O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou na última quarta-feira (25) as exonerações do presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), Gustavo Pires, e do secretário adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho. A decisão, comunicada publicamente pelo chefe do executivo municipal, surge em meio a sérias denúncias de irregularidades envolvendo contratos milionários da Prefeitura de São Paulo. A demissão na SPTuris, juntamente com a saída de Marinho, é uma resposta direta a uma investigação jornalística que expôs um suposto conflito de interesses. O caso gerou preocupação quanto à transparência e à integridade dos processos administrativos na gestão municipal, impulsionando a Controladoria-Geral do Município a aprofundar a apuração dos fatos.
As denúncias e o elo controverso
A base para a drástica medida tomada pelo prefeito Ricardo Nunes foi uma reportagem divulgada na sexta-feira anterior (20) que trouxe à tona conexões preocupantes entre o então secretário adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, e uma agência de publicidade. A investigação revelou que Marinho havia sido sócio de Nathália Carolina de Silva Souza, fundadora da agência MM Quarter. Esta ligação inicial, embora possa parecer pregressa, tornou-se o cerne do problema quando se observou o padrão de contratações da agência.
Detalhes dos contratos milionários
Desde a nomeação de Rodolfo Marinho para a Secretaria de Turismo em 2022, a agência MM Quarter passou a ser contratada de forma contínua, tanto pela SPTuris quanto pela própria Secretaria de Turismo. A frequência e o volume dessas contratações levantaram questionamentos sobre a lisura dos processos licitatórios e a potencial influência do secretário adjunto. Atualmente, os contratos vigentes da MM Quarter com o município de São Paulo somam um valor impressionante de R$ 232 milhões, montante que acende um alerta sobre a concentração de serviços em uma única empresa com vínculos passados com um agente público. A cronologia dos fatos, aliada aos valores envolvidos, configurou um cenário que demandava uma resposta imediata e enérgica por parte da administração municipal.
A investigação da Controladoria e as exonerações
Após a divulgação das informações sobre os contratos e os laços entre Rodolfo Marinho e a MM Quarter, o prefeito Ricardo Nunes agiu prontamente, acionando a Controladoria-Geral do Município (CGM). O objetivo era claro: investigar a fundo a situação e determinar a existência de qualquer irregularidade ou ilegalidade. A CGM iniciou uma apuração detalhada, revisando documentos e analisando a natureza da relação entre as partes envolvidas, bem como a legalidade dos contratos firmados.
A prova documental e a justificativa do prefeito
A apuração da Controladoria-Geral do Município foi decisiva. Segundo o prefeito Ricardo Nunes, a investigação encontrou um documento crucial que comprovava a ligação atual entre Rodolfo Marinho e Nathália Carolina de Silva Souza. Este documento era uma procuração, na qual Nathália conferia poderes ao então secretário adjunto. A posse de tal procuração configurou, para a prefeitura, um vínculo que transcendia uma sociedade anterior, indicando uma relação ativa e potencialmente conflituosa. “A controladoria me trouxe documentos referentes a esta apuração. Dentro desses documentos, uma procuração da Nathália para o secretário adjunto Rodolfo Marinho. Por causa disso, estou demitindo, exonerando, o senhor Rodolfo Marinho”, explicou Nunes em um vídeo publicado em suas redes sociais. A demissão de Gustavo Pires, presidente da SPTuris, embora não diretamente implicado na procuração, foi uma consequência do princípio de responsabilidade sobre a pasta sob sua gestão, reforçando a postura da prefeitura de não tolerar a sombra de irregularidades.
Nova liderança e o compromisso com a integridade
Para preencher a vaga deixada por Gustavo Pires na presidência da SPTuris, o prefeito Ricardo Nunes anunciou a nomeação de Marcelo Vieira Salles, amplamente conhecido como Coronel Salles. Aos 59 anos, Coronel Salles traz consigo uma vasta experiência na administração pública e na segurança, tendo sido ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo e atuado como subprefeito da Sé, uma região central e de grande importância para a capital.
Sua escolha visa trazer um perfil com histórico de rigidez e compromisso com a lei para uma pasta que agora precisa restaurar sua credibilidade. “Também estou nomeando, a partir de hoje, o Coronel Salles, uma pessoa muito preparada, com bom conhecimento da administração e de uma integridade inabalável, para presidir a SPTuris, que deverá, através de sua presidência, dar toda colaboração à Controladoria para a continuidade das investigações”, declarou Nunes. O prefeito enfatizou o compromisso de sua gestão com a ética e a legalidade, reafirmando que “Nós não permitimos, em nosso governo, nenhum tipo de ilegalidade ou irregularidade”. A nomeação de Coronel Salles, portanto, sinaliza um esforço da prefeitura para garantir a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos, assegurando que as investigações sigam seu curso sem quaisquer entraves e que a administração da SPTuris seja conduzida sob os mais altos padrões de probidade.
Acompanhe as próximas etapas desta investigação e as medidas que serão tomadas para garantir a integridade da administração pública.
Fonte: https://jovempan.com.br