agosto 24, 2026

Inverno eleva risco de AVC e infarto em até 30%

Casos de AVC e infarto podem aumentar até 30% durante o inverno

Com a chegada do inverno, um alerta importante se acende no campo da saúde cardiovascular. Especialistas em cardiologia e neurologia apontam para um aumento significativo no risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio, podendo chegar a 30% em comparação com outras estações do ano. As baixas temperaturas impõem um estresse adicional ao sistema circulatório, sobrecarregando o coração e as artérias, especialmente em indivíduos com condições preexistentes. Compreender os mecanismos por trás dessa relação e adotar medidas preventivas são cruciais para proteger a saúde durante os meses mais frios, quando a incidência de AVC e infarto tende a subir consideravelmente.

A relação entre o frio e a saúde cardiovascular

O corpo humano é uma máquina complexa, e sua capacidade de se adaptar a diferentes condições ambientais é notável. No entanto, quando exposto ao frio intenso, uma série de respostas fisiológicas é desencadeada para manter a temperatura interna estável. Essas respostas, embora essenciais para a sobrevivência, podem representar um perigo considerável para o sistema cardiovascular, elevando o risco de eventos como o AVC e o infarto. A sobrecarga imposta pelo clima frio pode ser o gatilho para descompensar condições latentes ou agravar problemas existentes.

Como o corpo reage às baixas temperaturas

Para combater a perda de calor, o organismo ativa mecanismos compensatórios. Um dos mais importantes é a vasoconstrição periférica, um processo no qual os vasos sanguíneos próximos à superfície da pele se contraem. Essa contração tem o objetivo de diminuir o fluxo sanguíneo para as extremidades, direcionando-o para os órgãos vitais e minimizando a dispersão de calor. Contudo, a vasoconstrição leva a um aumento da resistência vascular periférica, o que, por sua vez, eleva a pressão arterial. O coração precisa trabalhar mais intensamente para bombear o sangue através de vasos mais estreitos e com maior resistência, resultando em uma sobrecarga cardíaca.

Além do aumento da pressão arterial, o frio também pode alterar a composição do sangue, tornando-o mais viscoso. Essa maior viscosidade, combinada com a vasoconstrição, favorece a formação de coágulos, o que é um fator de risco direto para o AVC isquêmico (quando um coágulo bloqueia o fluxo sanguíneo para o cérebro) e para o infarto (quando um coágulo obstrui uma artéria coronária). O metabolismo também se acelera para gerar calor, o que aumenta a demanda de oxigênio pelo músculo cardíaco. Em corações já comprometidos por doenças como a aterosclerose, onde as artérias estão endurecidas e estreitadas, essa demanda extra pode não ser suprida, levando à isquemia e, potencialmente, ao infarto. A frequência cardíaca pode aumentar, e em alguns casos, o frio pode até desencadear espasmos nas artérias coronárias, comprometendo ainda mais o fluxo sanguíneo.

Grupos de risco e fatores agravantes

Embora o risco de AVC e infarto aumente para a população em geral durante o inverno, certas pessoas são significativamente mais vulneráveis a esses eventos cardiovasculares. Identificar e monitorar esses grupos é fundamental para a prevenção e para a adoção de estratégias de proteção mais eficazes. A combinação de fatores de risco preexistentes com o estresse fisiológico imposto pelas baixas temperaturas cria um cenário de maior perigo.

Quem está mais vulnerável e por quê

Entre os grupos mais suscetíveis estão os idosos, cujo sistema cardiovascular já pode apresentar certo desgaste natural, com artérias menos elásticas e uma capacidade de termorregulação diminuída. Pessoas com doenças crônicas como hipertensão arterial, diabetes mellitus, colesterol elevado (dislipidemia) e obesidade também enfrentam um risco acentuado. Para os hipertensos, o aumento da pressão sanguínea induzido pelo frio pode levar a picos perigosos, enquanto os diabéticos podem ter uma circulação periférica já comprometida, dificultando a adaptação ao frio e favorecendo a formação de coágulos.

Fumantes e indivíduos com histórico familiar de doenças cardíacas ou AVC também fazem parte dos grupos de alto risco. O tabagismo danifica as paredes dos vasos sanguíneos e aumenta a coagulabilidade do sangue, enquanto a predisposição genética amplifica a vulnerabilidade. Pacientes com doenças cardiovasculares já diagnosticadas, como angina, insuficiência cardíaca ou histórico prévio de infarto ou AVC, são os mais afetados. Nesses casos, o coração e o sistema circulatório já operam no limite, e qualquer estresse adicional, como o provocado pelo frio, pode desequilibrar a situação e precipitar um evento grave. Mesmo pessoas aparentemente saudáveis, mas com hábitos de vida sedentários e dieta inadequada, não estão imunes e devem redobrar a atenção.

