fevereiro 8, 2026

CPMI do INSS pauta quebras de sigilo bancário e fiscal do Banco Master

Parlamentares pedem informação sobre relação do banco com instituições financeiras.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) prepara-se para uma votação crucial nesta quinta-feira (5), com foco em requerimentos que podem desvendar supostas irregularidades em grande escala. Entre as propostas de maior impacto estão os pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal relacionados ao Banco Master, uma medida que promete aprofundar a apuração de esquemas fraudulentos. A iniciativa, liderada por parlamentares como o senador Eduardo Girão (Novo-CE) e deputados da bancada do Novo, busca detalhar o fluxo financeiro da instituição, incluindo contas, investimentos, bens e direitos. Esta ação se insere no contexto de uma investigação abrangente sobre possíveis fraudes na concessão de crédito consignado a aposentados e pensionistas, onde mais de 250 mil contratos vinculados ao Banco Master já apresentam fortes indícios de anomalias, como contratações sem a devida autorização dos beneficiários. A expectativa é que a análise desses pedidos direcione os próximos passos da comissão, visando a responsabilização dos envolvidos e a proteção dos segurados diante de práticas abusivas e ilícitas que drenam recursos previdenciários.

Quebra de sigilo e crédito consignado sob análise

Os requerimentos contra o Banco Master

Os pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal do Banco Master são o cerne da agenda da CPMI desta quinta-feira. Propostos pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) e pela bancada do Novo, os requerimentos visam obter informações financeiras detalhadas da instituição. Os parlamentares solicitaram acesso a dados de contas, investimentos, bens, direitos e valores mantidos pelo Banco Master em diversas instituições financeiras. O objetivo principal é rastrear a movimentação de recursos e identificar possíveis desvios ou operações irregulares que possam estar ligadas aos indícios de fraude no crédito consignado.

A CPMI tem focado na investigação de mais de 250 mil contratos de empréstimos consignados que teriam sido realizados com o Banco Master e que apresentam sérios indícios de irregularidades. Dentre os problemas apontados, destacam-se casos de contratação sem a expressa autorização dos aposentados e pensionistas, evidenciando uma prática que lesa diretamente os beneficiários da previdência social. A quebra de sigilo é vista como uma ferramenta indispensável para desvendar a complexa teia de relações financeiras e empresariais por trás dessas operações, que causam prejuízos milionários e afetam a dignidade de milhares de idosos e pessoas vulneráveis. A expectativa é que, com esses dados, a comissão possa traçar um panorama completo das operações do banco no mercado de consignados e verificar a extensão das supostas fraudes.

Conexões aéreas e empresariais

Além dos requerimentos focados diretamente no Banco Master, a comissão também se debruçará sobre uma solicitação da deputada Coronel Fernanda (PL-MT). Este pedido direciona-se à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e busca informações sobre o histórico de voos e passageiros de aeronaves registradas em nome da empresa Viking Participações Ltda. A relevância dessa empresa para a investigação reside em sua ligação com o empresário Daniel Vorcaro, cuja atuação tem sido frequentemente citada nos trabalhos da CPMI.

A justificativa para a análise dessas informações é apurar possíveis conexões entre a operação do Banco Master no mercado de crédito consignado e eventuais desvios de recursos, utilizando-se de estruturas empresariais diversas. A movimentação de aeronaves e a identificação de passageiros podem revelar padrões de deslocamento e encontros que contribuam para elucidar os vínculos entre os diferentes atores e empresas envolvidos nos esquemas de fraude. A comissão busca compreender se a Viking Participações Ltda. e seus ativos foram utilizados em alguma etapa das supostas irregularidades, ou se há uma rede de relações que aponte para a participação de Daniel Vorcaro nos eventos sob investigação, tornando o levantamento desses dados um passo estratégico para o avanço das apurações.

Pedidos de prisão e medidas cautelares

Ex-ministro na mira da CPMI

Entre as propostas mais severas em análise pela CPMI, destacam-se os requerimentos que solicitam a representação por prisão preventiva do ex-ministro do Trabalho e Previdência, José Carlos Oliveira. Ele é um dos principais nomes investigados na Operação Sem Desconto, que já apura diversas irregularidades. O deputado Rogério Correia (PT-MG) é o autor de um desses pedidos, argumentando que há um risco iminente de interferência nas investigações em andamento, além da possibilidade de fuga do ex-ministro. A gravidade das acusações e a potencial influência que uma figura pública de seu calibre poderia exercer sobre testemunhas ou provas justificam, na visão do parlamentar, a necessidade de uma medida tão drástica quanto a prisão preventiva. A Operação Sem Desconto já revelou um complexo esquema de fraudes, e a CPMI busca garantir que a apuração não seja comprometida.

