agosto 7, 2026

Mais de 830 mil celulares foram subtraídos no Brasil em 2025

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A subtração de celulares, seja por roubo ou furto, continua a ser uma preocupação significativa para os brasileiros, com 830.890 ocorrências registradas em 2025. Embora esse número represente uma queda de 9% em relação às 909.753 subtrações reportadas em 2024, o cenário revela nuances importantes sobre a segurança pública e os desafios enfrentados pela população. Notavelmente, os roubos tiveram um recuo expressivo de 18,6%, passando de 377.787 para 308.723 registros. Em contraste, os furtos de aparelhos celulares apresentaram um aumento de 0,9%, totalizando 483.561 casos em 2025, contra 477.326 no ano anterior. Essa modalidade, que frequentemente ocorre sem que a vítima perceba de imediato, especialmente em locais de grande movimentação e no transporte público, já responde por 61% de todas as ocorrências de subtração de celulares no país.

O cenário da criminalidade digital no Brasil

Flutuações nos índices de roubos e furtos

O panorama da criminalidade envolvendo celulares no Brasil em 2025 apresenta dados que, à primeira vista, podem indicar uma melhora, mas que, sob análise mais profunda, revelam a persistência e a adaptação dos criminosos. A redução geral de 9% nas subtrações é impulsionada principalmente pela diminuição dos roubos, uma modalidade que geralmente envolve ameaça ou violência e que registrou 308.723 casos, uma queda considerável em comparação com os 377.787 de 2024. Este dado pode refletir a intensificação de ações policiais ou mudanças nas estratégias de segurança. No entanto, a sutil elevação dos furtos, que saltaram para 483.561 ocorrências em 2025, indica uma transição no modus operandi criminoso, concentrando-se em abordagens menos confrontadoras, mas igualmente prejudiciais. A média de aproximadamente 1.325 registros de furtos por dia em 2025 sublinha a ubiquidade e a frequência desse tipo de crime.

A crescente ameaça dos furtos de celulares

Os furtos de celulares tornaram-se a modalidade predominante na subtração de aparelhos, representando 61% do total das ocorrências em 2025. A natureza desse crime, que muitas vezes passa despercebida pela vítima no momento em que acontece, torna-o particularmente insidioso. Locais aglomerados, como centros comerciais, eventos públicos e, notadamente, o transporte coletivo, são cenários propícios para a ação de criminosos especializados. Essa tendência ressalta a vulnerabilidade da população em ambientes urbanos movimentados e a necessidade de maior atenção e cautela no uso e porte dos dispositivos. O aumento, mesmo que pequeno em percentual, em um volume tão grande de ocorrências, demonstra que a estratégia de “oportunidade” para o furto continua a ser altamente eficaz para os criminosos.

O impacto multifacetado da perda de um celular

Consequências financeiras e sociais para as vítimas

A perda de um aparelho celular vai muito além do custo de reposição do dispositivo. Para muitos brasileiros, o smartphone é o principal meio de comunicação e uma ferramenta essencial para a vida cotidiana, abrigando aplicativos bancários, plataformas de pagamento via Pix, agendas de contatos, calendários de eventos e uma vasta gama de outras funcionalidades. Quando um aparelho é roubado ou furtado, o impacto financeiro na vítima pode ser devastador. Uma pesquisa sobre a Expansão de Seguros Inclusivos em Comunidades Periféricas, realizada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pelo Instituto Locomotiva, revelou que 60% dos entrevistados já tiveram o celular levado ou conhecem alguém que passou por essa situação e não conseguiu comprar outro imediatamente. Este dado é alarmante, especialmente considerando que 53% das famílias brasileiras não conseguem cobrir todas as despesas básicas do mês, 36% pagam as contas sem nenhuma sobra e apenas 11% terminam o mês com algum recurso disponível. Nesse contexto, a reposição inesperada de um aparelho pode significar endividamento ou a realocação de recursos essenciais destinados à alimentação, transporte e moradia. Para aqueles que dependem do telefone para trabalho – seja para receber pedidos, atender clientes, fazer pagamentos ou acessar plataformas digitais – o prejuízo se estende à interrupção de dias ou semanas de renda.

