fevereiro 9, 2026

Protestos contra o ICE agitam Milão às vésperas da Olimpíada

© REUTERS/Alkis Konstantinidis/Proibida reprodução

Milão foi palco de intensas manifestações na sexta-feira, pouco antes da aguardada cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina. Centenas de manifestantes tomaram as ruas, expressando veemente oposição à suposta presença de agentes de imigração dos Estados Unidos na Itália e ao fechamento de ruas e restrições impostas pela organização do evento esportivo. O coração da discórdia gira em torno do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), cuja presença, mesmo que apenas relatada, catalisou a indignação de grupos estudantis e ativistas que veem a agência como um símbolo da controversa campanha de deportação americana. A mobilização ressalta uma tensão crescente entre a grandiosidade dos megaeventos e as preocupações sociais e políticas locais e internacionais.

A controvérsia sobre a presença do ICE

A alegada presença de representantes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Milão, com o propósito de proteger cidadãos americanos durante os Jogos Olímpicos, rapidamente se tornou o epicentro das manifestações. A agência, conhecida por seu papel de linha de frente na implementação de políticas de imigração agressivas, especialmente durante a administração do ex-presidente Donald Trump, é vista por muitos como um instrumento de repressão. O receio de que sua atuação se estendesse ao território italiano gerou uma onda de descontentamento, com ativistas expressando preocupação com a soberania local e os direitos humanos.

O papel contestado da agência americana

O Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) é um braço do Departamento de Segurança Interna dos EUA, com responsabilidades que incluem a aplicação das leis de imigração dentro do país, a detenção e deportação de imigrantes indocumentados. Sua atuação tem sido alvo de críticas por parte de organizações de direitos humanos e grupos civis devido a práticas consideradas excessivas e desumanas, como a separação de famílias na fronteira e condições de detenção controversas. Para os manifestantes em Milão, a possível presença de agentes do ICE em solo italiano representava uma extensão indesejada dessa política, simbolizando uma interferência estrangeira e um endosso tácito a uma agenda que eles repudiam. Katie Legare, uma estudante de Minnesota que atualmente estuda na Europa e participou do protesto, exemplificou o sentimento generalizado. Ela mencionou o assassinato de dois cidadãos americanos por agentes do ICE em sua cidade natal, destacando a percepção de que “o resto do mundo não concorda com o que está acontecendo”. Em suas palavras, “Não é certo simplesmente aceitar e seguir com o status quo. É preciso dizer que algo errado está acontecendo e se manifestar”, sublinhando a urgência de tomar uma posição contra tais ações.

Negativas oficiais e esclarecimentos

Diante da onda de protestos e da crescente controvérsia, tanto o governo italiano quanto o Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA agiram para desmentir as alegações sobre a presença ativa de agentes do ICE nas ruas de Milão. O governo italiano emitiu uma declaração afirmando que a polêmica era infundada, assegurando que o pessoal do ICE não estaria operando nas ruas durante os Jogos Olímpicos. As autoridades italianas esclareceram que apenas agentes da Investigação de Segurança Interna (HSI), outra divisão do Departamento de Segurança Interna dos EUA, estariam presentes na Itália e exclusivamente trabalhando em missões diplomáticas americanas, sem envolvimento direto na segurança pública ou na aplicação de leis de imigração fora do âmbito diplomático. De forma semelhante, o Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA reforçou essa posição, declarando que nenhum agente do ICE estaria fornecendo segurança para a equipe americana. Essas declarações visavam acalmar os ânimos e esclarecer o papel das forças de segurança estrangeiras durante o evento, buscando dissipar a narrativa de uma operação do ICE em solo italiano.

A voz dos manifestantes em Milão

Os protestos em Milão foram marcados por uma forte carga simbólica e uma ampla gama de reivindicações, extrapolando a mera oposição à presença do ICE. A manifestação se tornou um palco para diversas pautas sociais e políticas, ecoando descontentamentos locais e globais, enquanto a cidade se preparava para receber um dos maiores eventos esportivos internacionais.

