setembro 22, 2026

Ex-secretário de Bolsonaro tenta retorno de marqueteiro à pré-campanha de Flávio

Wajngarten disse que o ex-marqueteiro de Flávio foi 'sabotado pela política'

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República enfrenta um período de intensa articulação nos bastidores, marcado pela recente saída de um importante nome do setor de marketing e pela subsequente tentativa de reversão dessa decisão. Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social no governo de Jair Bolsonaro, revelou publicamente seus esforços para convencer o marqueteiro Marcello Lopes a reconsiderar seu afastamento. Ele defende a permanência de Lopes, considerando-o fundamental para a equipe. Essa movimentação ocorre em meio a uma crise política que envolve o senador, a captação de recursos para um filme sobre seu pai e as controvérsias relacionadas ao dono de uma instituição financeira, Daniel Vorcaro, adicionando camadas de complexidade e incerteza ao cenário político que cerca a candidatura.

Movimentações na pré-campanha de Flávio Bolsonaro

A saída de Marcello Lopes e a tentativa de reversão

O advogado Fabio Wajngarten anunciou nesta quarta-feira que está engajado na tentativa de fazer o marqueteiro Marcello Lopes “reconsiderar” sua decisão de deixar a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma publicação em rede social, Wajngarten expressou sua crença de que Lopes é “a pessoa certa para a função”, destacando suas qualidades. “Ele é calmo e agregador e possui a confiança e amizade do Flávio”, declarou o ex-secretário de Comunicação Social.

Wajngarten detalhou seus esforços para que “Marcellão” reconsiderasse. Ele também revelou um plano alternativo, caso não obtenha êxito: sugerir alguém de confiança de Lopes, que já tenha tido contato prévio com o grupo. O ex-secretário enfatizou sua preocupação com outros nomes que teriam surgido como possíveis substitutos, afirmando que “os nomes que pipocam como candidatos a assumir a tarefa não servem” e que seu telefone “derrete” para que nenhum desses seja considerado. Wajngarten ainda teceu elogios ao marqueteiro, descrevendo-o como “ótimo” e uma “alma boa”, mas que foi “sabotado pela política”.

Marcello Lopes, por sua vez, havia comunicado mais cedo sua saída da pré-campanha. O publicitário informou que seu afastamento se dava para “focar na própria empresa e priorizar os seus negócios”. Lopes, que é amigo pessoal do senador, relatou ter passado toda a tarde da última quarta-feira com o parlamentar, ocasião em que comunicou sua decisão. Após o desligamento, o marqueteiro informou que retornaria aos Estados Unidos. A saída de Lopes da pré-campanha de Flávio ocorre após uma crise desencadeada pelo vazamento de uma conversa entre o senador e o dono de um banco.

Cenário de crise: o elo com o Banco Master e o filme “Dark Horse”

O vazamento das conversas e a Operação Compliance Zero

A crise que precedeu a saída de Marcello Lopes da pré-campanha está diretamente ligada ao vazamento de comunicações entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário de uma instituição financeira. No dia 13 do mês em curso, foi noticiado que Flávio teria trocado mensagens com Vorcaro com o objetivo de captar financiamento para o filme “Dark Horse”, uma produção cinematográfica que abordará a história de Jair Bolsonaro.

A situação ganhou contornos mais graves quando, no dia 19, foi revelado que o parlamentar havia se encontrado com o banqueiro após sua primeira prisão, ocorrida em novembro de 2025. A prisão de Vorcaro se deu no contexto da Operação Compliance Zero, deflagrada para investigar supostas fraudes envolvendo o banco que ele comanda. Flávio Bolsonaro confirmou a visita em declaração a jornalistas, explicando o motivo do encontro. “Eu estive com ele, mais uma vez, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico e não poderia sair da cidade de São Paulo”, disse o senador. Ele justificou a ida ao encontro para “botar um ponto final” na história e expressar que, se tivesse sido avisado da gravidade da situação de Vorcaro, teria buscado outro investidor muito antes, evitando que o filme corresse risco.

Os detalhes do financiamento e a defesa do senador

O filme “Dark Horse” seria financiado por Daniel Vorcaro com um aporte significativo. Segundo as informações divulgadas, o proprietário do banco teria se comprometido a repassar US$ 24 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões à época. Desse montante total, ao menos US$ 10 milhões teriam sido efetivamente pagos entre fevereiro e maio de 2025.

As mensagens que vieram a público revelaram detalhes da negociação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Em outubro de 2025, o senador chegou a cobrar o banqueiro, indicando que a produção estava “no limite” financeiro. Os diálogos também apontaram para a realização de um encontro na residência de Vorcaro, em São Paulo, no dia 2 de novembro de 2025. A reunião teria contado com a presença do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh, evidenciando o envolvimento direto de personalidades da indústria cinematográfica no projeto.

Apesar da ampla repercussão e das controvérsias geradas, Flávio Bolsonaro tem defendido publicamente a captação de recursos para o filme. Durante um evento de lançamento de uma pré-candidatura ao Senado, em 15 de novembro, o parlamentar justificou o investimento privado na obra. Na ocasião, ele aproveitou para criticar o uso de verba pública para o que qualificou como “propaganda política”, citando como exemplo o desfile de uma escola de samba que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval de 2026. Na mesma aparição pública, Flávio também dirigiu críticas à agência de notícias que divulgou inicialmente as conversas, classificando sua equipe como “suspeita” e acusando-a de tentar “interceptar o futuro do país”.

Implicações políticas e o futuro da campanha

A saída de Marcello Lopes, a tentativa de Wajngarten de reverter essa decisão e, principalmente, a crise envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, configuram um período de desafios consideráveis para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A necessidade de estabilizar a equipe de comunicação e marketing em um momento tão sensível é crucial, especialmente diante das repercussões negativas que podem advir de controvérsias financeiras e políticas. A defesa pública do senador em relação ao investimento no filme, concomitantemente às suas críticas sobre o uso de recursos públicos em outras frentes políticas, demonstra uma estratégia de gestão de crise que busca reafirmar seus princípios, mas que também abre flancos para novos questionamentos. O desdobramento das articulações de Wajngarten e a forma como a campanha lidará com as questões levantadas pela imprensa serão determinantes para a imagem e a trajetória política de Flávio Bolsonaro nos próximos meses.

Para acompanhar as atualizações sobre os bastidores da política e os movimentos da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, continue ligado em nossa cobertura jornalística.

Fonte: https://jovempan.com.br

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