junho 23, 2026

China liberta membros da Igreja Zion, mas mantém líderes detidos

Conexão Política

Pequim, China – Nove membros da Igreja Zion foram libertados após o término do período máximo de detenção investigativa permitido pela legislação chinesa. Contudo, os nove líderes da congregação continuam detidos e agora enfrentam novas e mais graves acusações de operações religiosas ilegais e fraude, um desenvolvimento que intensifica a perseguição religiosa no país. A libertação dos fiéis ocorre em meio a uma ofensiva mais ampla contra comunidades religiosas não registradas no país, com a Igreja Zion sendo um alvo proeminente. A organização religiosa, uma das maiores redes de igrejas domésticas da China, tem sido alvo constante das autoridades, que veem suas atividades como uma ameaça ao controle estatal sobre a vida religiosa.

Ações do regime chinês e as libertações

A recente libertação de nove membros da Igreja Zion marca um ponto de virada na saga judicial que envolve a congregação, mas não significa o fim da pressão exercida pelas autoridades chinesas. Os fiéis libertados, identificados como Sun Cong, Liu Jiang, Li Shengjuan e Wei Yunfei, estavam sob custódia no centro de detenção de Beihai, na província de Guangxi, desde outubro de 2025. Seus familiares os aguardavam ansiosamente do lado de fora das instalações prisionais, e relatos indicam que todos apresentavam boa condição física e mental, um alívio em meio à incerteza de suas detenções.

O cenário das detenções

As prisões em massa que atingiram a Igreja Zion começaram de forma coordenada entre os dias 9 e 11 de outubro de 2025. Naquele período, aproximadamente 30 pastores e membros da comunidade religiosa foram detidos em uma série de operações noturnas e simultâneas, que se estenderam por diversas regiões do território chinês. Entre os detidos de maior destaque estava o pastor fundador Ezra Jin Mingri. Ele foi preso em Beihai após uma batida em sua residência por uma dezena de agentes. As acusações iniciais contra os detidos foram enquadradas como “uso ilegal de informações da internet”, uma infração diretamente ligada ao recém-implementado Código de Conduta Online para Profissionais Religiosos. Este código, em vigor desde setembro de 2025, restringe severamente a disseminação de conteúdos religiosos online, permitindo-a apenas por meio de canais previamente aprovados e regulamentados pelo Estado. A brutalidade e a escala dessa ofensiva foram descritas por observadores internacionais como as mais severas contra cristãos na China desde o ano de 2018, sinalizando um endurecimento na política de controle religioso.

Novas acusações contra os líderes

Enquanto alguns membros obtiveram a liberdade, o destino dos nove líderes da Igreja Zion permanece incerto e complexo. Eles foram transferidos para a Procuradoria do Povo do Distrito de Yinhai e agora enfrentam um conjunto de acusações muito mais graves: “operações comerciais ilegais” e “fraude”. Essas novas imputações representam um salto significativo em termos de penalidade potencial, abrindo caminho para um processo criminal formal e sentenças mais pesadas. O regime chinês justifica as novas acusações alegando que as atividades de treinamento bíblico e as coletas de fundos realizadas pela igreja constituem operações comerciais não autorizadas, operando fora da legalidade estatal. A defesa dos líderes nega veementemente todas as acusações, argumentando que as atividades da igreja não têm fins lucrativos e que os recursos recebidos são exclusivamente doações voluntárias dos fiéis, sem caráter comercial. No entanto, o acesso completo aos autos do processo ainda é negado à defesa, dificultando a preparação de uma estratégia jurídica eficaz e levantando preocupações sobre a transparência do sistema judicial.

A Igreja Zion e a repressão religiosa

A Igreja Zion não é apenas uma congregação; ela representa um movimento significativo no cenário religioso chinês e um ponto focal da repressão governamental contra as igrejas domésticas. A sua história de crescimento e resistência reflete os desafios enfrentados por milhões de fiéis que optam por não se submeter à supervisão estatal.

