junho 27, 2026

PCDF pede ao STF para ouvir Bolsonaro sobre arma apreendida

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deu um passo significativo na investigação envolvendo uma arma apreendida com um segurança do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira (17), a corporação formalizou um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando autorização para intimar e colher o depoimento do ex-mandatário. A solicitação marca um novo capítulo em um caso que tem atraído a atenção pública e da mídia, levantando questões sobre a posse de armamentos por figuras políticas e os procedimentos de segurança. A investigação, conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia, busca esclarecer as circunstâncias em que a pistola, alegadamente pertencente a Bolsonaro, foi encontrada em posse de um servidor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Este desenvolvimento ocorre após uma tentativa anterior de intimar Bolsonaro ter sido frustrada pela sua equipe de segurança, o que levou o delegado responsável a buscar a intervenção do STF para garantir o regular andamento da apuração. A próxima etapa crucial, caso o ministro Moraes conceda a autorização, será o depoimento agendado para a próxima quarta-feira (24).

Pedido formal ao Supremo

Detalhes da solicitação e impedimento
O delegado Thiago Boing, à frente da investigação na 17ª Delegacia de Polícia, emitiu um ofício ao Supremo Tribunal Federal detalhando as dificuldades encontradas pela PCDF para obter o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o documento, uma tentativa anterior de intimar pessoalmente Bolsonaro foi barrada pela equipe de escolta do ex-presidente, impossibilitando a concretização do ato. O delegado relatou que “a tentativa de cumprimento da intimação pessoal restou infrutífera, uma vez que a equipe de escolta responsável não permitiu a efetivação do ato, impossibilitando a ciência pessoal do intimando”. Essa barreira protocolar motivou o pedido direto ao ministro Alexandre de Moraes, dado o status de ex-presidente de Bolsonaro e a necessidade de garantir a efetividade da investigação. A solicitação ao STF sublinha a importância da cooperação entre as instâncias para assegurar que todos os envolvidos em processos investigativos possam prestar seus esclarecimentos, independentemente de sua posição.

Contexto da investigação e estado de saúde do ex-presidente
A investigação da 17ª Delegacia de Polícia gira em torno da apreensão de uma arma de fogo que, conforme alegações iniciais e posteriores confirmações, pertence a Jair Bolsonaro. O contexto em que a solicitação de depoimento ocorre é peculiar, pois o ex-presidente está em prisão domiciliar desde o dia 24 de março. Ele foi internado no Hospital DF Star, em Brasília, para tratar um quadro de pneumonia bacteriana, e após a alta, seguiu para recuperação em sua residência, sob custódia. Considerando as suas condições de saúde e a prisão domiciliar, o delegado Thiago Boing propôs que o depoimento de Bolsonaro seja realizado por videoconferência, facilitando o cumprimento da diligência sem comprometer o bem-estar do ex-presidente. A oitiva está marcada para a próxima quarta-feira, dia 24 de abril, às 15h, caso a autorização do STF seja concedida. A modalidade de videoconferência visa conciliar as necessidades da investigação com as circunstâncias pessoais de Bolsonaro, garantindo a celeridade e a regularidade do processo.

A apreensão da arma e a versão da defesa

Ocorrência na blitz e identificação do portador
O incidente que deu origem à investigação ocorreu na noite de segunda-feira, 15 de abril, por volta das 23h30. Um veículo Honda Civic foi parado em um ponto de bloqueio da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado no Pistão Norte, em Taguatinga. Durante a abordagem de rotina, os policiais localizaram no interior do automóvel uma pistola Glock calibre 9 milímetros (mm) e um carregador sobressalente. O motorista do veículo, ao ser interpelado, identificou-se como servidor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República e afirmou que a arma de fogo pertencia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração inicial do segurança acendeu o alerta das autoridades, que imediatamente deram início aos procedimentos para apurar as circunstâncias da posse e o registro da arma. O motorista foi conduzido à delegacia para prestar os primeiros esclarecimentos, detalhando a origem do armamento e o motivo pelo qual o portava.

