maio 14, 2026

Bolsonaro deve ter alta nesta quinta e retornar à cela na PF

© Bruno Peres/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro, internado desde a véspera de Natal para uma série de procedimentos cirúrgicos, está programado para receber alta médica na manhã desta quinta-feira, 1º de fevereiro. A confirmação foi dada pela equipe médica responsável pelo seu acompanhamento, condicionada à ausência de novas intercorrências. Com a alta do hospital, o ex-presidente Jair Bolsonaro retornará à Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde cumpre pena após condenação em processo relacionado à trama golpista. Sua internação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que pudesse passar pelos tratamentos necessários. Este retorno marca o encerramento de um período de cuidados intensivos, focado tanto em questões cirúrgicas quanto no manejo de problemas crônicos que o afligem há meses.

Procedimentos cirúrgicos e o plano de alta

Desde sua internação no Hospital DF Star, na capital federal, em 24 de dezembro, o ex-presidente Jair Bolsonaro passou por diversas intervenções médicas. A principal delas foi a cirurgia de hérnia inguinal, realizada no dia seguinte à sua entrada na unidade. A hérnia inguinal é uma condição comum que ocorre quando uma porção do intestino ou gordura abdominal se projeta através de uma fraqueza na parede abdominal, na região da virilha. O procedimento cirúrgico visou corrigir essa fragilidade e reposicionar os tecidos, aliviando o desconforto e prevenindo complicações futuras. A recuperação dessa cirurgia tem sido monitorada de perto, com a equipe médica avaliando diariamente seu progresso.

Recuperação da cirurgia de hérnia

A equipe médica tem expressado satisfação com a evolução pós-operatória da cirurgia de hérnia inguinal. A expectativa é que, após a avaliação de rotina na manhã desta quinta-feira, as condições clínicas do ex-presidente permitam sua liberação hospitalar. O cardiologista Brasil Caiado, integrante do corpo clínico, destacou que “a princípio, a alta já está programada, salvo alguma intercorrência”, sinalizando um quadro estável. Após a confirmação da alta, a Superintendência da Polícia Federal será notificada para proceder com o translado, encerrando a fase hospitalar e dando início ao período de recuperação e autocuidado na carceragem.

A complexa batalha contra os soluços

Um dos problemas de saúde mais persistentes e de difícil controle enfrentados pelo ex-presidente durante sua internação foi uma crise crônica de soluços. Essa condição, que o acomete há meses, gerou grande desconforto e demandou múltiplas abordagens terapêuticas. Na tentativa de conter os soluços, Bolsonaro foi submetido a ao menos três cirurgias de bloqueio do nervo frênico, estrutura responsável pelo controle do diafragma, músculo essencial para a respiração. No entanto, os resultados desses procedimentos não foram totalmente satisfatórios, levando a equipe médica a reavaliar a origem do problema.

Investigação e tratamento do nervo frênico

O cirurgião Claudio Birolini explicou que, apesar do bloqueio do diafragma de ambos os lados ter diminuído a intensidade dos soluços, a crise não cessou completamente. Essa observação levou à conclusão de que o estímulo para os soluços não se origina “do pescoço para baixo”, mas sim “do pescoço para cima”, ou seja, é provavelmente de origem no sistema nervoso central. Este entendimento alterou a estratégia de tratamento, afastando a possibilidade de um bloqueio definitivo do nervo frênico e direcionando para terapias que atuem em um nível mais central. O tratamento prosseguirá com medicação e outras terapias alternativas, buscando controlar a condição a longo prazo.

O impacto psicológico dos soluços

Além do desconforto físico, a persistência dos soluços tem um impacto significativo no estado psicológico do ex-presidente. Os médicos observaram uma “piora considerável nos momentos de soluços prolongados”, com ele demonstrando um abatimento notável durante os períodos de crise. O cardiologista Brasil Caiado descreveu que “ele fica bem abatido nas noites ou nos dias que ele passa com soluços. É o pior estágio.” Reconhecendo a influência dessa condição em seu bem-estar emocional, a equipe médica introduziu o uso de medicamentos antidepressivos, a pedido do próprio ex-presidente. A expectativa é que essa medicação comece a fazer efeito nos próximos dias, auxiliando no manejo do humor e da saúde mental.

Outros diagnósticos e o autocuidado na prisão

Durante o período de internação, outros problemas de saúde foram diagnosticados e tratados. Um boletim médico recente revelou que o ex-presidente realizou uma endoscopia digestiva alta, exame que evidenciou a persistência de esofagite e gastrite. A esofagite é a inflamação do esôfago, enquanto a gastrite é a inflamação do revestimento do estômago, ambas condições que podem causar dor, queimação e refluxo. O manejo dessas condições geralmente envolve mudanças na dieta e medicamentos para reduzir a acidez gástrica.

Esôfagite, gastrite e apneia do sono

Outro diagnóstico relevante é a apneia obstrutiva do sono, uma condição em que a respiração é interrompida repetidamente durante o sono. Para tratar essa condição, o ex-presidente passou a usar um aparelho médico conhecido como CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas). O CPAP funciona fornecendo um fluxo constante de ar através de uma máscara, mantendo as vias aéreas abertas e impedindo as paradas respiratórias e o ronco. Claudio Birolini informou que Bolsonaro se adaptou bem ao uso do CPAP, relatando ter dormido melhor. O uso contínuo do aparelho é indicado enquanto ele estiver na carceragem, e ele será liberado do hospital já com o dispositivo.

Rotina e adaptação na Superintendência da PF

Com a alta, o autocuidado passará a ser de responsabilidade do ex-presidente em sua cela na Polícia Federal, embora o acompanhamento médico possa ser solicitado ou realizado sempre que necessário. A equipe médica notou uma mudança positiva em sua disciplina. “Ele está mais disciplinado, entendeu a importância de colaborar em relação à alimentação, a não deitar depois de comer, que é um ponto que gera muito refluxo, comendo de forma mais adequada, mais fracionada,” disse Brasil Caiado. A cela de Bolsonaro na PF, recentemente reformada, possui cerca de 12 metros quadrados, equipada com paredes brancas, uma cama de solteiro, armários, mesa de apoio, televisão, frigobar, ar condicionado, janela e banheiro privativo, oferecendo condições para sua recuperação e a continuidade dos tratamentos.

Perspectivas médicas e o retorno à rotina

O período de internação hospitalar de Jair Bolsonaro foi marcado por uma série de desafios médicos, que incluíram desde procedimentos cirúrgicos complexos para hérnia e soluços, até o diagnóstico e manejo de condições crônicas como esofagite, gastrite e apneia do sono. A equipe médica demonstrou um esforço contínuo para estabilizar seu quadro de saúde, lidando com a complexidade de cada condição e seu impacto no bem-estar físico e psicológico. Com a iminente alta, o ex-presidente retornará à sua rotina na Superintendência da Polícia Federal, onde deverá seguir as recomendações médicas para o autocuidado e a continuidade dos tratamentos em curso, visando a recuperação completa e a manutenção de sua saúde.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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