fevereiro 9, 2026

Estados Unidos retiram Alexandre de Moraes da lista de sanções Magnitsky

Raul Holderf Nascimento

A diplomacia internacional registrou um marco significativo nesta sexta-feira (11) com a remoção oficial do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, da lista de sanções da Lei Global Magnitsky. Administrada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, a exclusão também abrangeu sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e a empresa familiar Lex Instituto de Estudos Jurídicos Ltda. Esta medida põe fim a restrições territoriais e financeiras impostas desde 30 de julho, que limitavam transações em dólar, negócios com instituições americanas e a entrada em território norte-americano. A decisão encerra um período de tensões diplomáticas e sinaliza uma possível reconfiguração das relações entre Brasil e Estados Unidos. A remoção das sanções Magnitsky é vista como um passo crucial para a normalização das interações bilaterais e para o reaquecimento de pautas estratégicas que estavam paralisadas.

O histórico das sanções e seus desdobramentos

A imposição inicial sob a administração Trump

As sanções contra Alexandre de Moraes foram inicialmente impostas em julho pela administração do então presidente Donald Trump. As alegações que justificaram a inclusão do ministro na lista da Lei Global Magnitsky estavam diretamente ligadas a supostas violações de direitos humanos. Entre as justificativas apresentadas pelo governo americano, destacou-se o papel de Moraes como relator da ação que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. Além disso, decisões proferidas pelo ministro que ordenaram a retirada de conteúdos de diversas redes sociais, muitas das quais possuem servidores hospedados nos Estados Unidos, também foram citadas como motivos para as restrições.

Essas medidas impostas por Washington desencadearam uma crise diplomática sem precedentes na relação bilateral entre Brasil e EUA, gerando um período de instabilidade e incerteza no cenário político internacional. A inclusão na lista Magnitsky implicou uma série de proibições significativas para os envolvidos. Entre elas, destacam-se a impossibilidade de realizar negócios em dólar, a proibição de transações com instituições financeiras americanas e a restrição de entrada em território norte-americano, afetando diretamente a vida pessoal e profissional de Alexandre de Moraes, sua esposa e a empresa familiar. A ação do governo Trump foi um ponto de alta tensão, exigindo uma resposta coordenada de Brasília.

A articulação diplomática e o caminho para a reversão

Diálogos de alto nível e a pressão brasileira

A reversão das sanções foi o resultado de uma intensa e prolongada articulação diplomática, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde setembro, o presidente brasileiro e o ex-presidente americano Donald Trump mantiveram diálogos frequentes e estratégicos, visando encontrar uma solução para a crise. Em uma das conversas mais recentes e decisivas, ocorrida em 2 de dezembro, o presidente Lula teria enfatizado a Trump que a normalização completa das relações bilaterais dependia crucialmente da retirada das sanções Magnitsky. Além disso, o presidente brasileiro também pautou a revisão das tarifas de 40% impostas a produtos brasileiros, buscando um acordo comercial mais equitativo.

Fontes do governo americano indicaram que Trump, pessoalmente, ordenou à sua equipe que desse prioridade e avançasse nas tratativas com o Brasil, abrindo caminho para o gesto diplomático observado nesta sexta-feira. Em Brasília, havia uma percepção crescente de que a remoção das sanções a Moraes era apenas uma questão de tempo, especialmente porque o tema deixou de ser um ponto de discórdia nas conversas entre as chancelarias e nas negociações com o Itamaraty. Esse silêncio sobre o assunto, que antes dominava a pauta, sinalizou um entendimento mútuo e a proximidade de uma resolução positiva, fruto das negociações intensas e dos esforços diplomáticos de ambos os lados.

O projeto de lei da dosimetria como pretexto

Um elemento-chave que pavimentou o caminho para a retirada das sanções foi a aprovação do projeto de lei da dosimetria na Câmara dos Deputados no Brasil. Esse projeto, que tem o potencial de reduzir as penas de condenados pelo 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi interpretado pelo governo dos Estados Unidos como uma oportunidade política estratégica. A percepção foi de que essa medida legislativa brasileira permitiria aos EUA remover as sanções sem que isso enfraquecesse o peso simbólico e a credibilidade da Lei Magnitsky no cenário internacional.

Em uma declaração que precedeu a decisão de remoção, o subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, afirmou que o projeto seria “um primeiro passo para combater abusos judiciais usados para fins políticos”. Essa fala foi amplamente interpretada como uma aparente justificativa antecipada para a subsequente remoção das sanções, fornecendo um argumento que alinhava a decisão americana com os princípios da Lei Magnitsky. Essa interpretação estratégica por parte dos Estados Unidos facilitou a manobra diplomática, fornecendo uma base para a reversão sem parecer ceder a pressões externas de forma irrestrita, mantendo a face e a força da legislação americana.