Sinais de alerta e a importância da prevenção

A conscientização sobre os sintomas de AVC e infarto é uma ferramenta poderosa para salvar vidas, especialmente em um período de maior risco como o inverno. O reconhecimento rápido e a busca imediata por atendimento médico podem fazer a diferença entre a recuperação completa e sequelas graves ou óbito. Além disso, a adoção de medidas preventivas simples, mas eficazes, é a melhor estratégia para mitigar os riscos associados ao frio.

Reconhecendo os sintomas e buscando ajuda imediata

Os sintomas de um AVC podem ser súbitos e incluem: fraqueza ou dormência em um lado do corpo (face, braço ou perna); dificuldade para falar ou entender a fala (disartria ou afasia); confusão mental; problemas de visão em um ou ambos os olhos; tontura, perda de equilíbrio ou coordenação; e dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente. Para auxiliar na identificação, utiliza-se o acrônimo FAST (do inglês, Face, Arm, Speech, Time): F de face caída, A de braço que não consegue levantar, S de fala arrastada e T de tempo, indicando a urgência de ligar para o serviço de emergência.

Já os sintomas de um infarto podem variar, mas os mais comuns são: dor ou desconforto no peito que pode se espalhar para os braços (especialmente o esquerdo), costas, pescoço, mandíbula ou estômago; falta de ar; suores frios; náuseas ou vômitos; e tontura ou desmaio. É crucial entender que, em ambos os casos, cada minuto conta. A chamada “janela de tempo” para intervenções eficazes é curta, e o atraso no atendimento pode resultar em danos permanentes ou fatais. Não hesite em ligar para o serviço de emergência (192 ou 193) ao identificar qualquer um desses sinais, mesmo que leves.

Medidas preventivas essenciais no inverno

A prevenção é a melhor abordagem para proteger a saúde cardiovascular nos meses frios. Em primeiro lugar, é fundamental manter o corpo aquecido. Use roupas em camadas, gorros, luvas e cachecóis, especialmente ao sair de casa. Evite mudanças bruscas de temperatura, como sair de um ambiente aquecido diretamente para o frio intenso. A hidratação adequada é importante, pois o ar seco do inverno e a menor sensação de sede podem levar à desidratação, que também pode aumentar a viscosidade do sangue.

Mantenha uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais e grãos integrais, e evite o excesso de alimentos gordurosos e ricos em sódio. A prática regular de exercícios físicos deve ser mantida, mas com adaptações: prefira atividades em ambientes fechados ou em horários mais quentes do dia, e sempre aqueça bem o corpo antes de iniciar. Pessoas com doenças crônicas devem manter rigorosamente o acompanhamento médico e o uso da medicação prescrita, ajustando doses se necessário sob orientação profissional. A vacinação contra a gripe também é recomendada, pois infecções respiratórias podem sobrecarregar o coração e agravar condições preexistentes. Reduzir o estresse, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool são medidas que beneficiam a saúde cardiovascular em qualquer época do ano, mas se tornam ainda mais críticas durante o inverno.

Um chamado à atenção para a saúde no inverno

O aumento dos casos de AVC e infarto no inverno não é uma fatalidade, mas sim um fenômeno previsível que exige atenção redobrada. As baixas temperaturas impõem desafios adicionais ao sistema cardiovascular, sobrecarregando o coração e aumentando os riscos de eventos graves, especialmente para grupos vulneráveis. No entanto, a informação e a prevenção são as maiores aliadas. Ao entender como o corpo reage ao frio, quais são os principais fatores de risco e como identificar os sinais de alerta, é possível agir proativamente para proteger a saúde.

A conscientização sobre os mecanismos fisiológicos, a identificação dos grupos de risco e a adoção de medidas preventivas simples, mas eficazes, podem fazer uma diferença significativa na redução da incidência de AVC e infarto. O inverno é uma estação que convida ao aconchego, mas também ao cuidado e à responsabilidade com a própria saúde. Ao seguir as recomendações de aquecimento, hidratação, alimentação saudável e acompanhamento médico, a população pode desfrutar dos meses frios com mais segurança e tranquilidade.

Para mais informações sobre como proteger sua saúde cardiovascular no inverno e conhecer os fatores de risco, consulte seu médico ou um especialista e mantenha-se informado.

Fonte: https://www.noticiasaominuto.com.br

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