setembro 20, 2026

Lamber as patas: cinco causas em cães além do hábito

Seu cão lambe muito as patas? 5 causas que vão além da 'mania'

O ato de um cão lamber as patas ocasionalmente é um comportamento natural e, muitas vezes, serve para higiene ou para aliviar uma coceira momentânea. No entanto, quando o cão lambe as patas de forma persistente, obsessiva ou por longos períodos, este hábito pode ser um sinal de alerta para problemas de saúde ou comportamentais subjacentes. Ignorar esse comportamento pode levar a complicações sérias, como infecções secundárias ou o agravamento da condição original. Entender por que um cão lambe as patas excessivamente é crucial para garantir seu bem-estar e identificar a causa raiz, que pode variar de alergias a questões psicológicas. A observação atenta do tutor, combinada com a avaliação veterinária, é fundamental para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz.

Alergias ambientais e alimentares

Alergias são uma das causas mais comuns para cães lamberem as patas incessantemente. Assim como os humanos, os cães podem desenvolver reações alérgicas a diversos elementos presentes em seu ambiente ou na sua dieta. As alergias podem ser divididas principalmente em ambientais (atópicas) e alimentares.

Detecção e manejo de alergias

As alergias ambientais são frequentemente sazonais ou podem ser persistentes, dependendo do alérgeno. Pólen, ácaros, mofo e até produtos de limpeza doméstica podem desencadear uma resposta alérgica, manifestando-se como coceira intensa, vermelhidão e inchaço nas patas. O cão, ao lamber, tenta aliviar o desconforto, mas acaba irritando ainda mais a pele e criando um ambiente propício para infecções secundárias.

Já as alergias alimentares são uma reação a ingredientes específicos na dieta do cão, sendo as proteínas as mais comuns (frango, carne bovina, laticínios, ovos, trigo, soja). Nesses casos, a lambedura excessiva das patas pode ser acompanhada de outros sintomas como coceira em outras partes do corpo, problemas gastrointestinais (vômitos, diarreia) e infecções de ouvido recorrentes. O diagnóstico geralmente envolve dietas de eliminação rigorosas, sob orientação veterinária, para identificar o alérgeno alimentar.

O tratamento para alergias varia. Para alergias ambientais, pode incluir medicamentos (anti-histamínicos, corticosteroides, imunossupressores), banhos terapêuticos, suplementos e até imunoterapia. Para alergias alimentares, a solução é a remoção permanente do ingrediente ofensivo da dieta do animal. Em ambos os casos, a prevenção de lambeduras excessivas é vital para evitar infecções secundárias e garantir a qualidade de vida do cão.

Dor, lesões e problemas ortopédicos

Quando um cão lambe as patas de forma localizada e intensa, é essencial considerar a possibilidade de dor ou uma lesão física. As patas dos cães estão constantemente expostas ao ambiente e são vulneráveis a uma série de problemas, desde pequenos ferimentos até condições mais sérias.

Sinais de dor e problemas musculoesqueléticos

Corpos estranhos, como espinhos, lascas de madeira, fragmentos de vidro ou até mesmo pequenos insetos, podem se alojar entre as almofadas plantares ou nos espaços interdigitais, causando dor aguda e levando o cão a lamber a área afetada na tentativa de remover o incômodo. Cortes, queimaduras ou abrasões também são causas comuns de lambedura localizada. A observação de inchaço, vermelhidão ou um cheiro incomum pode indicar uma infecção no local da lesão.

Além de lesões agudas, problemas ortopédicos crônicos também podem ser a raiz do problema. Artrite, displasia do cotovelo ou quadril, ou mesmo tendinite podem causar dor nas articulações das patas. O cão pode lamber a pata afetada como uma forma de autoconforto ou por estar sentindo um desconforto que irradia para a extremidade. Problemas nas unhas, como unhas encravadas, quebradas ou infecções fúngicas nas unhas (onicomicose), também são causas comuns de lambedura. O exame físico cuidadoso da pata, muitas vezes requerendo sedação em casos de dor intensa, é crucial para identificar a origem do problema. Raio-X ou outros exames de imagem podem ser necessários para diagnosticar problemas ósseos ou articulares.

Infestações parasitárias

Parasitas externos são outra causa frequente para o cão lamber as patas excessivamente. Pulgas, carrapatos e ácaros da sarna podem causar intensa coceira e irritação na pele do animal, levando-o a lamber, morder ou mastigar as patas numa tentativa desesperada de alívio.

Identificação e prevenção de parasitas

As pulgas são talvez os parasitas mais conhecidos e podem causar dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP) em cães sensíveis, onde mesmo uma única picada pode desencadear uma reação alérgica intensa, resultando em coceira generalizada, incluindo as patas. Carrapatos, embora menos propensos a causar lambedura generalizada, podem provocar irritação localizada onde estão presos à pele, levando o cão a lamber especificamente essa área.

