Uma recente pesquisa eleitoral em Pernambuco revelou uma significativa mudança no cenário político do estado, com a atual governadora Raquel Lyra (PSD) alcançando os melhores índices de sua trajetória política. Os dados do levantamento, realizado entre os dias 7 e 9 de julho com 1.500 eleitores em 58 municípios e margem de erro de 2,6 pontos percentuais, indicam que a governadora ultrapassou o ex-líder João Campos (PSB) em todos os cenários testados para o governo estadual. Essa inversão de forças representa um ‘terremoto’ político em Pernambuco, especialmente ao considerar que, há apenas sete meses, a dinâmica era completamente diferente. A aprovação da gestão de Lyra também atingiu patamares elevados, solidificando sua posição de destaque na corrida e redefinindo as estratégias para as próximas eleições.
Inversão do cenário eleitoral ao governo
O panorama político em Pernambuco testemunhou uma reviravolta expressiva no espaço de sete meses. Em dezembro de 2025, o então cenário para o governo estadual mostrava João Campos (PSB) com uma liderança considerável sobre Raquel Lyra (PSD). Contudo, a análise mais recente aponta para uma inversão completa, com a governadora agora na dianteira, evidenciando uma transformação nas preferências do eleitorado.
A guinada em sete meses
Em dezembro de 2025, João Campos detinha 55,1% das intenções de voto contra 33,8% de Raquel Lyra, em um cenário sem terceiros candidatos, resultando em uma diferença de 21,3 pontos percentuais a favor de Campos. No entanto, o levantamento de julho de 2026 registra uma virada. Lyra aparece com 47,5% das intenções de voto, enquanto Campos alcança 43,3%, uma vantagem de 4,2 pontos percentuais para a governadora no mesmo cenário de dois candidatos. Essa movimentação representa um salto de 13,7 pontos para Lyra e uma queda de 11,8 pontos para Campos no intervalo analisado, indicando um fluxo significativo de eleitores entre os dois principais nomes.
Cenários estimulados
Quando se adiciona um terceiro candidato ao cenário, incluindo Ivan Moraes (PSOL), a governadora Raquel Lyra mantém a liderança com 46,8% das intenções de voto, seguida por João Campos com 42,5%. A diferença de 4,3 pontos percentuais, embora dentro da margem de erro da pesquisa, sinaliza uma disputa tecnicamente acirrada. No entanto, a análise da série histórica de pesquisas demonstra uma tendência inequívoca de crescimento e consolidação da posição da governadora, fortalecendo sua candidatura e desafiando a percepção anterior de favoritismo.
Dados da pesquisa espontânea
Na modalidade espontânea da pesquisa, onde nenhum nome é apresentado aos eleitores, Raquel Lyra também demonstra vantagem. A governadora é mencionada por 31,2% dos entrevistados, enquanto João Campos aparece com 23,7%.
Preferências ainda em formação
O índice de 39,7% de eleitores que não souberam ou não quiseram opinar espontaneamente indica que, embora haja uma liderança clara, a campanha eleitoral ainda não atingiu seu ponto de efervescência para cristalizar as preferências de uma parcela considerável do eleitorado. Apesar disso, a vantagem espontânea de 7,5 pontos percentuais para a governadora reforça a sua atual força e visibilidade junto ao público pernambucano, sugerindo um reconhecimento mais amplo de seu nome.
Análise demográfica do eleitorado
O cenário estimulado com dois candidatos permite uma análise detalhada sobre o perfil dos eleitores que apoiam cada um dos principais concorrentes ao governo. As preferências se mostram divididas por gênero, idade e grau de escolaridade, revelando os grupos onde cada candidato tem maior ressonância e os desafios para atrair outros segmentos.
Diferenças por gênero e idade
Entre os eleitores do sexo masculino, Raquel Lyra lidera com expressivos 52,2% contra 39,3% de João Campos, uma diferença de 12,9 pontos. Já entre as mulheres, a situação se inverte, com Campos à frente, registrando 46,8% das intenções de voto contra 43,4% de Lyra, uma diferença de 3,4 pontos percentuais. Quanto à idade, a governadora domina a maioria das faixas etárias. Entre os jovens de 16 a 24 anos, Lyra soma 48,6% contra 40,9% de Campos. Nas faixas de 25 a 34 e de 35 a 44 anos, as vantagens da governadora são ainda mais significativas, atingindo 13,6 e 11 pontos, respectivamente. João Campos, por sua vez, mantém a liderança entre os eleitores com 60 anos ou mais, com 51,3% contra 41,4% de Lyra.
Influência da escolaridade
O grau de escolaridade também se mostra um fator determinante na definição do voto. Raquel Lyra apresenta forte desempenho entre eleitores com ensino superior, com 57% das intenções contra 32,3% de Campos, uma diferença de 24,7 pontos. Da mesma forma, entre aqueles com ensino médio, Lyra lidera com 51,8% contra 40,7%. A única faixa onde João Campos se destaca é entre os eleitores com até o ensino fundamental, onde ele registra 51,5% de apoio contra 38,3% de Lyra. Assim, o perfil do eleitorado de Campos tende a se concentrar em faixas de menor renda e escolaridade, além de mulheres e idosos. O de Lyra, por sua vez, abrange predominantemente homens, jovens e eleitores com maior grau de instrução, delineando estratégias distintas para cada candidatura.