Implicações e o futuro das relações bilaterais

Revés para aliados de Bolsonaro

A decisão de retirar Alexandre de Moraes da lista de sanções representa um revés significativo para a estratégia política liderada por figuras como o deputado Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo. Ambos vinham exercendo pressão contínua sobre a Casa Branca para que as penalidades fossem mantidas, com o objetivo de minar a atuação política do ministro no cenário brasileiro. A manutenção das sanções era vista como um instrumento para fragilizar a posição do ministro e, consequentemente, influenciar a dinâmica política interna do Brasil.

Em uma entrevista concedida no final de outubro, Eduardo Bolsonaro chegou a expressar que qualquer reversão da medida seria uma “surpresa”, argumentando que as denúncias contra Moraes estavam “robustamente documentadas”. Essa linha de argumentação demonstrava a expectativa de que as sanções permaneceriam em vigor. A concretização da remoção, portanto, desarticula essa linha de ação e altera o cenário esperado por esses aliados políticos, que agora terão que recalibrar suas estratégias diante da nova realidade diplomática. O episódio demonstra a complexidade das relações internacionais e seus impactos nas políticas domésticas.

Nova era nas relações Brasil-EUA

A remoção da sanção a Alexandre de Moraes é vista como um catalisador para uma nova fase nas relações entre Brasil e Estados Unidos. A medida destrava importantes negociações em diversas áreas, incluindo comércio e segurança. O governo americano, sob a administração Trump, está empenhado em desenvolver um plano conjunto com o Brasil para o combate ao crime organizado em todo o continente americano. Essa iniciativa prevê uma robusta cooperação policial e financeira, visando desmantelar redes de tráfico e esquemas de lavagem de dinheiro que operam transnacionalmente, fortalecendo a segurança regional.

Outro ponto crucial em pauta é a potencial suspensão de tarifas sobre produtos brasileiros, que poderia culminar em um novo e abrangente acordo comercial bilateral. A expectativa é que esse acordo seja finalizado nos próximos 90 dias, com um anúncio conjunto previsto para o primeiro trimestre de 2026, envolvendo os presidentes Lula e Trump. Fontes ligadas ao governo americano sugerem que a administração republicana acredita que esse acordo contribuirá para a redução do custo de vida nos Estados Unidos, uma das principais metas da nova gestão. Essa nova era promete intensificar as parcerias estratégicas entre os dois países, com benefícios mútuos em diversas frentes.

Restrições remanescentes e expectativas futuras

Apesar do avanço diplomático desta sexta-feira, é importante notar que a decisão de remover Alexandre de Moraes da lista Magnitsky não foi acompanhada de anúncios sobre o levantamento de restrições de visto para outros membros do Supremo Tribunal Federal (STF). Da mesma forma, a isenção das tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras permanece em vigor, sendo mantida como um instrumento de pressão nas negociações. Essas restrições continuam a ser pontos de discussão na agenda bilateral, indicando que a normalização total ainda tem etapas a serem cumpridas.

No entanto, o cenário político sugere que a recente medida pode ser o primeiro passo de um pacote mais amplo. Existe uma forte expectativa de que novos anúncios sejam feitos nos próximos dias, à medida que a normalização das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos continue a se desenvolver. Esses futuros comunicados poderiam abranger as demais restrições, consolidando uma reconfiguração completa das dinâmicas entre os dois países. A expectativa é que o ritmo das negociações acelere, resultando em mais acordos e na remoção das barreiras remanescentes, pavimentando o caminho para uma parceria mais sólida e abrangente.

A remoção do ministro Alexandre de Moraes da lista de sanções Magnitsky marca um ponto de inflexão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O desfecho reflete a complexa interação entre questões domésticas, como o projeto de lei da dosimetria no Brasil, e uma intensa diplomacia de alto nível entre os presidentes Lula e Trump. Este passo, embora não abranja todas as restrições pendentes, abre caminho para uma era de maior cooperação, especialmente nas áreas de comércio e segurança. A decisão reconfigura o panorama político para atores internos e externos, sinalizando uma nova dinâmica que promete impactar a agenda bilateral nos próximos meses, com possíveis anúncios adicionais que podem consolidar esta fase de reaproximação.

Para ficar por dentro das próximas etapas dessa importante relação diplomática e de suas consequências, continue acompanhando as notícias.

Fonte: https://www.conexaopolitica.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Milão foi palco de intensas manifestações na sexta-feira, pouco antes da aguardada cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno…

fevereiro 6, 2026

A Polícia Federal (PF) divulgou um laudo técnico crucial que conclui pela desnecessidade de transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro do…

fevereiro 6, 2026

A polícia do Reino Unido executou mandados de busca e apreensão em dois endereços conectados a Peter Mandelson, uma figura…

fevereiro 6, 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu uma intensa agenda em Salvador nesta sexta-feira (6), marcada por importantes compromissos…

fevereiro 6, 2026

O cenário político brasileiro para as próximas eleições começa a se desenhar com declarações estratégicas de figuras importantes. Gilberto Kassab,…

fevereiro 5, 2026

A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou um parecer significativo ao Supremo Tribunal Federal (STF), manifestando-se favoravelmente à prática da pejotização…

fevereiro 5, 2026