A sarna, causada por diferentes tipos de ácaros, é particularmente problemática. A sarna demodécica e a sarna sarcóptica (escabiose) são duas das mais comuns. A sarna sarcóptica é extremamente pruriginosa e contagiosa, manifestando-se com coceira intensa, vermelhidão, crostas e perda de pelo, que frequentemente afeta as patas, orelhas e cotovelos. O cão, ao sentir a coceira excruciante, lambe e morde as patas de forma frenética.

A identificação de parasitas geralmente envolve a inspeção visual da pelagem e da pele do cão, bem como exames microscópicos de raspados de pele para detectar ácaros. A prevenção é fundamental e envolve o uso regular de produtos antiparasitários, como coleiras, pipetas, comprimidos ou sprays, conforme a recomendação do médico veterinário. A limpeza do ambiente também é importante para controlar a população de pulgas e ácaros.

Infecções fúngicas e bacterianas

Infecções na pele das patas, sejam elas fúngicas ou bacterianas, são uma consequência comum da lambedura excessiva, mas também podem ser a causa primária. A umidade constante e a lesão da barreira cutânea devido à lambedura criam um ambiente ideal para o crescimento de microrganismos.

Sinais e tratamento de infecções cutâneas

Infecções fúngicas, como as causadas por leveduras (Malassezia) ou dermatofitose (micose), são particularmente comuns nas patas. A Malassezia, por exemplo, é uma levedura que normalmente vive na pele do cão, mas pode proliferar excessivamente em condições de umidade, calor ou quando o sistema imunológico está comprometido. Os sintomas incluem vermelhidão, coceira intensa, pele oleosa, descamação e um odor adocicado característico. A área entre os dedos e as almofadas plantares é frequentemente afetada.

Infecções bacterianas (piodermite) podem surgir como resultado da auto-traumatização. A pele lesionada pela lambedura excessiva permite que bactérias, que normalmente residem na pele, entrem e causem uma infecção. Os sinais incluem pústulas, crostas, inchaço, dor e, em casos mais graves, celulite. Em alguns casos, as infecções bacterianas podem ser primárias, resultando de cortes ou feridas não tratadas.

O diagnóstico de infecções fúngicas e bacterianas envolve exames citológicos (análise de amostras da pele ao microscópio), culturas fúngicas ou bacterianas para identificar o agente causador e determinar o tratamento mais eficaz. O tratamento geralmente inclui medicamentos antifúngicos ou antibióticos, administrados oralmente ou topicamente, além de banhos terapêuticos com xampus medicados. É crucial tratar a infecção e, ao mesmo tempo, abordar a causa subjacente da lambedura para evitar recorrências.

Estresse e questões comportamentais

Além das causas físicas e alérgicas, a lambedura excessiva das patas em cães pode ter uma forte componente comportamental ou psicológica. Muitos cães utilizam a lambedura como um mecanismo de enfrentamento para lidar com o estresse, a ansiedade ou o tédio.

Entendendo a psicologia da lambedura

A ansiedade de separação é um exemplo clássico, onde o cão pode lamber as patas compulsivamente quando deixado sozinho. O tédio, especialmente em cães com alta energia que não recebem estímulo físico e mental suficiente, também pode levar a comportamentos repetitivos e compulsivos, como lamber as patas. Mudanças no ambiente, como a chegada de um novo animal de estimação ou membro da família, mudança de casa, ou ruídos altos (trovões, fogos de artifício), podem ser estressores que desencadeiam essa resposta.

A lambedura obsessiva pode evoluir para um transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) em cães, onde o comportamento se torna automutilante, mesmo após a causa original do estresse ter sido removida. Nesses casos, a lambedura pode causar lesões na pele, perda de pelo e infecções secundárias, formando um ciclo vicioso difícil de quebrar.

O tratamento para causas comportamentais envolve uma abordagem multifacetada. A modificação comportamental, através de treinamento e enriquecimento ambiental, é essencial. Isso pode incluir mais passeios, brinquedos interativos, quebra-cabeças alimentares e treinamento de obediência. Em casos de ansiedade severa, o veterinário pode recomendar o uso de feromônios apaziguadores, suplementos calmantes ou, em situações mais extremas, medicamentos ansiolíticos, sempre em conjunto com terapia comportamental. Identificar e mitigar os estressores no ambiente do cão é fundamental para resolver o problema da lambedura comportamental.

Ao notar que seu cão lambe as patas de forma excessiva, não ignore este sinal. É fundamental buscar a orientação de um médico veterinário para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado. A saúde e o conforto do seu animal de estimação dependem da sua atenção e do cuidado profissional. Agende uma consulta veterinária o quanto antes para investigar a causa da lambedura do seu cão e garantir seu bem-estar.

Fonte: https://www.noticiasaominuto.com.br

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