agosto 23, 2026

Petrópolis: ônibus não tinha autorização para transporte interestadual

© CBMRJ

Uma grave tragédia abalou a BR-040, na descida da Serra de Petrópolis, no último domingo (16), quando um ônibus que seguia de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro tombou, resultando na morte de dez pessoas e deixando dezenas de feridos. As investigações iniciais conduzidas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) revelaram uma falha crítica: o veículo, de placa AKY-3454, não possuía a habilitação necessária para operar transporte interestadual de passageiros. Esta constatação caracteriza a operação como um transporte clandestino, com sérias implicações para a segurança dos viajantes e para a fiscalização do setor, expondo a vulnerabilidade dos passageiros a serviços irregulares e sem supervisão.

Acidente fatal expõe operação clandestina na BR-040

Irregularidades apontadas pela ANTT

O ônibus envolvido no lamentável acidente que ceifou dez vidas na BR-040, em Petrópolis, operava de forma totalmente irregular, sem a devida autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para realizar transporte interestadual de passageiros. Segundo a própria agência reguladora, o veículo com placa AKY-3454 não estava habilitado em seus sistemas para este tipo de serviço, classificando a operação como transporte clandestino. Esta condição implica que o coletivo não passou pelas rigorosas inspeções de segurança e não cumpriu os requisitos operacionais exigidos para garantir a integridade dos passageiros em viagens de longa distância, como a que ocorria entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro.

As investigações da ANTT aprofundaram-se, revelando que o veículo estava registrado em nome da Dinna Ellles Turismo, com uma comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. No entanto, o órgão regulador afirmou categoricamente que nenhuma das duas empresas está devidamente habilitada para operar transporte de passageiros em nível interestadual. Para agravar a situação, a empresa que supostamente seria a responsável pela viagem, identificada como Estrela Guia Turismo, também não foi localizada como uma entidade habilitada nos registros da ANTT. Além disso, foi constatado que o ônibus exibia um adesivo da ANTT em nome da empresa Samara, que igualmente se encontra inapta para o serviço, configurando um intrincado esquema de irregularidades que burlava a fiscalização e colocava em risco a vida dos passageiros. A falta de habilitação regulatória significa que o veículo provavelmente não tinha seguro obrigatório em dia, motoristas qualificados sob supervisão e manutenção veicular adequada, elementos essenciais para a segurança rodoviária.

O doloroso balanço das vítimas e o esforço de socorro

Atendimento hospitalar e identificação

O tombamento do ônibus deixou um rastro de dor e sofrimento, com um balanço inicial de dez vítimas fatais. Além disso, 56 pessoas estavam a bordo no momento do acidente, incluindo o motorista e dois ajudantes. A mobilização para o socorro foi imediata, com várias unidades hospitalares da região recebendo os feridos. O Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, atendeu 11 vítimas; seis delas receberam alta após os primeiros socorros e as devidas orientações médicas, enquanto os outros cinco pacientes permanecem internados, sob cuidados intensivos, com quadros de saúde que demandam atenção contínua.

Paralelamente, o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (HMAPN), em Duque de Caxias, desempenhou um papel crucial no atendimento a 14 vítimas do sinistro. Infelizmente, a unidade registrou o falecimento de Alessandra Pereira, de 34 anos, que não resistiu aos ferimentos e morreu às 7h56, enquanto recebia os primeiros socorros. Dos demais pacientes levados ao HMAPN, oito receberam alta hospitalar, evidenciando a gravidade e diversidade dos ferimentos. Cinco permanecem internados, incluindo duas crianças (meninas) e três adultos (duas mulheres e um homem), todos com quadro de saúde considerado estável, mas ainda necessitando de acompanhamento médico. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e outras equipes de resgate trabalharam incansavelmente na cena do acidente para auxiliar as vítimas.

A Secretaria de Estado da Polícia Civil (Sepol) confirmou que os corpos de nove das dez vítimas fatais foram encaminhados ao Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC) de Petrópolis para exames periciais e identificação. As vítimas identificadas foram Jhennifer Ferreira Carvalho, de 33 anos; Lavinia Eduarda Souza Dias, de 7 anos; Luciana Ferreira Carvalho, de 53 anos; Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos; Keyla Perucci da Silva, de 35 anos; Priscilla de Souza Braz, de 33 anos; Natália Fimiano de Barros, de 34 anos; Dayanna de Lima Viana, de 36 anos; e Vânia Elida de Jesus Crispim, de 33 anos. A décima vítima ainda aguarda identificação oficial, um processo que muitas vezes exige análises mais complexas devido à condição dos corpos.

Repercussões e o posicionamento das empresas

Resposta legal e o pesar da Estrela Guia

Diante das acusações de operação clandestina e das graves consequências do acidente, o advogado Aroldo Leão Braz, da assessoria jurídica da Estrela Guia, informou que a empresa não fará manifestações públicas imediatas sobre o caso. Segundo ele, “eventuais esclarecimentos e manifestações serão apresentados oportunamente nos autos dos processos dos quais a empresa venha a fazer parte”, uma postura comum em situações de investigações criminais e cíveis, indicando que a empresa se reserva o direito de se defender nos fóruns legais apropriados.

Apesar da reserva em relação aos aspectos legais imediatos, a Estrela Guia manifestou, por meio de nota, seu “profundo pesar pelo grave acidente ocorrido” e expressou solidariedade “com as vítimas, seus familiares e todos os envolvidos neste momento de profunda dor e consternação”. A empresa afirmou que está prestando apoio às famílias das vítimas, colaborando com o translado dos corpos para seus locais de destino e disponibilizando suporte para o transporte dos sobreviventes até suas respectivas residências, conforme as necessidades individuais de cada família. Este suporte, embora necessário, não isenta a empresa das responsabilidades decorrentes da operação irregular, que será objeto de apuração rigorosa pelas autoridades competentes. A tragédia em Petrópolis serve como um alerta contundente para a necessidade de fiscalização contínua e de responsabilidade por parte das empresas de transporte, bem como para a conscientização dos passageiros sobre a importância de verificar a regularidade dos serviços que contratam.

A tragédia na BR-040, em Petrópolis, é um doloroso lembrete das consequências severas que podem surgir da operação de transporte clandestino. A falta de habilitação e fiscalização, conforme apontado pela ANTT, transformou uma viagem rotineira em um cenário de luto e desespero. As investigações em curso são cruciais para esclarecer todas as responsabilidades e garantir que medidas preventivas sejam implementadas para evitar que tragédias como esta se repitam. É fundamental que as autoridades intensifiquem a fiscalização e que os passageiros redobrem a atenção ao escolher seus meios de transporte, priorizando sempre a segurança.

Para sua segurança e a de seus familiares, verifique sempre a regularidade e a habilitação de empresas de transporte de passageiros antes de viajar, consultando os órgãos reguladores competentes.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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