Além do hardware: o risco dos dados e aplicativos

O interesse dos criminosos na subtração de celulares vai muito além do valor do equipamento físico. O verdadeiro tesouro reside nos dados e nas funcionalidades digitais que o aparelho contém. Aplicativos bancários, carteiras digitais, documentos eletrônicos e dados pessoais podem ser utilizados para uma série de crimes, como transferências financeiras não autorizadas, obtenção de empréstimos fraudulentos, invasão de redes sociais e aplicação de golpes contra contatos da própria vítima. A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha, realizada em março de 2026, revelou que 78,8% da população teme ter o celular roubado ou furtado, enquanto o receio de golpes pela internet ou pelo telefone atinge 83,2%. Essa preocupação generalizada reflete a percepção crescente sobre a extensão dos riscos digitais associados à perda de um smartphone.

Estratégias de proteção e mitigação de riscos

Ação imediata e barreiras de segurança digital

Diante da complexidade dos riscos, a resposta à subtração de um celular exige uma abordagem em duas frentes. A primeira e mais imediata é a segurança digital: bloquear o aparelho, a linha telefônica, todas as contas bancárias vinculadas ao dispositivo e os acessos a plataformas digitais. Essa ação rápida é crucial para minimizar o uso fraudulento dos dados e aplicativos contidos no aparelho. A segunda frente envolve lidar com o custo de reposição do equipamento e a eventual interrupção das atividades pessoais e profissionais que dependem dele. A combinação dessas medidas é fundamental para proteger tanto o patrimônio físico quanto o digital da vítima.

O papel dos seguros na minimização dos prejuízos

A ampliação do risco associado à perda de um celular tem impulsionado a procura por soluções de proteção, como os seguros. Sidemar Sprincigo, presidente da Comissão de Seguros Gerais Afinidades da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), destaca a necessidade de uma visão integrada. “Quando o celular é levado, o prejuízo pode ir muito além do valor do equipamento. O seguro para celular e o seguro contra golpes bancários, conhecido como seguro Pix, oferecem camadas complementares de proteção: o primeiro pode amparar a reposição do aparelho; o segundo, prejuízos decorrentes do uso fraudulento de aplicativos bancários ou de transferências sob coação, sempre nas situações previstas na apólice”, afirma. O seguro para celular pode cobrir roubo, furto qualificado e danos acidentais, conforme o plano contratado. Já o seguro Pix, focado em transações financeiras, pode prever indenizações para transferências realizadas sob coação, como em casos de ameaça, roubo ou sequestro, além de modalidades específicas de fraude eletrônica. É importante ressaltar que a proteção não é automática para todo tipo de golpe ou transferência voluntária, com eventos cobertos, limites e exclusões variando entre as diferentes apólices.

Orientação para a contratação consciente de seguros

Antes de contratar qualquer modalidade de seguro para celular ou para operações financeiras, o consumidor deve realizar uma análise criteriosa. É fundamental comparar o prêmio (valor do seguro), a franquia (valor que o segurado paga em caso de sinistro), os critérios de indenização, a eventual depreciação do aparelho, os documentos exigidos e as exclusões da apólice. Por exemplo, a diferenciação entre furto simples e furto qualificado pode ter tratamentos distintos na cobertura. Outros fatores a considerar incluem o valor de mercado e o tempo de uso do celular, bem como a indispensabilidade do aparelho para o trabalho ou estudo do segurado. Embora o seguro não impeça a ocorrência do crime nem substitua os cuidados essenciais com a segurança digital, ele se configura como uma ferramenta eficaz para reduzir o impacto financeiro de uma perda repentina, evitando que o consumidor tenha que absorver sozinho um prejuízo capaz de desorganizar o orçamento familiar.

A crescente incidência de subtrações de celulares no Brasil em 2025, apesar da leve retração geral, exige atenção contínua e estratégias multifacetadas de segurança. A priorização da proteção digital e a consideração de seguros especializados tornam-se essenciais para mitigar os riscos e garantir a resiliência financeira e digital em um cenário cada vez mais complexo.

Para proteger seu aparelho e suas finanças, informe-se sobre as melhores práticas de segurança digital e as opções de seguros disponíveis no mercado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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