.

Nova estratégia contra o crime financeiro

A assinatura do acordo na sede da PF reuniu figuras proeminentes do cenário financeiro e de segurança do país. Estiveram presentes o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues; o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante; e o presidente da Febraban, Isaac Sidney. Acompanhando-os, quadros técnicos do BNDES, como Alexandre Abreu (áreas Financeira e de Mercado de Capitais) e Luiz Navarro (Risco e Compliance), além do presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Saadi, sublinharam a relevância técnica e estratégica da colaboração. A iniciativa reflete a urgência em adaptar as ferramentas de combate ao crime, que abandonou métodos tradicionais em favor de táticas digitais e financeiras.

Atores e objetivos da cooperação

O cerne da parceria reside na integração de esforços e conhecimentos entre as três instituições para criar uma frente robusta contra a criminalidade financeira. Segundo Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, a natureza do crime mudou drasticamente. “Antigamente, para assaltar um banco, eles chegavam com dinamite, com metralhadora, com carro. Hoje não. Com laptop, às vezes intimidando um servidor que tem responsabilidade na instituição ou comprando, o que é pior, você tem operações de grande vulto, são centenas de milhares de reais transferidos para o crime organizado”, pontuou Mercadante, evidenciando a sofisticação atual dos criminosos. O acordo prevê uma ação coordenada para identificar e neutralizar essas novas modalidades, protegendo a integridade do sistema financeiro brasileiro.

Adaptação às novas modalidades criminosas

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ressaltou a imperatividade de atualizar as estratégias de combate. “Se o crime mudou, não podemos ficar parados no tempo e pensar em combater essas novas modalidades de delinquência com práticas que viemos adotando há 10, 15, 20 anos”, afirmou Rodrigues, destacando a necessidade de inovação e agilidade. Ele expressou a expectativa de expandir a cooperação internacionalmente, com a esperança de firmar um acordo com a Interpol nos primeiros meses de 2026, aproveitando o fato de que um delegado da PF, Valdecyr Urquiza, está à frente da organização internacional. Isaac Sidney, presidente da Febraban, reforçou a natureza “mandatória” da colaboração. Sidney foi enfático ao declarar que “aqueles que não querem se somar para combater o crime no sistema financeiro precisam ser banidos” e alertou que “o crime organizado infelizmente já se infiltrou nos tecidos da economia”, exigindo uma postura firme e coesa de todo o setor.

O modus operandi do crime organizado

A Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto passado pela PF e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), serve como um estudo de caso e um catalisador para a urgência deste novo acordo. A operação expôs a engenhosidade de uma facção criminosa na lavagem de dinheiro, revelando o controle sobre uma vasta rede de ativos ilícitos.

A revelação da operação Carbono Oculto

Durante a assinatura do acordo, Isaac Sidney mencionou a Operação Carbono Oculto como um divisor de águas. “Nós fizemos uma autorregulação logo depois que a Polícia Federal e o Poder Público deflagraram a Operação Carbono Oculto. Também partiu da Febraban uma iniciativa de autorregulação para que as instituições financeiras pudessem adotar uma série de controles em termos de integridade”, explicou Sidney. A investigação detalhou como a facção assumiu o controle de refinarias, distribuidoras de combustíveis, mais de 1.200 postos e até mesmo um terminal portuário, adulterando combustíveis comercializados em diversos estados brasileiros. O MPSP suspeita que a facção se inseriu no mercado financeiro para escoar bilhões de reais, utilizando uma fintech que funcionava, na prática, como o “banco paralelo do crime organizado”, segundo os investigadores. Este cenário alarmante sublinha a necessidade de vigilância contínua e aprimoramento dos mecanismos de segurança.

O alerta sobre fintechs e contas balcão

Aloizio Mercadante expressou preocupação com a “proliferação das fintechs”, que, apesar de inovadoras, podem se tornar vulnerabilidades se não forem devidamente reguladas e fiscalizadas. Ele descreveu um esquema conhecido como “conta balcão”, onde “são dois CPFs, cria um CNPJ, aí começa a receber dinheiro do crime, mas o que aparece publicamente é só o CNPJ de dois CPFs, que não tem problema, mas embaixo está tudo podre, é lavagem pura”. Mercadante reconheceu que o Banco Central já tomou medidas, mas sugeriu uma proposta mais incisiva: “Dá um prazo de seis meses para que todas as fintechs se regularizem. Não regularizou? Fecha”. Essa medida drástica, na visão do presidente do BNDES, é fundamental para proteger a economia e os investimentos, garantindo a solidez e a resiliência do sistema financeiro. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por sua vez, optou por não citar nomes de facções, afirmando que nomeá-las é “glamorizar o crime”, e que o foco deve ser em “enfrentar com rigor, com firmeza, com integração, com cooperação, com investimento, com capacitação, com tecnologia”, independente da nomenclatura.

Projeções e próximos passos

O acordo entre PF, BNDES e Febraban representa um marco na luta contra o crime financeiro no Brasil. Aloizio Mercadante revelou que um dos objetivos é a criação de um “observatório do impacto do crime financeiro”. Para ele, os crimes financeiros são um “grande tema econômico, de respeito ao desenvolvimento do Brasil, ao investimento, à geração de emprego”. A necessidade de quantificar, monitorar e diagnosticar o problema é essencial para formular políticas públicas eficazes. Embora Isaac Sidney reconheça que “é impossível eliminar o crime”, o setor bancário tem o dever de “zelar por solidez” e “ser resiliente às investidas de delinquência”. A colaboração entre as esferas de segurança e o setor financeiro, com a perspectiva de expansão internacional, sinaliza um compromisso contínuo em fortalecer as defesas do país contra a criminalidade organizada, adaptando-se às suas evoluções e protegendo a economia de infiltrações.

Para acompanhar de perto o desdobramento desta importante parceria e entender como ela impactará a segurança do sistema financeiro brasileiro, mantenha-se informado sobre as iniciativas de combate ao crime financeiro.

Fonte: https://jovempan.com.br

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