A mobilização nas ruas e suas mensagens

Centenas de manifestantes, liderados por grupos estudantis e ativistas, reuniram-se nas ruas de Milão na sexta-feira, transformando o ambiente pré-olímpico em um palco de contestação. Entoando slogans como “ICE FORA” e “ICE deveria estar nas minhas bebidas, não na minha cidade”, os ativistas demonstravam sua insatisfação de forma criativa e contundente. Sinalizadores foram acesos, e apitos de plástico, que se tornaram um símbolo dos atos anti-ICE nos Estados Unidos, foram utilizados em massa para amplificar o clamor popular. Cartazes e faixas expressavam o repúdio à agência americana e às políticas de imigração que ela representa. Além das mensagens direcionadas ao ICE, os manifestantes também vocalizaram críticas diretas a autoridades americanas, pedindo que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, “voltassem para casa”. Essa interpelação direta a figuras políticas de alto escalão sublinhava a dimensão internacional do protesto e a insatisfação com a política externa americana, percebida como intervencionista ou desalinhada com os valores da comunidade global. A participação de estudantes e ativistas de diferentes nacionalidades, como Katie Legare de Minnesota, demonstrava a solidariedade transnacional em torno das pautas levantadas.

Críticas aos jogos olímpicos e outras pautas

Além da controvérsia em torno do ICE, os protestos em Milão serviram como um veículo para expressar uma série de outras preocupações que os manifestantes associam diretamente à realização dos Jogos Olímpicos de Inverno. Muitos ativistas argumentam que os Jogos representam um “desperdício de dinheiro e recursos” que poderiam ser mais bem empregados em outras áreas prioritárias para a população local. A crítica ressalta o contraste entre os investimentos massivos em infraestrutura e segurança para o evento e problemas sociais prementes na cidade, como os preços inacessíveis das moradias e a escassez de locais de reunião pública para a comunidade. A percepção de que os megaeventos esportivos priorizam interesses comerciais e turísticos em detrimento das necessidades dos cidadãos é um tema recorrente em protestos de natureza semelhante. A complexidade da manifestação foi ainda mais evidente com a inclusão de slogans criticando Israel e expressando apoio aos palestinos, o que demonstrava a transversalidade das preocupações e a capacidade dos protestos olímpicos de se tornarem plataformas para causas geopolíticas mais amplas. Isso transformou a mobilização em Milão em um evento multifacetado, com diferentes grupos utilizando a visibilidade dos Jogos para fazer ouvir suas diversas demandas.

Segurança reforçada e o impacto na cidade

A iminência da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, marcada para a noite de sexta-feira, levou as autoridades italianas a implementar medidas de segurança e de controle de tráfego significativamente rigorosas na capital da Lombardia. Essas ações, embora destinadas a garantir a segurança do evento e minimizar os transtornos, acabaram por se somar às queixas dos manifestantes, que as viam como mais uma consequência negativa da realização dos Jogos. Para reforçar a segurança e aliviar o tráfego pesado previsto, as escolas localizadas no centro de Milão receberam ordens para permanecerem fechadas, e o acesso a algumas áreas da cidade foi bloqueado. Essas restrições alteraram a rotina dos moradores e geraram inconvenientes, o que adicionou um elemento de insatisfação local à já complexa pauta dos protestos. A população se viu diante de uma cidade parcialmente paralisada e sob forte esquema de vigilância, o que, para muitos, representava uma perda de espaços públicos e de liberdade de circulação em nome de um evento global.

Repercussões e o cenário pós-protestos

Os protestos em Milão antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno destacaram a tensão inerente entre a celebração global dos esportes e as preocupações sociais, políticas e econômicas locais. A controvérsia em torno da suposta presença do ICE na Itália, mesmo que oficialmente desmentida pelas autoridades italianas e americanas, serviu como um poderoso catalisador para uma ampla gama de descontentamentos. Os manifestantes não apenas criticaram as políticas de imigração dos EUA, mas também expressaram profunda insatisfação com o custo e o impacto dos próprios Jogos Olímpicos na vida da cidade, abordando questões como moradia e espaços públicos. A mobilização demonstrou a capacidade de eventos de grande porte de se tornarem palcos para vozes dissonantes, unindo pautas internacionais e domésticas. O cenário pós-protestos em Milão certamente permanecerá sob escrutínio, com a cidade se ajustando à realidade dos Jogos enquanto lida com as reverberações de uma manifestação que evidenciou a complexidade das interconexões entre política, segurança e megaeventos globais.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos dos Jogos Olímpicos de Inverno e as discussões sobre o impacto social de grandes eventos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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