Histórico e crescimento da Zion

Fundada em Pequim pelo pastor Ezra Jin Mingri, um intelectual com formação na Universidade de Pequim e em seminários nos Estados Unidos, a Igreja Zion rapidamente se consolidou como uma das maiores e mais influentes redes de igrejas domésticas do país. Com um crescimento notável, a congregação expandiu sua presença para cerca de quarenta cidades, reunindo aproximadamente dez mil fiéis. As igrejas domésticas são comunidades que se recusam a se registrar junto ao Estado, o que, sob a legislação chinesa, as torna automaticamente ilegais e sujeitas a vigilância e perseguição. A resistência da Zion à interferência estatal é de longa data. Em 2018, a igreja foi oficialmente proibida após se opor veementemente à instalação de câmeras de vigilância em sua sede na capital chinesa. Desde então, para sobreviver, a Zion passou a operar de forma fragmentada, dividida em pequenos grupos que realizam cultos presenciais clandestinamente e utilizam plataformas digitais para transmissões e comunhão, o que paradoxalmente a tornou um alvo direto do novo código de conduta online para profissionais religiosos.

O novo código de conduta online

O Código de Conduta Online para Profissionais Religiosos, implementado em setembro de 2025, representa uma ferramenta legal fundamental para o controle do governo chinês sobre as expressões religiosas digitais. Esta legislação visa consolidar o monopólio estatal sobre o discurso religioso na internet, garantindo que apenas conteúdos e canais aprovados pelo Estado possam operar. Para igrejas como a Zion, que dependem cada vez mais das plataformas digitais para manter a comunicação entre seus membros e para a realização de atividades de adoração e ensino, este código impõe restrições draconianas. Ele efetivamente criminaliza a difusão de mensagens religiosas que não se alinham com a narrativa oficial ou que não sejam transmitidas através de plataformas licenciadas. A Igreja Zion, ao utilizar transmissões por plataformas digitais para contornar a proibição de encontros físicos em grande escala, tornou-se um alvo primordial dessa nova legislação, o que culminou nas acusações de “uso ilegal de informações da internet” que inicialmente foram feitas contra seus membros.

A defesa da igreja e o acesso legal

Diante das acusações de “operações comerciais ilegais” e “fraude”, a Igreja Zion mantém uma postura firme de negação. A defesa argumenta que todas as atividades da igreja, incluindo os treinamentos bíblicos e a arrecadação de fundos, não possuem caráter comercial. Pelo contrário, são descritas como expressões de fé e comunidade, com os recursos provenientes de doações voluntárias dos fiéis, destinadas ao sustento da obra religiosa e assistencial, e não ao lucro. A principal dificuldade para a defesa, no entanto, é a falta de acesso completo aos autos do processo. Essa barreira impede que os advogados dos líderes presos compreendam a fundo as evidências apresentadas pela acusação, preparem uma defesa robusta e contestem as imputações de forma eficaz. A transparência do processo judicial é um pilar fundamental em qualquer sistema legal, e a restrição ao acesso à informação levanta sérias dúvidas sobre a equidade do julgamento que se avizinha para os líderes da Igreja Zion.

Conclusão

A libertação de nove membros da Igreja Zion oferece um breve alívio, mas a manutenção da prisão de seus líderes e as novas acusações mais graves sublinham a persistente e intensificada repressão religiosa na China. Este caso ilustra a complexidade da situação enfrentada por comunidades de fé não registradas, que buscam praticar sua religião fora do controle estatal. A batalha legal e a resistência da Igreja Zion continuam, simbolizando a luta mais ampla pela liberdade religiosa em um ambiente cada vez mais restritivo.

Para entender mais sobre os direitos humanos na China e o impacto da repressão religiosa, acesse fontes independentes e organizações de monitoramento.

Fonte: https://www.conexaopolitica.com.br

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