maio 14, 2026

Ciro Nogueira reage a operação da PF e acusa perseguição

Em entrevista à Jovem Pan, Ciro Nogueira disse que sua relação com Daniel Vorcaro era igual à...

O senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) manifestou-se veementemente nesta sexta-feira (8) após ter sido alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A ação faz parte de uma investigação que apura supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Nogueira, que também preside nacionalmente o Progressistas, classificou a medida como uma “tentativa de manchar” sua “honra pessoal” e uma “perseguição política” orquestrada em ano eleitoral, visando prejudicar líderes nas pesquisas de intenção de votos. O parlamentar reiterou sua inocência e comparou o episódio a eventos passados, reforçando sua determinação em continuar servindo a população do Piauí.

A investida da Polícia Federal e a defesa do senador

Reação de Ciro Nogueira diante das acusações

A Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Operação Compliance Zero, tendo o senador Ciro Nogueira como um dos alvos. Em sua declaração, o parlamentar expressou profunda indignação, descrevendo a ação como uma estratégia para descredibilizá-lo. “Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, afirmou Ciro Nogueira, traçando um paralelo com o episódio de 2018, quando a PF realizou busca e apreensão em dois endereços a ele relacionados em Teresina, no Piauí. Naquela ocasião, o senador foi alvo da Operação Lava Jato, em uma ação que surgiu após acordos de colaboração premiada com empresários da Odebrecht.

Nogueira relembra que o caso de 2018 foi, em sua visão, uma “perseguição política” que, ironicamente, gerou um “efeito contrário” ao pretendido. “Crescemos seis pontos na pesquisa e vencemos aquela eleição”, declarou o senador, sublinhando a resiliência de seu eleitorado. Ele também enfatizou que, naqueles autos, sua “inocência” foi “comprovada”. Em dezembro de 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou a denúncia contra ele, após o ministro Dias Toffoli determinar a anulação de todas as provas obtidas por meio dos acordos de leniência da Odebrecht, que foram consideradas inválidas por decisões judiciais posteriores.

Diante da nova investida, Ciro Nogueira reforçou sua convicção e compromisso com o serviço público. “Suportar esse tipo de pressão só é possível para quem nasceu para servir o povo. E, eu digo: nada me faz abandonar o povo que confia em mim”, afirmou. O senador concluiu sua manifestação dizendo que “esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí e não deixar que os maus governem sobre os bons”, agradecendo o apoio recebido e destacando sua postura de “cidadão completamente indignado”.

Acusações e elo com o Banco Master

Detalhes da Operação Compliance Zero e o papel de Ciro Nogueira

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a quinta fase da Operação Compliance Zero em 7 de março, detalha as suspeitas contra o senador Ciro Nogueira. Segundo as investigações, o parlamentar teria atuado em favor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em troca de “vantagens econômicas indevidas”. As apurações buscam esclarecer a extensão dessa suposta relação e os benefícios que teriam sido concedidos ao grupo financeiro em troca de apoio político.

Questionado anteriormente sobre sua proximidade com Daniel Vorcaro, em fevereiro, Ciro Nogueira afirmou que sua relação com o banqueiro era similar à de “qualquer político em Brasília tem com banqueiros”, buscando normalizar a interação. Ele também foi indagado sobre uma emenda que apresentou visando ampliar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão. O senador defendeu a proposta, assegurando que a medida não beneficiaria especificamente o Banco Master, mas que “apenas corrige um problema existente há 10 anos” no sistema financeiro, visando fortalecer a proteção aos depositantes e investidores de forma geral. A investigação, contudo, busca determinar se houve alguma correlação entre essa proposição legislativa e as supostas vantagens indevidas.

Entenda o colapso do Banco Master e suas implicações

Cronologia das irregularidades e a liquidação extrajudicial

A Operação Compliance Zero está intrinsecamente ligada à grave crise e subsequente liquidação do Banco Master e suas subsidiárias. Em 18 de novembro de 2023, o Banco Central (BC) interveio de forma decisiva, determinando a liquidação extrajudicial de diversas instituições do grupo, incluindo Banco Master S/A, Banco Master de Investimentos S/A, Banco Letsbank S/A e Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. A medida foi tomada após a identificação de indícios de irregularidades financeiras e uma grave crise de liquidez que ameaçava a estabilidade do sistema.

Como parte desse processo, o Will Bank, braço digital do Master, teve seu encerramento forçado em 21 de janeiro, evidenciando a extensão do problema. A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal na mesma data da liquidação extrajudicial do Banco Master, 18 de novembro de 2023, com o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Antecipando a deflagração da operação, Daniel Vorcaro, o banqueiro-alvo das investigações, foi preso um dia antes devido à possibilidade de fuga. Embora tenha sido solto posteriormente com o uso de tornozeleira eletrônica, Vorcaro foi detido novamente em 4 de março, indicando a persistência das preocupações das autoridades.

As investigações revelaram que a instituição financeira praticava a oferta de Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade significativamente acima da média de mercado. Para sustentar essa prática insustentável, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações complexas que inflavam artificialmente seu balanço financeiro, enquanto, na realidade, a liquidez da instituição se deteriorava rapidamente. Os episódios envolvendo o Banco Master, assim como a gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são considerados os mais graves do sistema financeiro brasileiro recente. Eles não apenas expuseram fraudes, mas também geraram tensões e desafios para a coordenação entre órgãos como o STF, o Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central e a Polícia Federal. Em meio a esse cenário complexo, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou, em 17 de janeiro, o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank, com um valor total a ser pago em garantias que soma expressivos R$ 40,6 bilhões, evidenciando a magnitude do impacto financeiro.

Desdobramentos e o cenário político

A reiteração das acusações contra Ciro Nogueira e a persistência da Operação Compliance Zero marcam um período de intensa turbulência para o senador e o Progressistas, partido que ele preside nacionalmente. A postura de Nogueira, que insiste na tese de “perseguição política” e na tentativa de minar sua liderança em ano pré-eleitoral, reflete a tensão inerente à fusão entre o judiciário, as investigações financeiras e o panorama político. A defesa de sua honra e a alegação de inocência, baseada em decisões anteriores do STF que anularam provas contra ele, são elementos centrais de sua estratégia de enfrentamento.

O desenrolar desta operação não apenas terá implicações diretas na carreira política de Ciro Nogueira, um dos nomes mais influentes do Piauí e do cenário nacional, mas também serve como um lembrete da complexidade das relações entre poder, finanças e ética. A resposta do senador, que promete redobrar seus esforços em prol do Piauí e do Brasil, aponta para uma batalha contínua pela sua imagem e legado, enquanto as autoridades prosseguem com as investigações para esclarecer as supostas fraudes no Banco Master e suas conexões. A sociedade acompanha atentamente, esperando por transparência e justiça em um dos casos mais graves do sistema financeiro brasileiro recente.

Para acompanhar todos os desdobramentos desta e de outras operações que impactam o cenário político e financeiro do Brasil, continue lendo nossa cobertura jornalística.

Fonte: https://jovempan.com.br

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