O Sistema Único de Saúde (SUS) dará um passo significativo no combate à dengue a partir de fevereiro, iniciando a vacinação de cerca de 1,1 milhão de profissionais que atuam na atenção primária à saúde em todo o Brasil. O anúncio, feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destaca a importância de imunizar aqueles que estão na linha de frente do atendimento à população. A medida visa proteger médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários, os primeiros a receber pacientes com sintomas da arbovirose, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A iniciativa será possível graças à vacina Butantan-DV, um imunizante de dose única desenvolvido com tecnologia 100% nacional. Este avanço representa uma estratégia robusta para mitigar os impactos da doença no país, reforçando a capacidade de resposta do SUS.
O início da imunização: profissionais de saúde na linha de frente
A partir de 9 de fevereiro, uma parcela crucial dos profissionais de saúde brasileiros, estimada em 1,1 milhão de indivíduos, começará a receber a vacina Butantan-DV. Este grupo inclui aqueles que trabalham em unidades básicas de saúde, visitam famílias em comunidades e são os primeiros a ter contato com pacientes que apresentam sinais e sintomas de dengue. A proteção desses profissionais não apenas garante a continuidade e segurança do atendimento, mas também fortalece a linha de frente do SUS contra a crescente ameaça da arbovirose.
O ministro Alexandre Padilha enfatizou a importância de vacinar essa categoria. “São aqueles profissionais que atuam nas unidades básicas de saúde, que visitam as famílias, são os primeiros profissionais a receber quem tem sinal e sintoma de dengue”, declarou o ministro. Ele complementou que os primeiros cuidados são feitos por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde e equipes multifuncionais cadastradas nas unidades básicas de saúde. A vacinação desse público será viabilizada pela entrega de um novo lote da vacina Butantan-DV, garantindo a disponibilidade necessária para essa etapa inicial.
Detalhes da Butantan-DV: inovação nacional
A vacina Butantan-DV representa um marco na ciência brasileira. Desenvolvida integralmente pelo Instituto Butantan, ela se destaca por ser o primeiro imunizante de dose única contra a dengue no mundo. Seus anticorpos oferecem proteção abrangente contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, garantindo uma defesa robusta.
Os estudos clínicos da vacina brasileira demonstraram uma eficácia global de 74%, com uma redução notável de 91% nos casos graves da doença. Além disso, a Butantan-DV provou ser 100% eficaz na proteção contra hospitalizações causadas pela dengue. Esses resultados promissores sublinham o potencial da vacina para impactar significativamente a saúde pública, diminuindo a carga sobre o sistema hospitalar e salvando vidas. A tecnologia nacional por trás do imunizante ressalta a capacidade do Brasil em desenvolver soluções inovadoras para desafios globres de saúde.
Expansão da produção e parcerias estratégicas
A estratégia do governo federal não se restringe à imunização dos profissionais de saúde. O objetivo é expandir gradualmente a vacinação em dose única para a população geral, focando inicialmente na faixa etária de 15 a 59 anos, à medida que novas doses da Butantan-DV se tornem disponíveis. Para assegurar essa expansão, o Instituto Butantan tem trabalhado intensamente para aumentar sua capacidade produtiva. Uma remessa de 1,1 milhão de doses adicionais da vacina nacional contra a dengue está prevista para ser entregue até 31 de janeiro, prioritariamente para os profissionais da linha de frente do SUS.
Visando acelerar a fabricação em larga escala do imunizante, o Ministério da Saúde divulgou uma parceria estratégica entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, envolvendo a transferência de tecnologia. Essa colaboração é fundamental para a meta de ampliar a produção em até 30 vezes. Com essa parceria, a expectativa é que o Brasil receba entre 25 a 30 milhões de doses da vacina Butantan-DV ainda este ano. O ministro Alexandre Padilha prevê que, com a chegada dessas doses importadas, o próximo passo será iniciar a vacinação nacional para a população de 15 a 59 anos, começando pelas faixas etárias mais velhas (59 anos) e avançando progressivamente até os mais jovens (15 anos).
