março 13, 2026

Temporada paralímpica: atletismo e judô são destaques

© Cris Mattos/CPB/Direitos Reservados

O esporte paralímpico brasileiro vivenciou um ano de marcos notáveis, consolidando-se como uma potência global no cenário. Este período, o primeiro do novo ciclo para os Jogos de Los Angeles em 2028, foi palco de performances históricas em diversas modalidades. Com o atletismo e o judô assumindo protagonismo, o Brasil celebrou a liderança em quadros de medalhas de Campeonatos Mundiais, demonstrando a força e a resiliência de seus atletas. Contudo, o ano também foi marcado por tensões nos bastidores, especialmente no tênis de mesa, evidenciando a complexidade dos desafios enfrentados pelos esportistas.

O ano de grandes conquistas

Início promissor nos esportes de inverno
O calendário de 2024 já começou com brilho para o esporte paralímpico brasileiro. Em fevereiro, o jovem Cristian Ribera, atleta rondoniense, fez história ao se sagrar campeão mundial de esqui cross country. A vitória ocorreu na Noruega, em Trondheim, na desafiadora prova de sprint de um quilômetro. Ribera, com seu desempenho excepcional, emerge como uma das grandes esperanças de medalha para o Brasil na próxima Paralimpíada de Inverno, programada para março de 2026 nas cidades italianas de Milão e Cortina. Sua conquista sublinha o potencial de expansão do país em modalidades de inverno, tradicionalmente menos visadas.

Tênis em cadeira de rodas: ascensão no cenário mundial
O mês de maio trouxe mais um feito inédito para o Brasil no tênis em cadeira de rodas. Na Copa do Mundo da modalidade, realizada em Antalya, na Turquia, a seleção brasileira da classe quad alcançou a final pela primeira vez em sua história. A equipe, composta por atletas com limitações em ao menos três membros, conquistou a medalha de prata após um confronto acirrado contra a forte equipe da Holanda. Na categoria júnior, o Brasil também demonstrou talento promissor, terminando em quarto lugar após chegar às semifinais, com destaque para a performance dos mineiros Vitória Miranda e Luiz Calixto.

A dupla júnior continuou a brilhar nos Grand Slams, os torneios mais prestigiados da modalidade. Vitória Miranda sagrou-se campeã de simples e de duplas femininas no Aberto da Austrália e em Roland Garros, na França, onde jogou ao lado da belga Luna Gryp. Luiz Calixto, por sua vez, conquistou o título de duplas masculinas em solo australiano, formando parceria com o norte-americano Charlie Cooper. Essas conquistas representaram o último ano de ambos na categoria júnior, prometendo um futuro brilhante para eles na elite do tênis paralímpico.

Judô paralímpico: domínio inédito e medalhas históricas
O Mundial de judô, disputado em maio na cidade de Astana, Cazaquistão, foi um palco de glórias sem precedentes para o Brasil. A delegação brasileira ascendeu ao topo do quadro de medalhas de maneira inédita, com 13 pódios, incluindo cinco medalhas de ouro. Entre os destaques, a paulista Alana Maldonado conquistou o tricampeonato na categoria até 70 quilos (kg) da classe J2 (baixa visão), consolidando sua posição como uma das maiores nomes da modalidade. O paraibano Wilians Araújo também se destacou, garantindo o bicampeonato na categoria acima de 95 kg da classe J1 (cego total).

A competição também foi marcada por uma emocionante final 100% brasileira na categoria acima de 70 kg da classe J2, onde Rebeca Silva superou sua compatriota paulista Meg Emmerich, demonstrando a profundidade do talento nacional. Os ouros inéditos da carioca Brenda Freitas na categoria até 70 kg e da potiguar Rosi Andrade na categoria até 52 kg, ambos na classe J1, reafirmaram a força e a renovação do judô paralímpico brasileiro.

Sucessos em diversas modalidades

Canoagem: Fernando Rufino brilha na Itália
Em Milão, o Mundial de canoagem trouxe mais um ouro para o Brasil. O sul-mato-grossense Fernando Rufino foi o único atleta brasileiro a subir ao degrau mais alto do pódio, vencendo a prova dos 200 metros (m) na classe VL2 (atletas que utilizam tronco e braços na remada). Essa conquista repetiu o feito dos Jogos de Paris em 2024, onde ele também foi ouro, com o paranaense Igor Tofalini em segundo lugar, consolidando uma dobradinha brasileira de peso. No total, o país somou cinco pódios na Itália, um desempenho consistente no cenário mundial.

Ciclismo: Chaman e Custódia marcam presença
O ciclismo paralímpico também teve um ano de vitórias. No Mundial de ciclismo de estrada, em Ronce, na Bélgica, em agosto, o paulista Lauro Chaman assegurou seu tricampeonato na prova de resistência da classe C5 (deficiências moderadas de membros superiores), reafirmando sua hegemonia. Já no ciclismo de pista, que teve o Velódromo do Rio de Janeiro como palco em outubro, a equipe brasileira conquistou nove medalhas. O destaque ficou para o ouro com recorde mundial da paulista Sabrina Custódia no contrarrelógio de um quilômetro (1 km) da classe C2 (comprometimento físico-motor que não impede a utilização de uma bicicleta convencional).

