O experiente técnico brasileiro Mano Menezes, de 63 anos, foi oficialmente apresentado como o novo comandante da seleção masculina de futebol do Peru nesta quinta-feira (29). A Federação Peruana de Futebol (FPF) confirmou a contratação em uma coletiva de imprensa que marcou o início de um ambicioso projeto. Mano Menezes assinou um contrato de quatro temporadas, com o olhar firmemente voltado para a Copa do Mundo de 2030, que terá Espanha, Portugal e Marrocos como sedes. A chegada do treinador gaúcho representa uma aposta significativa da FPF para reestruturar o futebol da Bicolor e conduzi-la novamente ao cenário mundial, após um período de resultados aquém das expectativas.
Uma nova era para a seleção peruana
A nomeação de Mano Menezes para o comando técnico da seleção peruana sinaliza uma mudança estratégica por parte da Federação Peruana de Futebol (FPF). A aposta em um treinador com vasta experiência internacional e um currículo consolidado no futebol sul-americano e brasileiro reflete a urgência em revitalizar o desempenho da equipe nacional. A coletiva de imprensa de apresentação, realizada na noite de quinta-feira, detalhou os pormenores do acordo. O contrato de quatro anos oferece a Mano Menezes um período substancial para implementar sua filosofia de trabalho, construir uma base sólida de jogadores e preparar a equipe para os desafios futuros, culminando na campanha para a Copa do Mundo de 2030.
Mano Menezes assume a vaga deixada por Óscar Ibáñez, e sua principal missão será reverter o quadro de insucesso recente. A seleção peruana, carinhosamente conhecida como a “Bicolor” por seus torcedores, enfrentou dificuldades consideráveis nas últimas Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial. A equipe não conseguiu a classificação para a competição global deste ano, terminando na modesta nona posição na tabela. Esta colocação ficou distante das vagas de classificação direta (que contemplaram os seis primeiros colocados) e até mesmo da repescagem (destinada ao sétimo lugar), evidenciando a necessidade de uma intervenção profunda e de uma nova direção tática. A última vez que o Peru marcou presença em um Mundial foi em 2018, na Rússia, após um longo hiato de 36 anos, o que aumenta a pressão e a expectativa sobre o trabalho de Mano para recolocar a nação no cenário das grandes competições.
O desafio de recolocar o Peru no mapa mundial do futebol
O projeto de quatro anos delineado para Mano Menezes tem como horizonte a Copa do Mundo de 2030, um evento que promete ser um marco na história do futebol por sua realização em três continentes distintos. Para o Peru, a qualificação para este Mundial seria um feito de grande magnitude e representaria o sucesso da empreitada do novo treinador. Os desafios são imensos: além de elevar o nível técnico e tático da equipe, Mano terá de trabalhar na renovação do elenco, na descoberta de novos talentos e na construção de uma identidade de jogo que seja consistente e competitiva no cenário sul-americano.
A primeira tarefa do treinador será familiarizar-se com o elenco atual, observar o desempenho dos jogadores nas ligas locais e internacionais, e iniciar um processo de avaliação que o permitirá formar o grupo mais adequado para os próximos compromissos. A integração com as categorias de base da Federação Peruana de Futebol também será crucial para garantir um fluxo contínuo de novos atletas, assegurando a sustentabilidade do projeto a longo prazo. O foco estará não apenas nos resultados imediatos, mas na edificação de um legado que permita ao futebol peruano consolidar-se como uma força respeitável na CONMEBOL. O técnico terá de equilibrar a pressão por resultados rápidos, especialmente nas próximas eliminatórias, com a necessidade de desenvolver um trabalho de base e planejamento estratégico para 2030.
O retorno de Mano Menezes a uma seleção nacional
A experiência de Mano Menezes em lidar com seleções nacionais é um dos pilares de sua contratação pela FPF. O técnico brasileiro volta a comandar uma equipe nacional após 14 anos, período em que esteve à frente do escrete canarinho entre 2010 e 2012. Sua passagem pela seleção brasileira foi marcada por momentos de reconstrução e por uma tentativa de modernização do estilo de jogo. Durante este período, Mano Menezes teve a oportunidade de trabalhar com uma geração de talentos emergentes do futebol brasileiro, incluindo nomes que viriam a se tornar estrelas globais.
Um dos pontos altos de sua gestão foi a condução da equipe brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, onde a seleção conquistou a medalha de prata. Naquele elenco olímpico, figuravam jogadores de renome como Neymar, Leandro Damião, Thiago Silva, Marcelo e Hulk, entre outros. A campanha olímpica, embora não tenha culminado no ouro, demonstrou a capacidade de Mano em gerir um grupo de alta qualidade e extrair o melhor de seus atletas em um torneio de curta duração. Essa experiência em contextos de alta pressão e com jogadores de grande calibre será um trunfo valioso em seu trabalho com a seleção peruana.
A herança brasileira no comando técnico do Peru
A escolha de Mano Menezes para a seleção peruana também se insere em uma rica tradição de técnicos brasileiros que já comandaram a “Bicolor” ao longo da história. Esta não é a primeira vez que um profissional do Brasil assume as rédeas do futebol peruano, o que sugere uma afinidade cultural e tática que tem sido valorizada pela Federação Peruana de Futebol em diferentes épocas. Entre os nomes que deixaram sua marca no banco de reservas da seleção do Peru, destacam-se figuras emblemáticas do futebol brasileiro.
Marinho foi o pioneiro em 1963, abrindo caminho para outros grandes mestres. Didi, bicampeão mundial como jogador com a seleção brasileira, comandou o Peru em 1969 e 1970, levando a equipe à Copa do Mundo de 1970 no México, um dos maiores feitos da história do futebol peruano. Elba de Pádua Lima, o Tim, outro nome de peso do futebol brasileiro, esteve à frente da Bicolor entre 1981 e 1982. Mais tarde, Pepe, lendário atacante do Santos, teve sua oportunidade em 1989. Mais recentemente, Paulo Autuori dirigiu a seleção peruana de 2003 a 2005, período que também buscou a reestruturação e a competitividade. A chegada de Mano Menezes, após seu último trabalho no Grêmio entre abril e dezembro do ano passado, adiciona mais um capítulo a essa conexão futebolística entre Brasil e Peru, renovando a esperança de que a expertise brasileira possa novamente guiar a “Bicolor” rumo ao sucesso e à tão almejada vaga na Copa do Mundo.
Perspectivas e o futuro do futebol peruano
A contratação de Mano Menezes pela Federação Peruana de Futebol abre um novo e promissor capítulo para a seleção do Peru. Com um contrato de quatro anos e um planejamento focado na Copa do Mundo de 2030, a expectativa é que o experiente técnico brasileiro traga não apenas sua comprovada capacidade tática e estratégica, mas também uma mentalidade de trabalho que priorize a disciplina, a organização e o desenvolvimento de um futebol competitivo. O desafio de reerguer a “Bicolor” após um período de resultados insatisfatórios é grande, mas a vasta experiência de Mano à frente de grandes clubes e da própria seleção brasileira o qualifica para a tarefa. A torcida peruana, conhecida por sua paixão, aguarda com esperança que esta nova gestão seja o catalisador para recolocar o país entre as potências do futebol sul-americano e garantir presença nos próximos Mundiais, dando continuidade a uma rica história de influências brasileiras.
Acompanhe de perto os próximos passos de Mano Menezes e da seleção peruana em sua jornada rumo à Copa do Mundo de 2030.