maio 20, 2026

MP e Polícia Civil investigam contrato de wi-fi com ONG em São Paulo

© PCSP/Divulgação

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil deflagraram uma investigação conjunta sobre supostas irregularidades em um contrato de wi-fi público firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil. O acordo, avaliado em milhões de reais, tinha como objetivo a instalação, operação e manutenção de cinco mil pontos de acesso à internet gratuita em comunidades da capital paulista. No entanto, indícios de direcionamento em chamamento público, notas fiscais contestáveis e atrasos na execução do serviço levantaram sérias questões sobre a lisura do processo. A apuração busca esclarecer a aplicação de verbas públicas e a conformidade legal do convênio que visa conectar áreas vulneráveis.

A investigação e as alegações

Detalhes do contrato e atrasos
O contrato em questão, celebrado por um período de 12 meses, previa a instalação de cinco mil pontos de acesso à rede de wi-fi pública. A meta era que todos esses pontos estivessem operacionais até junho de 2025, conforme o cronograma inicial. Contudo, dados levantados pela investigação revelam que, até o momento da apuração, apenas 3.200 pontos foram efetivamente instalados, indicando um atraso significativo em relação ao plano original. A discrepância entre o planejado e o executado é ainda mais acentuada pela celebração de três aditivos contratuais em sequência, que modificaram as datas de entrega do serviço sem, aparentemente, resolver o déficit de instalação. Essa série de aditamentos é um dos pontos focais da investigação, levantando questionamentos sobre a gestão e a fiscalização do acordo. A pertinência e a justificativa para tais alterações estão sendo minuciosamente analisadas pelos órgãos fiscalizadores, buscando entender se as prorrogações foram devidamente fundamentadas ou se serviram para encobrir problemas na execução.

Suspeitas de irregularidades financeiras e direcionamento
As apurações do Ministério Público do Estado de São Paulo indicam que o Instituto Conhecer Brasil, a organização não governamental (ONG) parceira da prefeitura, teria apresentado notas fiscais consideradas irregulares, totalizando pelo menos R$ 16,5 milhões, para justificar despesas do contrato. Este valor expressivo é um dos pilares das suspeitas de fraude na execução do contrato administrativo, levantando sérias dúvidas sobre a correta aplicação dos recursos públicos. Além disso, o MPSP investiga um suposto direcionamento no chamamento público que precedeu a assinatura do acordo. Há indícios de que o processo seletivo para a escolha da ONG não teria ocorrido de forma totalmente competitiva ou imparcial, favorecendo indevidamente o Instituto Conhecer Brasil. A ausência de uma justificativa técnica ou econômica robusta para o ajuste com a organização da sociedade civil também é um ponto de atenção, sugerindo que a escolha do Instituto Conhecer Brasil pode não ter sido baseada estritamente em critérios de eficiência e custo-benefício para o erário público. O Instituto Conhecer Brasil é gerido pela jornalista e empresária Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da Go Up Entertainment, uma produtora, o que adiciona uma camada de escrutínio público à entidade e suas conexões.

Crimes sob apuração
A Polícia Civil, em conjunto com o Ministério Público, está investigando uma série de crimes graves relacionados ao contrato. Entre as infrações penais apuradas estão a frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, que se refere à manipulação de processos para favorecer um determinado concorrente, comprometendo a isonomia e a transparência. Outro crime investigado é a fraude na execução de contrato administrativo, que abrange atos ilícitos durante a implementação do acordo, como a apresentação de notas fiscais irregulares ou a não entrega dos serviços conforme o acordado. Além disso, a investigação contempla o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, delito que ocorre quando fundos públicos são utilizados de maneira indevida, desviada de seus propósitos legítimos, ou sem a devida comprovação. Esses crimes, se comprovados, podem resultar em sérias consequências para os envolvidos, tanto no âmbito da gestão pública quanto na iniciativa privada, destacando a importância da transparência e da legalidade na administração de recursos destinados a projetos de interesse social. A apuração visa determinar a responsabilidade de cada parte e garantir que os recursos públicos sejam devidamente aplicados e que a justiça seja feita.

A defesa e o posicionamento da secretaria

Monitoramento e devolução de valores
Em resposta às alegações e à investigação em curso, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia emitiu uma nota afirmando que a execução do contrato para o programa de wi-fi público é monitorada de forma rigorosa e contínua. A pasta reiterou que, até o momento, não há “nenhuma decisão definitiva ou processo administrativo que aponte a existência de irregularidades estruturais, desvios ou ilegalidades” no convênio, buscando tranquilizar a opinião pública sobre a lisura do processo. A secretaria reconheceu, no entanto, que foram identificadas inconsistências pontuais na prestação de contas do exercício de 2024. Segundo a pasta, os valores correspondentes a essas inconsistências, que somam aproximadamente R$ 930 mil, foram integralmente devolvidos ao município pelo Instituto Conhecer Brasil. Esta devolução é apresentada pela secretaria como evidência da eficácia dos seus mecanismos de fiscalização e da capacidade de correção interna, embora não aborde diretamente as demais alegações mais graves sobre direcionamento, a totalidade das notas fiscais supostamente irregulares (R$ 16,5 milhões) ou os atrasos persistentes na instalação dos pontos de wi-fi.

Experiência da ONG e a busca por respostas
A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia defendeu a escolha do Instituto Conhecer Brasil para o contrato de wi-fi público, destacando a experiência da ONG como um fator determinante e previsto no chamamento público. Segundo a secretaria, o instituto possui expertise comprovada em “inserção territorial, articulação comunitária e viabilização do acesso em locais de extrema complexidade”, características que foram consideradas fundamentais para a execução bem-sucedida do serviço em comunidades vulneráveis. A justificativa sublinha a importância de parceiros com capacidade comprovada para atuar em regiões de difícil acesso, onde a implementação de infraestrutura de conectividade exige um conhecimento aprofundado do terreno e das dinâmicas sociais locais. Apesar das explicações detalhadas da secretaria sobre o monitoramento e a experiência da ONG, a Prefeitura de São Paulo, procurada pela reportagem para comentar especificamente as investigações e as acusações levantadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, não se manifestou até o fechamento desta matéria. A ausência de um posicionamento oficial do executivo municipal deixa em aberto a percepção sobre a gravidade das denúncias.

Conclusão
A investigação em curso sobre o contrato de wi-fi público entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e o Instituto Conhecer Brasil representa um capítulo crítico na fiscalização da aplicação de recursos públicos na capital paulista. Com acusações que variam de direcionamento de chamamento público a fraudes contratuais e irregularidades financeiras de grande vulto, o caso coloca em xeque a transparência e a eficácia na gestão de projetos voltados ao benefício da população, especialmente em áreas carentes de conectividade. Enquanto o Ministério Público e a Polícia Civil prosseguem com as apurações para desvendar a extensão das supostas infrações e identificar os responsáveis, a prefeitura, por meio da secretaria envolvida, e a ONG defendem a legalidade de suas ações e a integridade do processo. A expectativa é que as investigações tragam clareza sobre as responsabilidades e garantam que a iniciativa de democratizar o acesso à internet em comunidades vulneráveis seja conduzida com a devida lisura, conforme a lei e os princípios da administração pública, assegurando que os recursos destinados a este fim cumpram seu propósito social.

Acompanhe as próximas atualizações e os desdobramentos desta importante investigação em nosso portal de notícias.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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