O grupo dos “Golden Boys”

Outro conjunto de requerimentos de grande impacto diz respeito a medidas cautelares e à prisão preventiva de um grupo de investigados, batizado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) como “golden boys”. Esses indivíduos são apontados como responsáveis por associações que teriam aplicado descontos indevidos em benefícios previdenciários, causando prejuízos estimados em cerca de R$ 714 milhões aos cofres públicos e aos próprios beneficiários. O grupo inclui Felipe Macedo Gomes, Américo Monte Júnior, Igor Dias Delecrode, Anderson Cordeiro de Vasconcelos e Marco Aurélio Gomes Júnior.

As propostas em votação incluem não apenas a prisão preventiva, mas também a retenção de passaportes e a proibição de saída do país para esses suspeitos. Essas medidas são consideradas essenciais para evitar a evasão e assegurar que os investigados permaneçam à disposição da Justiça e da CPMI para prestar os devidos esclarecimentos. A magnitude do prejuízo e a natureza da fraude, que atinge diretamente a renda de aposentados e pensionistas, conferem urgência à análise desses requerimentos, que buscam coibir a continuidade das ações ilícitas e garantir que os responsáveis sejam devidamente processados e punidos.

Agenda da comissão e depoimentos cruciais

Adiamento do depoimento de Daniel Vorcaro

A agenda da CPMI para esta semana sofreu uma importante alteração. O depoimento do empresário Daniel Vorcaro, inicialmente previsto para esta quinta-feira (5), foi adiado para o dia 26 de fevereiro. A decisão foi anunciada pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), após uma reunião com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. O ministro é o relator de processos que envolvem o Banco Master, o que indica a complexidade e a delicadeza das investigações que circundam o empresário e a instituição financeira. O adiamento visa alinhar os procedimentos da comissão com as determinações do STF, garantindo a legalidade e a efetividade do depoimento, que é considerado crucial para o esclarecimento das relações entre Vorcaro e as supostas fraudes.

O depoimento do presidente do INSS

Com a mudança na agenda, a CPMI ouvirá nesta quinta-feira apenas o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Ele deverá prestar esclarecimentos detalhados sobre os contratos de crédito consignado que estão sob investigação e as medidas que o instituto tem adotado para combater as suspeitas de fraude. A expectativa é que Waller Júnior apresente um panorama da situação interna do INSS, as ferramentas de fiscalização em vigor e as ações implementadas para proteger os beneficiários de novas irregularidades. Sua participação é fundamental para que a comissão compreenda a perspectiva da autarquia previdenciária diante das descobertas e das denúncias.

A reunião está marcada para as 9 horas, no plenário 2 da ala Nilo Coelho, no Senado Federal, local onde se espera que sejam debatidos intensamente os próximos passos da investigação e as estratégias para responsabilizar os envolvidos. A presença do presidente do INSS é vital para fornecer o contexto operacional das fraudes e as dificuldades enfrentadas pelo instituto para coibi-las, complementando as informações que os pedidos de quebra de sigilo e os requerimentos de prisão pretendem desvendar.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito demonstra, com a pauta desta quinta-feira, a determinação em aprofundar as investigações sobre as fraudes no INSS. A votação dos pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal do Banco Master, juntamente com as solicitações de prisão e medidas cautelares contra ex-ministros e outros investigados, representa um passo decisivo na busca por transparência e responsabilização. A complexidade dos esquemas, que envolvem desde o crédito consignado até conexões empresariais e movimentações aéreas, exige uma apuração minuciosa e coordenada. A presença do presidente do INSS reforça o compromisso em entender a dimensão do problema e implementar soluções eficazes para proteger aposentados e pensionistas. Este é um momento crucial para o sistema previdenciário brasileiro, que anseia por justiça e integridade em suas operações.

Mantenha-se informado sobre os progressos da CPMI do INSS e a busca por integridade no sistema previdenciário brasileiro.

Fonte: https://jovempan.com.br

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