Natação: Brasil entre os melhores do mundo
Em setembro, o Mundial de Natação em Singapura apresentou uma disputa acirrada pelo topo do quadro de medalhas. Com a Itália liderando com 18 ouros, o Brasil demonstrou sua competitividade, terminando em sexto lugar com 13 medalhas de ouro e um total de 39 pódios. As estrelas da delegação foram o mineiro Gabriel Araújo, conhecido como Gabrielzinho, da classe S2 (a segunda de maior comprometimento físico-motor), e a pernambucana Carol Santiago, da S12 (baixa visão), ambos conquistando três ouros individuais. Suas performances reforçaram o Brasil como uma das principais forças na natação paralímpica.

Atletismo: liderança mundial histórica na Índia
O mês de outubro testemunhou um feito histórico para o esporte paralímpico brasileiro em Nova Déli. A seleção de atletismo encerrou o Mundial na Índia no topo do quadro de medalhas, com 15 ouros, 20 pratas e nove bronzes, superando a China. Esta foi apenas a segunda vez na história que a China não liderou a competição, um testemunho da evolução e do domínio brasileiro. Nas três edições anteriores, o Brasil havia sido vice-campeão, tornando esta conquista ainda mais significativa.

A acreana Jerusa Geber foi a grande estrela verde e amarela em solo indiano, conquistando dois ouros e se tornando tetracampeã dos 100 metros rasos da classe T11 (cego total). Com essas vitórias, Jerusa atingiu 13 pódios em Mundiais (sete ouros, cinco pratas e um bronze), superando as 12 medalhas (oito ouros e quatro pratas) da lendária mineira Terezinha Guilhermina, que competia na mesma categoria.

Halterofilismo: equipe feminina no pódio
Ainda em outubro, no Mundial de halterofilismo, a seleção feminina do Brasil conquistou a medalha de ouro por equipes, uma performance notável da carioca Tayana Medeiros, da mineira Lara Lima e da paulista Mariana d’Andrea. Elas também brilharam nas disputas individuais no Cairo, Egito. Mariana e Tayana garantiram a prata nas categorias até 73 kg e 86 kg, respectivamente, enquanto Lara Lima conquistou o bronze entre as atletas até 41 kg, demonstrando a força coletiva e individual do halterofilismo feminino brasileiro.

Bastidores agitados e o futuro do esporte

Tensão no tênis de mesa: embate por direitos
Apesar das glórias nas pistas e nas quadras, o esporte paralímpico brasileiro também enfrentou desafios nos bastidores. O tênis de mesa, embora sem um Mundial neste ano, esteve em evidência por uma polêmica envolvendo atletas e a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM). Em julho, um grupo de nove atletas de elite, que juntos somam 16 medalhas paralímpicas, formalizou um ofício ao Ministério do Esporte expressando profunda insatisfação com a CBTM.

As reclamações centravam-se na exigência da confederação de que os atletas investissem um percentual do Bolsa-Pódio (a principal categoria do programa Bolsa Atleta), variando entre 30% e 60%, para custear suas participações em campeonatos internacionais. Além disso, a CBTM condicionava a aprovação dos planos esportivos dos atletas – essencial para o recebimento do benefício governamental – à inclusão de pelo menos dez eventos fora do país. No ofício, os mesatenistas solicitaram, entre outras medidas, a intervenção na confederação, o reconhecimento da excelência por resultados e não pela quantidade de eventos, e a elaboração de um planejamento com “critérios técnicos objetivos”. Em resposta, o Ministério do Esporte esclareceu que “não há previsão, no normativo vigente do Programa Bolsa Atleta”, para tais exigências. A CBTM revogou a medida, mas o episódio deixou um racha e discussões importantes sobre a gestão esportiva e os direitos dos atletas.

Perspectivas e desafios futuros

O ano foi, sem dúvida, um testemunho da excelência e do potencial do esporte paralímpico brasileiro. As conquistas em diversas modalidades, com destaque para a histórica liderança em Mundiais de atletismo e judô, refletem o talento, a dedicação e o profissionalismo dos atletas e equipes. A ascensão de jovens talentos nos esportes de inverno e no tênis em cadeira de rodas, somada ao domínio de nomes consagrados, aponta para um futuro promissor, com a expectativa de grandes resultados nos próximos Jogos Paralímpicos. No entanto, os desafios administrativos e as tensões nos bastidores, como visto no tênis de mesa, servem como um lembrete da necessidade contínua de diálogo, transparência e gestão eficiente para garantir que o foco permaneça sempre no desenvolvimento e bem-estar dos atletas. O próximo ciclo olímpico se inicia com a certeza de que o Brasil tem tudo para continuar inspirando e superando limites.

Acompanhe de perto as próximas competições e o dia a dia dos nossos campeões paralímpicos. Seu apoio é fundamental para o sucesso do esporte brasileiro!

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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