Justificativa para a posse e posicionamento da defesa
Em seu depoimento na delegacia, o servidor do GSI reiterou que a arma de fogo pertencia ao ex-presidente e explicou que lhe havia sido entregue em razão de uma “pane” ou defeito. Ele detalhou que retirou a pistola no próprio dia 15 com a finalidade de levá-la para reparo e que o armamento seria devolvido a Bolsonaro no dia seguinte, após o conserto. Essa versão foi corroborada pela defesa de Jair Bolsonaro. Na quarta-feira (17), os advogados do ex-presidente reconheceram publicamente que a arma em questão era, de fato, de propriedade de Bolsonaro e que havia sido deixada com o segurança especificamente para ser encaminhada para conserto. A defesa argumentou ainda que o ex-presidente não possui qualquer proibição legal que o impeça de manter uma arma em sua residência, buscando descaracterizar qualquer irregularidade na posse do armamento, embora a circunstância da entrega a um terceiro para reparo seja o foco da investigação atual.

Implicações legais e próximos passos

O papel do STF na autorização de depoimento
A intervenção do Supremo Tribunal Federal, por meio do ministro Alexandre de Moraes, é um elemento central para o prosseguimento da investigação. Dada a natureza do cargo anteriormente ocupado por Jair Bolsonaro e as peculiaridades que envolvem o depoimento de ex-presidentes, a autorização da mais alta corte do país se faz necessária, especialmente após o impedimento inicial pela equipe de segurança. A decisão de Moraes não é uma mera formalidade; ela valida o rito processual e garante que a investigação possa avançar de forma transparente e legítima, assegurando que todas as partes, incluindo o ex-presidente, contribuam com os esclarecimentos pertinentes. O STF atua como guardião dos princípios constitucionais e dos direitos e deveres dos cidadãos, inclusive no que tange à colaboração com as autoridades investigativas. A autorização do ministro permitirá que o processo de colheita do depoimento se realize em conformidade com as normas legais, dissipando quaisquer dúvidas sobre a legalidade da medida.

Cenário futuro e desdobramentos esperados
Com a possível autorização do STF, o depoimento de Jair Bolsonaro por videoconferência na próxima quarta-feira (24) será um momento crucial para a investigação. Espera-se que o ex-presidente forneça detalhes sobre a propriedade da arma, o motivo da “pane”, a regularidade de seu porte e registro, e, principalmente, as circunstâncias em que o armamento foi entregue ao segurança do GSI para reparo. As respostas de Bolsonaro serão fundamentais para a PCDF esclarecer se houve alguma irregularidade na cadeia de custódia da arma ou em sua posse. Dependendo do teor do depoimento e das provas coletadas, a investigação pode ter diferentes desdobramentos: desde o arquivamento do caso, caso não se configurem ilícitos, até o aprofundamento das apurações ou a eventual imputação de responsabilidades. O caso, que já se desdobra em várias camadas, continuará sob o escrutínio público e jurídico, com cada novo passo trazendo mais clareza aos fatos.

A saga envolvendo a solicitação de depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Polícia Civil do Distrito Federal ao Supremo Tribunal Federal, acerca de uma arma apreendida com um de seus seguranças, representa um ponto crucial na investigação. O embate entre a necessidade da PCDF de obter esclarecimentos e o impedimento inicial pela equipe de segurança de Bolsonaro elevou o caso à esfera do STF, com o ministro Alexandre de Moraes agora na posição de decidir sobre a autorização para a oitiva. A proposta de depoimento por videoconferência, agendado para a próxima semana, reflete a adaptabilidade do processo investigativo diante das circunstâncias, incluindo a prisão domiciliar do ex-mandatário. A versão da defesa, que reconhece a posse da arma e justifica sua entrega para reparo, será confrontada com os detalhes da apreensão. O desfecho dessa solicitação não apenas determinará os próximos passos da investigação da 17ª Delegacia de Polícia, mas também reafirmará os princípios da responsabilização e da igualdade perante a lei, independentemente do cargo ocupado.

Para acompanhar todos os detalhes e desdobramentos deste caso, incluindo a decisão do ministro Alexandre de Moraes e o eventual depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro, fique atento às nossas próximas atualizações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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