outubro 19, 2026

Perícia descarta suicídio e aponta assassinato da policial Gisele em São Paulo

© Gisele Alves Santana/ Instagram

Uma reviravolta crucial marca a investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana em São Paulo. Um novo laudo complementar do Instituto de Criminalística da capital paulista descartou a hipótese de suicídio, indicando que a soldado foi assassinada. O documento pericial, assinado na última terça-feira, aponta que o conjunto de padrões de manchas de sangue e outros elementos objetivos identificados no local são incompatíveis com um evento suicida. Essa conclusão fortalece a acusação de feminicídio contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, então companheiro da vítima e réu no processo. A descoberta adiciona uma camada significativa de prova ao caso do assassinato da policial Gisele, fornecendo clareza aguardada pela família e pelas autoridades desde o início das apurações.

A reviravolta no caso da morte da policial Gisele

Laudo pericial contundente: suicídio descartado

O novo relatório forense trouxe uma mudança definitiva na linha de investigação da morte da soldado Gisele Alves Santana. O laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo, divulgado recentemente, afirma categoricamente que a hipótese de suicídio é “incompatível com os elementos materiais analisados pela perícia”. Este documento é resultado de uma avaliação aprofundada dos padrões de manchas de sangue e de outros indícios encontrados no apartamento onde a policial foi achada sem vida, em 18 de fevereiro deste ano.

A análise pericial é enfática ao declarar que “a avaliação do conjunto de padrões de manchas e demais elementos objetivos identificados no local contradizem a hipótese de evento suicida”. Mais do que isso, o relatório destaca a “intervenção de segunda pessoa” na morte de Gisele, consolidando a tese de assassinato. Essa conclusão robustece o processo judicial contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que já é réu por feminicídio, acusado de ser o responsável pela morte de sua então companheira.

Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça no imóvel que dividia com o tenente-coronel. Na ocasião, Geraldo Leite acionou o socorro e reportou o incidente às autoridades como suicídio, uma versão que posteriormente foi alterada para “morte suspeita” diante das inconsistências. Desde o princípio, a família da soldado contestou veementemente a narrativa de suicídio, insistindo na necessidade de uma investigação minuciosa para esclarecer os fatos. A prisão do réu ocorreu um mês após o crime, em 18 de março, em São José dos Campos (SP), e ele permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, aguardando os próximos passos do processo.

O advogado que representa a família da vítima afirmou que o resultado do novo laudo não causou surpresa, visto que exames anteriores já indicavam o descarte da hipótese de suicídio. “Desde o início, nós sempre trabalhamos com essa vertente “, declarou o representante legal, complementando que “os outros laudos, eles são patentes também de que a Gisele não cometeu suicídio. E a perita, ao ser ouvida, deixou claro, em viva voz, que a Gisele não teria condições de cometer suicídio”. Essa consistência entre as diversas etapas da perícia fortalece a acusação e alinha as evidências técnicas com a convicção da família.

Evidências que fortalecem a tese de feminicídio

Histórico de lesões e incongruências no local do crime

As investigações iniciais e os exames periciais realizados desde o começo do caso já apresentavam indícios significativos que desafiavam a versão de suicídio. Laudos necroscópicos conduzidos pelo Instituto Médico Legal (IML) no corpo de Gisele, ainda nas fases primárias da apuração, revelaram lesões contundentes na face e na região cervical da vítima. Essas marcas foram descritas como resultado de “pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal”, ou seja, lesões causadas por unhas, sugerindo uma possível luta ou agressão antes do disparo fatal.

Além das provas forenses no corpo da vítima, o cenário do crime e o comportamento do acusado levantaram questões importantes. Uma testemunha, vizinha do casal, relatou em depoimento ter ouvido um disparo de arma de fogo às 7h28 do dia em que Gisele morreu. Contudo, o tenente-coronel Geraldo Neto só acionou o Copom para reportar a ocorrência às 7h57, estabelecendo um intervalo de quase meia hora entre o som do disparo e o pedido de socorro. Essa demora considerável é um dos pontos que geram questionamentos sobre a versão inicial dos fatos.

Outro detalhe relevante levantado pela defesa da família refere-se a uma fotografia da vítima com a arma na mão, tirada pelos socorristas. Segundo o advogado, tal posição seria “incomum em casos de suicídio”, adicionando mais uma peça ao quebra-cabeça de inconsistências. Adicionalmente, foi confirmado que três mulheres policiais foram enviadas ao apartamento do casal para realizar uma limpeza no local horas após o incidente. Esse procedimento, realizado tão precocemente, pode ter comprometido a cena do crime ou levantado suspeitas sobre a integridade da preservação das provas.

A próxima etapa crucial do processo está marcada para a próxima terça-feira, quando uma nova audiência será realizada e o tenente-coronel Geraldo Leite deverá ser interrogado. O advogado da família enfatizou que a defesa do acusado insistiu em questionar alguns pontos, mas as respostas aos quesitos apresentados “só corroboram com tudo o que tem nos autos”. Ele concluiu que “a negativa do acusado está isolada nos autos”, reforçando a solidez das provas contra Geraldo Neto.

Desdobramentos e a busca por justiça

A conclusão do laudo pericial, que categoricamente descarta o suicídio da soldado Gisele Alves Santana e aponta para o assassinato, representa um avanço significativo na busca por justiça para a vítima e sua família. As evidências reunidas, que vão desde as marcas de agressão no corpo de Gisele até as inconsistências no relato do acusado e na preservação da cena do crime, convergem para a tese de feminicídio. A persistência da família e o trabalho investigativo detalhado foram cruciais para desvendar as complexidades do caso.

Com a iminente audiência e o interrogatório do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, espera-se que o processo ganhe novos contornos, solidificando a acusação. A clareza trazida pelos laudos periciais, que desmentem a versão inicial de suicídio, é fundamental para que o sistema de justiça possa atuar com base em fatos concretos e irrefutáveis. O caso da policial Gisele Alves Santana se torna, assim, um exemplo da importância da perícia técnica rigorosa e da escuta atenta às vozes das vítimas e seus familiares em processos criminais complexos, especialmente em crimes que envolvem violência de gênero. A sociedade aguarda ansiosamente o desenrolar judicial para que a verdade seja plenamente estabelecida e a justiça seja feita.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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