junho 18, 2026

Ciro nogueira confirma repasse de R$ 14 milhões de fundo ligado à Refit para empresa familiar

Senador Ciro Nogueira

Uma ampla investigação da Polícia Federal (PF) sobre um complexo esquema de sonegação fiscal e corrupção envolvendo a Refit, um conglomerado do setor de combustíveis liderado por Ricardo Magro, revelou um repasse financeiro de R$ 14,2 milhões. O valor foi transferido de um dos fundos associados ao grupo diretamente para uma empresa familiar do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que inclusive carrega o nome do parlamentar. Questionado sobre a transação, Ciro Nogueira confirmou o pagamento, justificando que se tratava da venda de um terreno para a construção de uma distribuidora de combustíveis, em uma operação que, segundo ele, foi regular e devidamente declarada às autoridades competentes. A descoberta faz parte da Operação Sem Refino, que apura crimes de lavagem de dinheiro, sonegação de ICMS e fraudes.

O cerne da investigação: Refit e o repasse milionário

A Polícia Federal intensifica a apuração de um dos maiores esquemas de sonegação e corrupção do país, que tem como protagonista o conglomerado Refit. Controlado por Ricardo Magro, o grupo é apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz de impostos do Brasil, com um passivo tributário que ultrapassa R$ 26 bilhões. No decorrer dessa investigação, que culminou na autorização da Operação Sem Refino pelo Supremo Tribunal Federal (STF), um repasse de R$ 14,2 milhões chamou a atenção dos investigadores.

A transação e a versão de Ciro Nogueira

O montante de R$ 14,2 milhões foi rastreado da empresa Athena, identificada como a principal beneficiária de um dos fundos ligados à Refit, o EUV Gladiator. A destinatária do repasse foi a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis, uma empresa que leva o nome do senador Ciro Nogueira e é de propriedade de seus familiares. A contabilidade analisada pela PF, entretanto, não especificava o motivo detalhado do pagamento, nem fornecia informações pormenorizadas sobre o negócio, o que indica a necessidade de aprofundamento das investigações neste ponto.

O senador Ciro Nogueira, ao ser procurado, confirmou a existência da transação financeira. Em sua defesa, ele explicou que o valor se refere à venda de um terreno de mais de 40 hectares, adquirido com o propósito de edificar uma distribuidora de combustíveis. Ciro Nogueira assegurou que a operação foi conduzida de forma regular, com todos os trâmites legais cumpridos e devidamente declarada às autoridades. Embora o senador não figure atualmente entre os sócios majoritários da empresa que leva seu nome, ele afirmou que, na época da negociação – que, segundo o parlamentar, ocorreu em 2024 – detinha apenas 1% de participação na firma.

Os múltiplos focos da Operação Sem Refino

A Operação Sem Refino, desencadeada pela Polícia Federal com autorização do STF, abrange uma vasta rede de suspeitas de fraudes, sonegação de ICMS e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Além do repasse à empresa da família de Ciro Nogueira, a investigação lançou luz sobre figuras proeminentes e o modus operandi do grupo Refit.

O império Refit e seus desafios legais

Ricardo Magro, líder do conglomerado Refit, é o principal alvo da Operação Sem Refino. Com dívidas fiscais bilionárias, Magro é investigado por liderar um complexo esquema de fraudes. Um mandado de prisão foi expedido contra ele, mas o empresário encontra-se atualmente no exterior e é considerado foragido, tendo seu nome incluído na lista de procurados da Interpol. As investigações da PF detalham como a Refit utilizava uma estrutura intrincada de fundos e empresas, incluindo a Athena e o fundo EUV Gladiator, com conexões que chegavam até holdings offshore, para operacionalizar as supostas ilegalidades. Essa estrutura sofisticada dificultava o rastreamento dos recursos e das responsabilidades, caracterizando um esquema de alta complexidade.

Conexões políticas e outras ramificações

A Operação Sem Refino não se restringe ao núcleo da Refit. Entre os outros alvos da ação policial está o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), cujas possíveis ligações com o esquema estão sendo apuradas.

Adicionalmente, a investigação revelou outro repasse significativo: R$ 1,3 milhão de uma empresa também ligada à Refit para Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro. Jonathas ocupou o cargo de Secretário-Executivo da Casa Civil durante a gestão de Ciro Nogueira no governo Bolsonaro, atuando como seu principal auxiliar e subordinado direto. A Polícia Federal notou que os valores creditados a Jonathas foram rapidamente transferidos ao próprio beneficiário final, um padrão que, para os investigadores, é típico de uma “empresa de passagem”. A análise da PF aponta para a ausência de despesas operacionais compatíveis com uma atividade declarada de consultoria, como folha de pagamento ou estrutura administrativa relevante, o que levanta suspeitas sobre a natureza desses pagamentos. Jonathas foi alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Refino.

Embora um ex-assessor de Ciro Nogueira tenha sido alvo de busca e apreensão na Operação Sem Refino, o senador em si não foi um dos alvos diretos desta ação. No entanto, Ciro Nogueira já havia sido objeto de uma busca e apreensão no início do mês, em uma operação distinta, a Compliance Zero. Essa operação apura fraudes no Banco Master, e a PF alegou que o senador teria recebido “vantagens indevidas”, com pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, em troca de auxílio a projetos no Congresso.

Próximos passos na investigação

As revelações da Operação Sem Refino delineiam um cenário complexo de desvios e corrupção que toca diversas esferas do poder e do setor privado. A investigação da Polícia Federal, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, segue em curso e promete aprofundar as análises sobre os repasses financeiros, a estrutura de dívidas da Refit e as conexões políticas envolvidas. O pagamento de R$ 14,2 milhões à empresa da família de Ciro Nogueira é um dos pontos que exigirá maior escrutínio, dada a ausência de detalhes contábeis sobre sua finalidade. A busca por transparência e a responsabilização dos envolvidos são os pilares que guiam as próximas etapas, visando desmantelar o esquema e recuperar os valores devidos ao erário público.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta complexa investigação e outras notícias de interesse público. Acompanhe as atualizações para entender as implicações das ações da Operação Sem Refino no cenário político e econômico do país.

Fonte: https://jovempan.com.br

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