fevereiro 8, 2026

Peter Mandelson pressionado a deixar Câmara dos Lordes por elos com Jeffrey Epstein

G1

O cenário político britânico foi abalado recentemente com a renúncia de Peter Mandelson do Partido Trabalhista, desencadeada por novas e perturbadoras revelações sobre sua prolongada amizade com o falecido agressor sexual Jeffrey Epstein. Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, somando mais de 3 milhões de páginas, expõem a profundidade da relação entre o influente político e o financista. A pressão se intensifica para que Mandelson, uma figura central na política do Reino Unido por décadas, não apenas deixe a Câmara dos Lordes, para a qual foi nomeado vitaliciamente, mas também preste depoimento sobre seu conhecimento das atividades ilícitas de Epstein. Sua saída marca um momento crítico, evidenciando como o escândalo de Jeffrey Epstein continua a reverberar nas mais altas esferas do poder global, exigindo prestação de contas de figuras proeminentes.

Crescente pressão sobre Peter Mandelson

Renúncia do partido e apelos para deixar a câmara dos lordes

Peter Mandelson, em um movimento surpreendente, anunciou sua renúncia do Partido Trabalhista no domingo (1), justificando a decisão como uma forma de evitar “mais constrangimentos” diante das novas alegações que o vinculam a Jeffrey Epstein. Ele negou as acusações que surgem do vasto conjunto de documentos recém-divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, mas prometeu investigar o caso. A saída de Mandelson do partido ocorre no momento em que ele já enfrentava intensa pressão. Um ano atrás, o político perdeu seu cargo como embaixador do Reino Unido em Washington, um posto de destaque, justamente por revelações anteriores sobre sua amizade com o financista.

A situação de Mandelson se agravou significativamente. O primeiro-ministro Keir Starmer, que anteriormente o demitiu do cargo de embaixador, agora exige que Mandelson renuncie à Câmara dos Lordes – a câmara alta não eleita do Parlamento britânico, composta por figuras políticas, doadores e outras personalidades públicas, para a qual ele foi nomeado vitaliciamente em 2008. Tal renúncia implicaria também na abdicação do título de nobreza, Lord Mandelson, que ele recebeu na ocasião. Expulsá-lo, caso ele se recuse, seria um processo complexo e demorado, exigindo a aprovação de legislação específica pelo Parlamento, algo que não acontece há mais de um século, desde que títulos foram retirados de aristocratas britânicos que apoiaram a Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial. O porta-voz de Starmer, Tom Wells, afirmou categoricamente: “O primeiro-ministro acredita que Peter Mandelson não deveria ser membro da Câmara dos Lordes nem usar o título. No entanto, o primeiro-ministro não tem o poder de removê-lo.”

As revelações dos arquivos Epstein

Os novos documentos sobre Jeffrey Epstein, somando mais de 3 milhões de páginas, foram divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA e trazem à tona detalhes inéditos sobre a rede de contatos do agressor sexual. Peter Mandelson, assim como outras figuras poderosas, incluindo Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles III, enfrenta agora uma forte demanda para esclarecer a natureza de sua relação com o financista.

O ministro Steve Reed, em pronunciamento na segunda-feira, enfatizou que tanto Mandelson quanto Mountbatten-Windsor possuem uma “obrigação moral” de auxiliar as vítimas de Epstein. “Se alguém tem informações ou evidências que possam compartilhar para ajudar a entender o que aconteceu e levar justiça às vítimas, então deve compartilhá-las, seja Andrew Mountbatten-Windsor, seja Lord Mandelson ou qualquer outra pessoa”, declarou Reed à Sky News, sublinhando a importância da cooperação para a busca por justiça. Epstein morreu por suicídio em uma cela em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais nos EUA de abuso sexual de dezenas de meninas. Anos antes, ele havia evitado um processo federal ao se declarar culpado na Flórida por acusações estaduais de solicitação de prostituição envolvendo uma menor.

Detalhes das alegações e reações políticas

Pagamentos, e-mails e a controversa amizade

A mais recente divulgação de arquivos sobre Jeffrey Epstein revelou centenas de mensagens de texto e e-mails trocados entre Mandelson e o financista, delineando uma relação de proximidade que perdurou por anos. Em 2003, o político britânico chegou a se referir a Epstein como “meu melhor amigo”. Documentos indicam depósitos no valor de £10.000 (equivalente a cerca de 70 mil reais na cotação atual) para Reinaldo Avila da Silva, esposo de Mandelson, levantando questões sobre a natureza desses pagamentos. O Financial Times e a BBC, com base no que parecem ser extratos bancários de 2003 e 2004, informaram que uma conta de Epstein enviou três pagamentos, totalizando US$75 mil, para contas ligadas a Mandelson.