Avaliação da gestão da governadora
Um dos pilares que explica a virada no cenário eleitoral é a evolução da avaliação da gestão de Raquel Lyra. Os números de aprovação têm crescido consistentemente ao longo de diversas rodadas da pesquisa, invertendo completamente o sinal de desaprovação que marcava o início de seu governo.
Crescimento constante da aprovação
Em março de 2025, a aprovação da gestão Lyra era de 46,2%, com 50,6% de desaprovação. O cenário começou a mudar em agosto de 2025, quando a aprovação subiu para 48,7% e a desaprovação recuou para 47,6%. Em dezembro de 2025, a aprovação já alcançava 55,4%, com 40,8% de desaprovação. O ápice foi atingido em julho de 2026, com uma aprovação de 65,7% e a desaprovação caindo para 31,4%, marcando uma virada completa. A avaliação positiva, que soma as categorias “ótima” e “boa”, chegou a 48,6%, com o índice de “ótima” saltando de 9% em março de 2025 para 20,1% em julho de 2026. Paralelamente, a avaliação negativa (“ruim” e “péssima”) diminuiu de 37,2% para 19,7% no mesmo período, e o índice de “péssima” recuou de 28,1% para 12,6%.
Recortes da aprovação
A aprovação da gestão da governadora apresenta variações significativas entre diferentes segmentos do eleitorado. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o índice de aprovação chega a 73,6%, demonstrando uma forte adesão nesse grupo. Da mesma forma, entre eleitores do sexo masculino, a aprovação atinge 71,5%, e entre aqueles com ensino superior, chega a 71,3%. O único recorte onde a aprovação fica abaixo dos 60% é entre os eleitores com ensino fundamental, com 59,9%. Eleitores que participaram de celebrações religiosas nos dez dias anteriores à pesquisa também mostram um índice de aprovação ligeiramente acima da média geral, com 66,9%.
Percepção de vitória e rejeição
Além da intenção de voto, a pesquisa também mede a percepção do eleitorado sobre quem vencerá as eleições, um indicador que pode influenciar a decisão de eleitores indecisos, conhecido como efeito “bandwagon”.
Quem o eleitor acredita que vai ganhar
O indicador de percepção de vitória favorece Raquel Lyra. Cerca de 44,7% dos eleitores acreditam que ela vencerá as eleições, contra 40,7% que apostam em João Campos. Embora a diferença de quatro pontos esteja dentro da margem de erro, a tendência é que eleitores indecisos sejam influenciados a votar no candidato que percebem como mais provável de vencer. Entre os homens, a aposta em Lyra é ainda mais forte, com 50,4% acreditando em sua vitória, contra 36,5% para Campos. No entanto, entre as mulheres, a percepção se inverte: 44,3% acreditam na vitória de Campos e 39,7% em Lyra.
Taxas de rejeição dos candidatos ao governo
No quesito rejeição, João Campos registra um índice maior do que Raquel Lyra. Quando perguntados em quem definitivamente não votariam, 25,4% dos eleitores citam Campos, enquanto 21,3% citam Lyra. Ivan Moraes (PSOL) concentra a maior rejeição entre os três candidatos ao governo, com 39,5%. Um dado relevante é que apenas 15,1% dos eleitores afirmam que poderiam votar em qualquer um dos três candidatos, sugerindo um eleitorado já com preferências ou aversões bem definidas.
Disputa ao Senado
A corrida pelas duas vagas ao Senado em Pernambuco mostra um cenário distinto, marcado por uma alta taxa de indefinição, mas com alguns nomes já se destacando no cenário estimulado.
Cenário de alta indefinição
Na pesquisa espontânea para o Senado, a indefinição é majoritária, com 79,7% dos eleitores sem conseguir ou não querendo indicar nenhum nome. Entre os que espontaneamente mencionaram, Marília Arraes (Solidariedade) e Humberto Costa (PT) aparecem empatados com 5,5% cada, seguidos por Miguel Coelho (União Brasil) com 3%.
Preferências estimuladas e perfis dos eleitores
No cenário estimulado com seis candidatos, que permite a escolha de até dois nomes, Marília Arraes lidera com 50,5% das menções. Humberto Costa segue com 40,6%, e Miguel Coelho com 34,2%. Túlio Gadelha (Rede) registra 18,4%, e Paulo Rubem Santiago (PDT) 5,9%. Em um cenário alternativo, com Eduardo da Fonte (PP) no lugar de Miguel Coelho, os percentuais de Arraes e Costa sobem marginalmente para 51,9% e 43,3% respectivamente, com da Fonte somando 26,4%. Marília Arraes demonstra maior penetração entre mulheres (52,5%) e idosos acima de 60 anos (58%). Humberto Costa é mais forte entre homens (43,1%) e eleitores com ensino fundamental (48%).
Rejeição dos candidatos ao Senado
A rejeição mais alta entre os candidatos ao Senado é de Humberto Costa, com 23,4% dos eleitores que definitivamente não votariam nele. Marília Arraes acumula 19,4% de rejeição, enquanto Eduardo da Fonte registra 18%.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste cenário político e as próximas análises eleitorais para entender as estratégias dos candidatos.