julho 27, 2026

Dino bloqueia R$ 119 milhões de Valdemar por suspeitas em emendas

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (10) o bloqueio de bens no valor de R$ 119 milhões pertencentes a Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL). A medida é um desdobramento crucial da Operação Transparência, conduzida pela Polícia Federal (PF), que investiga possíveis desvios e indicações irregulares de emendas parlamentares. A decisão judicial ressalta a grave suspeita de que Valdemar Costa Neto, mesmo sem ocupar atualmente um mandato parlamentar, teria atuado ativamente no direcionamento de recursos públicos. Este bloqueio de bens, portanto, visa assegurar o ressarcimento aos cofres públicos caso as acusações de conduta ilícita sejam confirmadas ao longo do processo. A investigação aprofunda o escrutínio sobre a influência política exercida por figuras sem mandatos legislativos. A apuração detalha como a estrutura partidária poderia ter sido utilizada para essas manobras.

A operação Transparência e as suspeitas de irregularidades
O papel de Valdemar Costa Neto na indicação de emendas
As investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Transparência, levantaram sérias suspeitas sobre o envolvimento de Valdemar Costa Neto na indicação de emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino, em sua decisão, destacou que Costa Neto, apesar de ser ex-deputado federal e não possuir um mandato eletivo atualmente, parece ter exercido influência direta no redirecionamento de valores públicos. Dino afirmou que “Consoante atestam diálogos em aplicativos de mensagens e numerosas planilhas compartilhadas entre os investigados, Valdemar Costa Neto, sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos”. Esta afirmação aponta para um esquema onde a ausência de um cargo legislativo formal não impediu a suposta manipulação de recursos públicos, sugerindo uma teia de influência que transcende as prerrogativas de um parlamentar.

A apuração da PF detalhou que as indicações irregulares de emendas ocorriam por intermédio de servidores da Câmara dos Deputados. Funcionários da liderança do Partido Liberal, de acordo com a investigação, entravam em contato com uma servidora responsável pelo registro das emendas, Mariângela Fialek, solicitando a inclusão das indicações de recursos em nome de Valdemar Costa Neto. Um dos interlocutores diretos apontados pela investigação é Garigham Amarante Pinto, que teria contatado Mariângela Fialek para verificar a formalização das indicações. Uma mensagem descoberta pelos investigadores revela Garigham cobrando Mariângela: “Fechou o valor do Pres Valdemar?”, uma provável referência ao presidente do PL. A servidora respondeu: “Se puder trocar tudo turismo ótimo”, e Garigham replicou: “24 milhões tá bom”. Esse diálogo, para a Polícia Federal e o STF, indica uma coordenação explícita para o direcionamento dos fundos, sugerindo que os valores estavam sendo negociados e alocados sob a suposta influência de Costa Neto. O teor das mensagens é um dos pilares da acusação que culminou no bloqueio dos bens, configurando um modus operandi que está sendo exaustivamente investigado pelas autoridades.

Detalhes das emendas e a defesa de Costa Neto
Os valores bloqueados e seus destinos
O material apreendido e analisado pela Polícia Federal revelou que 21 emendas parlamentares foram registradas em nome de Valdemar Costa Neto, totalizando os R$ 119 milhões que foram alvos do bloqueio determinado pelo Supremo Tribunal Federal. Esse montante foi congelado com o objetivo de garantir o ressarcimento integral aos cofres públicos, caso as investigações resultem em uma condenação do presidente do PL. A relevância dessa medida reside na precaução jurídica para evitar a dissipação de ativos em meio ao processo. As emendas em questão foram registradas para os anos de 2024, 2025 e 2026, o que sugere um planejamento de longo prazo para a destinação desses recursos e um possível esquema continuado de indicações.

Entre as indicações, a de maior valor, R$ 24 milhões, foi direcionada ao município de Porto Seguro, na Bahia, um popular destino turístico. Em seguida, destacam-se duas emendas que somam R$ 26,8 milhões para a cidade de Suzano, em São Paulo, divididas em R$ 15,8 milhões e R$ 11 milhões, indicando um foco em cidades de médio e grande porte. Outras localidades também foram contempladas com indicações de emendas supostamente vinculadas a Valdemar Costa Neto, incluindo Mogi das Cruzes (SP), a capital Rio de Janeiro (RJ), Caraguatatuba (SP) e Dom Eliseu (PA). A distribuição geográfica e os valores expressivos levantaram o alerta dos investigadores sobre a extensão e a sistemática das alegadas indicações irregulares, que abrangiam diversas regiões do país e somavam cifras consideráveis do erário público.

A manifestação do ministro Flávio Dino e a resposta da defesa
Ao justificar a decisão de bloqueio dos bens de Valdemar Costa Neto, o ministro Flávio Dino enfatizou a ausência de qualquer respaldo legal para que o ex-deputado pudesse realizar indicações de emendas. Dino foi categórico ao afirmar que “A espantosa ascendência que alguns servidores da Câmara dos Deputados parecem atribuir ao investigado Valdemar Costa Neto contrasta com a ausência de título jurídico que lhe permita dispor do orçamento público, sejam quais forem os valores, sejam quais forem os seus destinatários”. Essa declaração sublinha a ilegalidade do ato de indicação de emendas por quem não possui mandato e a preocupação do STF com a indevida influência sobre o orçamento. A análise do ministro destaca a gravidade da suposta conduta, que desvirtuaria o propósito das emendas parlamentares.

Em contrapartida, a defesa de Valdemar Costa Neto emitiu uma nota à imprensa, refutando veementemente as acusações e criticando a decisão de Dino. Os advogados declararam que a determinação do ministro foi fundamentada em “premissas frágeis e inferências subjetivas”. A defesa argumentou que o presidente do PL não cometeu qualquer crime e que não há “qualquer prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso”. A equipe jurídica de Costa Neto mantém a posição de que as ações do político foram lícitas e que as acusações carecem de embasamento probatório sólido, prometendo lutar para reverter o bloqueio e provar a inocência do seu cliente perante a justiça.

Perspectivas e o futuro da investigação
O bloqueio de R$ 119 milhões nos bens de Valdemar Costa Neto pelo ministro Flávio Dino representa um avanço significativo na Operação Transparência e no combate a supostas irregularidades no direcionamento de emendas parlamentares. A decisão do STF sublinha a vigilância do sistema judicial sobre a influência política exercida por indivíduos sem mandato formal, reafirmando o princípio da legalidade na gestão do orçamento público. Enquanto a Polícia Federal prossegue com as diligências para elucidar todas as circunstâncias das indicações, a defesa de Costa Neto mantém-se firme na negação de qualquer ilicitude, preparando-se para contestar as acusações. Este caso, portanto, promete desdobramentos importantes que poderão redefinir os limites da atuação política e a fiscalização dos recursos públicos no Brasil, impactando a percepção de transparência e integridade na política nacional.

Acompanhe em nosso portal todas as atualizações sobre a Operação Transparência e os próximos passos deste importante caso de desvio de emendas parlamentares, que segue em profunda investigação.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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