Em resposta, Mandelson questionou a autenticidade dos extratos bancários e, em sua carta ao Partido Trabalhista comunicando sua saída, afirmou não se recordar de ter recebido o dinheiro, prometendo investigar o caso. Ele acrescentou que queria “reiterar meu pedido de desculpas às mulheres e meninas cujas vozes deveriam ter sido ouvidas muito antes”. Os arquivos também incluem uma troca de e-mails de 2009 na qual Mandelson, então ministro do governo britânico, aparentemente disse a Epstein que tentaria influenciar outros integrantes do governo para reduzir um imposto sobre bônus de banqueiros. Entre os documentos, há ainda uma foto de Mandelson de camisa e roupa íntima, ao lado de uma mulher não identificada vestindo um roupão.

A posição do governo e o chamado à justiça

A postura do primeiro-ministro Keir Starmer é inequívoca: ele deseja a saída de Peter Mandelson da Câmara dos Lordes e a revogação de seu título de nobreza. No entanto, a complexidade do sistema parlamentar britânico, onde os membros da Câmara dos Lordes são nomeados vitaliciamente, impõe barreiras significativas. A última vez que um par vitalício foi removido exigiu uma legislação específica, um precedente que remonta a mais de um século. Isso demonstra o dilema enfrentado pelo governo em um caso de alta repercussão pública.

O clamor por justiça para as vítimas de Epstein ganha força a cada nova revelação. A exigência de que Mandelson e outras figuras como Andrew Mountbatten-Windsor deponham nos Estados Unidos não é apenas um apelo moral, mas uma demanda crescente para que todas as informações pertinentes sejam compartilhadas. As autoridades britânicas e o público aguardam esclarecimentos sobre o conhecimento que esses indivíduos tinham das atividades de Epstein, visando a compreensão completa dos eventos e a responsabilização dos envolvidos, em um esforço contínuo para honrar as vozes das vítimas e garantir que a verdade prevaleça.

Uma carreira política marcada por controvérsias

O “Príncipe das trevas” e as demissões anteriores

Com 72 anos, Peter Mandelson tem sido, por décadas, uma figura de proeminência — e controvérsia — no Partido Trabalhista de centro-esquerda. Habilidoso e, para seus críticos, implacável articulador político, ele ganhou o apelido de “Príncipe das Trevas”. Neto do ex-ministro trabalhista Herbert Morrison, Mandelson foi um dos arquitetos da ascensão do partido ao poder em 1997, através do projeto centrista e modernizador do “Novo Trabalhismo”, sob a liderança do então primeiro-ministro Tony Blair.

Ao longo de sua carreira, Mandelson ocupou cargos importantes no governo Blair entre 1997 e 2001 e retornou ao governo sob o premiê Gordon Brown, de 2008 a 2010. Nesse intervalo, ele atuou como comissário de Comércio da União Europeia. Sua trajetória não foi isenta de turbulências: ele teve de renunciar duas vezes durante o governo Blair por alegações de impropriedade financeira ou ética, episódios nos quais reconheceu erros, mas sempre negou irregularidades.

O fim de uma trajetória influente

Mandelson, apesar das controvérsias passadas, voltou à linha de frente da política quando Keir Starmer o nomeou embaixador em Washington, durante a administração de Donald Trump. Sua vasta experiência em comércio e seu trânsito entre os ultrarricos eram vistos como trunfos valiosos para a relação com o governo americano. Ele foi fundamental na concretização de um acordo comercial em maio, que poupou o Reino Unido de parte das tarifas impostas por Trump a diversos países.

Contudo, sua amizade com Jeffrey Epstein continuou a ser um ponto de inflexão. Em setembro, Starmer o demitiu do cargo de embaixador após a publicação de e-mails que demonstravam que a amizade de Mandelson com o financista persistiu mesmo depois de Epstein se declarar culpado em 2008. Agora, além de ter deixado o Partido Trabalhista, Mandelson enfrenta apelos crescentes para ser expulso da Câmara dos Lordes, o que sinaliza o provável fim de uma das carreiras políticas mais influentes e marcadas por reviravoltas na Grã-Bretanha contemporânea.

A série de revelações que emerge dos arquivos de Jeffrey Epstein lançou uma sombra significativa sobre a longa e turbulenta carreira de Peter Mandelson. As pressões para sua saída da Câmara dos Lordes e sua renúncia do Partido Trabalhista sublinham a gravidade das alegações e a exigência pública por transparência e responsabilidade. O escândalo não apenas encerra um capítulo para um dos mais proeminentes articuladores políticos britânicos, mas também serve como um lembrete contundente de que, independentemente do poder ou influência, as conexões com atividades criminosas, especialmente aquelas envolvendo abuso sexual, terão ramificações duradouras. A busca por justiça para as vítimas de Epstein continua, e a cada novo documento, mais pilares de poder são postos à prova.

Para acompanhar os desdobramentos deste caso e entender como as ligações com Jeffrey Epstein continuam a abalar o cenário político internacional, continue acompanhando as notícias.

Fonte: https://g1.globo.com

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