agosto 7, 2026

Andar descalço no inverno: o que aumenta o risco de gripe?

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A chegada do inverno e a consequente queda das temperaturas trazem consigo uma série de mitos e verdades populares sobre a saúde, especialmente no que tange à prevenção de doenças respiratórias. É comum, por exemplo, ouvir recomendações para evitar andar descalço no inverno ou tomar “friagem” sob o risco de ficar gripado. Embora o senso comum muitas vezes associe o frio diretamente ao adoecimento, a ciência moderna oferece uma perspectiva mais nítida e detalhada sobre os verdadeiros fatores que elevam a suscetibilidade à gripe e a outros quadros virais durante os meses mais frios. Este artigo jornalístico visa desmistificar essas crenças e apresentar informações claras, detalhadas e objetivas sobre o tema.

Mitos e verdades sobre o frio e a imunidade

A relação entre temperatura e vírus
Contrariamente à crença popular, o frio em si não é o causador direto da gripe ou do resfriado. Essas doenças são provocadas por vírus – como o vírus influenza, responsável pela gripe, e os rinovírus, principais agentes dos resfriados. O que ocorre é que as condições típicas do inverno podem criar um ambiente mais propício para a transmissão e proliferação desses patógenos, além de, em certos contextos, comprometer ligeiramente as defesas do corpo.

Em baixas temperaturas, as pessoas tendem a passar mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação, facilitando a circulação de gotículas respiratórias contendo vírus entre indivíduos. Além disso, o ar mais seco do inverno pode ressecar as mucosas do trato respiratório, tornando-as menos eficazes como barreira contra a entrada de microrganismos. Estudos também indicam que alguns vírus, como o da gripe, sobrevivem por mais tempo em ambientes frios e com baixa umidade, aumentando o período em que podem ser transmitidos. Portanto, não é o ato de sentir frio que diretamente causa a doença, mas sim o aumento da exposição aos vírus em um contexto em que o ambiente e algumas respostas fisiológicas podem favorecer a infecção.

O impacto da hipotermia e do estresse corporal
É fundamental distinguir entre a sensação de “friagem” e uma condição de hipotermia ou estresse térmico significativo. Breves exposições ao frio, como andar descalço por alguns minutos dentro de casa em um dia frio, geralmente não são suficientes para causar um impacto severo no sistema imunológico de uma pessoa saudável. O corpo humano possui mecanismos robustos de termorregulação que rapidamente atuam para manter a temperatura interna estável.

No entanto, a exposição prolongada e severa ao frio, que pode levar à hipotermia, é uma situação completamente diferente. A hipotermia é uma condição de emergência em que o corpo perde calor mais rapidamente do que consegue produzi-lo, resultando em uma temperatura corporal perigosamente baixa. Nesses casos, o organismo entra em um estado de estresse fisiológico extremo, e diversas funções corporais, incluindo a imunidade, podem ser comprometidas. Sob essas condições extremas, a capacidade do corpo de combater infecções pode ser reduzida, tornando o indivíduo mais vulnerável a vírus e bactérias caso seja exposto a eles. Para a maioria das pessoas, as condições de frio cotidianas não atingem esse patamar de risco.

Fatores reais que elevam a suscetibilidade à gripe no inverno

A proliferação de vírus em ambientes fechados
O comportamento humano é um dos maiores impulsionadores da propagação de doenças respiratórias no inverno. Com o frio, as janelas e portas ficam fechadas, e as aglomerações em espaços internos – como escolas, escritórios, transporte público e shoppings – aumentam significativamente. Essa proximidade e a falta de renovação do ar criam um “caldo de cultura” ideal para a transmissão de vírus por meio de gotículas expelidas pela tosse, espirro ou até mesmo pela fala. A inalação dessas gotículas por pessoas suscetíveis é a principal via de infecção para a gripe e o resfriado. Além disso, os vírus podem persistir em superfícies por horas ou dias, e o contato das mãos com essas superfícies contaminadas, seguido pelo toque nos olhos, nariz ou boca, é outra rota comum de infecção.

Respostas fisiológicas do corpo ao inverno
As baixas temperaturas podem induzir algumas respostas fisiológicas que, embora não causem a doença diretamente, podem diminuir a eficácia das defesas do corpo contra os vírus. O ar frio e seco, por exemplo, pode levar ao ressecamento das mucosas do nariz e da garganta. Essas mucosas, revestidas por cílios e muco, são a primeira linha de defesa do sistema respiratório, capturando e expulsando partículas estranhas e microrganismos. Quando ressecadas, sua função protetora é comprometida, facilitando a adesão e penetração viral.

Adicionalmente, algumas pesquisas sugerem que o ar frio pode causar uma vasoconstrição (estreitamento dos vasos sanguíneos) nas vias aéreas superiores, o que pode reduzir o fluxo sanguíneo e, consequentemente, a chegada de células imunes para combater uma infecção incipiente. Outro fator é a menor exposição à luz solar durante o inverno, o que pode levar à deficiência de vitamina D, um nutriente crucial para a modulação do sistema imunológico.

Higiene e hábitos de vida
A higiene pessoal desempenha um papel crucial na prevenção de doenças respiratórias. A lavagem frequente das mãos com água e sabão (ou uso de álcool em gel) é uma das medidas mais eficazes para remover vírus e bactérias. A etiqueta respiratória – cobrir a boca e o nariz com um lenço ou com o antebraço ao tossir ou espirrar – evita a dispersão de gotículas contaminadas.

Além disso, um estilo de vida saudável é um pilar fundamental para manter o sistema imunológico robusto. Isso inclui uma alimentação balanceada e rica em nutrientes, ingestão adequada de líquidos, sono de qualidade e gerenciamento do estresse. A vacinação anual contra a gripe é, sem dúvida, a medida preventiva mais importante e eficaz para reduzir o risco de adoecimento grave e complicações.

Estratégias eficazes para a prevenção de doenças respiratórias

Para se proteger de gripes e resfriados durante o inverno, o foco deve estar em medidas comprovadamente eficazes, que vão muito além da preocupação com andar descalço ou tomar friagem. O investimento em hábitos saudáveis e a adoção de precauções sanitárias são a chave para fortalecer o organismo e minimizar a exposição aos patógenos. É essencial priorizar a ventilação dos ambientes, mesmo nos dias frios, e assegurar a higienização das mãos de forma rotineira.

Manter a saúde em baixas temperaturas exige uma abordagem abrangente, que reconheça os verdadeiros mecanismos de infecção. Em vez de temer o frio em si, é mais produtivo concentrar-se na construção de uma imunidade resiliente e na interrupção das cadeias de transmissão viral. A vacinação anual contra a gripe é um pilar inquestionável dessa estratégia preventiva, oferecendo proteção contra as cepas mais prevalentes da doença.

Ao compreender que a gripe é uma doença viral e que seu contágio depende da exposição a um agente infeccioso, e não apenas da temperatura ambiente, podemos adotar uma postura mais informada e proativa. A prevenção eficaz passa por medidas de saúde pública e individual que combatam os fatores reais de risco, garantindo um inverno mais saudável e seguro para todos.

Mantenha-se informado e proteja sua saúde durante o inverno. Acesse mais dicas e informações sobre bem-estar e prevenção de doenças respiratórias em nosso portal.

Fonte: https://www.noticiasaominuto.com.br

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