Testes e planos futuros da vacina Butantan-DV
A ambição do Butantan-DV vai além das faixas etárias já contempladas. O Instituto já obteve autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a avaliação da vacina em pessoas com mais de 60 anos, e o recrutamento de voluntários para este grupo já foi iniciado. O ministro Alexandre Padilha expressou otimismo quanto à segurança e eficácia do imunizante para a população idosa, o que seria um avanço crucial no combate à dengue.
Além disso, campanhas piloto de vacinação em massa para a população de 15 a 59 anos estão em andamento em municípios selecionados, como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Iniciadas em meados de fevereiro, essas iniciativas visam avaliar o impacto da imunização com a Butantan-DV em cenários reais. A expectativa é que, com o aumento da produção e a consolidação dos resultados, a vacina seja incorporada de forma permanente ao calendário oficial de vacinação do país. O ministro Padilha vislumbra um futuro no qual a vacina do Butantan não apenas protegerá os brasileiros, mas também poderá se tornar “uma grande arma internacional para combater a dengue em outros países no mundo”. Técnicos do Ministério da Saúde viajarão à China em março para acompanhar de perto a produção e garantir a celeridade na entrega das doses.
Estratégia nacional: ampliação da QDenga para todo o país
Paralelamente aos esforços com a Butantan-DV, o SUS também intensifica a oferta da vacina internacional QDenga, que já está disponível gratuitamente para o público de 10 a 14 anos. O Brasil é pioneiro ao ser o primeiro país a disponibilizar este imunizante de esquema vacinal com duas doses no sistema público de saúde. Em fevereiro, o ministro Alexandre Padilha anunciou a ampliação da aplicação da vacina japonesa, fabricada pela Takeda, para todos os municípios brasileiros nesta mesma faixa etária.
A QDenga no SUS: acesso universal para adolescentes
A expansão da QDenga para todo o território nacional é resultado da aquisição de um volume substancial de doses adicionais da farmacêutica japonesa. Foram compradas 18 milhões de doses: 9 milhões para entrega em 2026 e mais 9 milhões para 2027. Essa aquisição robusta permitirá que a vacina seja distribuída em todos os mais de 5,5 mil municípios brasileiros, democratizando o acesso à prevenção da dengue para crianças e adolescentes.
Inicialmente, a QDenga, aprovada em 2023 pela Anvisa, foi disponibilizada em 2024 para crianças e adolescentes de 2,1 mil municípios considerados prioritários pelo governo. Com o aumento dos estoques e a nova distribuição, a vacinação será realizada em unidades básicas de saúde (UBS) do SUS em todo o país, exclusivamente para o público-alvo de 10 a 14 anos. O Ministério da Saúde contabiliza que cerca de 10 milhões de doses da QDenga foram distribuídas e aplicadas no Brasil para o público infantojuvenil entre 2024 e 2025, um indicativo do compromisso em proteger as gerações mais jovens contra a doença.
O futuro do combate à dengue no Brasil
A estratégia de vacinação contra a dengue no Brasil se consolida com uma abordagem multifacetada, combinando o pioneirismo da Butantan-DV, de dose única e tecnologia 100% nacional, com a ampla distribuição da QDenga, destinada a um público específico. A imunização dos profissionais de saúde, que são a espinha dorsal do Sistema Único de Saúde, é uma medida urgente e protetiva, enquanto a expansão gradual para outras faixas etárias com a Butantan-DV e a cobertura nacional para adolescentes com a QDenga desenham um panorama promissor para o controle da doença.
Os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e parcerias internacionais reforçam o compromisso do Brasil em se tornar uma referência global no enfrentamento das arboviroses. A perspectiva de ter milhões de doses disponíveis nos próximos anos, aliada aos estudos para abranger a população idosa, demonstra uma visão de longo prazo para integrar a vacinação de forma permanente no calendário de saúde. Este esforço conjunto visa não apenas reduzir os casos de dengue, mas também minimizar hospitalizações e mortes, protegendo a população e fortalecendo a capacidade de resposta do país diante de futuras epidemias.
Mantenha-se informado sobre as campanhas de vacinação em sua região e contribua para um Brasil mais protegido contra a dengue.
Fonte: https://jovempan.com.br