fevereiro 27, 2026

Nordeste dos EUA lida com impactos de nevasca histórica

G1

O nordeste dos Estados Unidos enfrenta uma persistente luta contra os impactos de uma intensa nevasca que paralisou a região no início da semana. Enquanto moradores e autoridades se esforçam para retomar a normalidade, os desafios de limpeza e locomoção continuam significativos. A previsão para esta quarta-feira indicava menor volume de neve, mas o risco de congelamento noturno e a formação de gelo invisível mantém o alerta para a segurança nas estradas. Milhões de quilos de sal foram utilizados e milhares de trabalhadores mobilizados para desobstruir vias e calçadas. Apesar dos progressos na restauração da energia e na reabertura de escolas, a nevasca deixou um rastro de problemas, incluindo uma fatalidade, e volumes históricos de neve que exigem uma operação de limpeza sem precedentes.

A nevasca e seus desafios persistentes

A região nordeste dos Estados Unidos continuou a ser atingida por neve nesta quarta-feira, com os moradores se esforçando para restabelecer a rotina de trabalho e aulas após uma tempestade que provocou grandes acúmulos. Embora a previsão apontasse para um volume menor de neve – entre 2,5 e 7,6 centímetros adicionais –, o serviço meteorológico nacional emitiu um alerta crucial: o material derretido durante o dia poderia congelar novamente à noite, formando perigosas placas de gelo invisíveis, conhecidas como “gelo negro”, e tornando as estradas extremamente escorregadias. Essa ameaça latente adiciona uma camada extra de preocupação para motoristas e pedestres, mesmo com a elevação das temperaturas ao longo da manhã transformando parte da neve em lama, o que dificulta a locomoção. A combinação de neve fresca, lama e gelo representa um risco constante para a segurança pública, exigindo cautela redobrada de todos na região afetada.

Dificuldades de locomoção e riscos à segurança

A persistência da neve e do gelo tem gerado sérios problemas de mobilidade em várias áreas. Relatos de moradores indicam dificuldades significativas, especialmente para pessoas com deficiência, devido a calçadas parcial ou totalmente bloqueadas ou estreitas demais para cadeiras de rodas e carrinhos. Em muitos locais, a camada de neve nas calçadas forçou pedestres a caminhar no meio da rua, aumentando o risco de acidentes e colisões com veículos. A situação é ainda mais grave em áreas residenciais onde a remoção de neve não foi concluída.

Além dos desafios de deslocamento, a nevasca trouxe consigo um risco trágico. Em Newport, Rhode Island, um estudante de 21 anos da Salve Regina University foi encontrado inconsciente dentro de um carro coberto de neve e posteriormente morreu por intoxicação por monóxido de carbono, conforme informou a polícia local. Este incidente fatal serve como um sombrio lembrete dos perigos ocultos que podem surgir durante e após tempestades de inverno, enfatizando a necessidade de precaução e de verificações de segurança em veículos e aquecedores em ambientes com neve acumulada. A comunidade universitária e a cidade de Newport lamentam profundamente a perda, que ressalta a vulnerabilidade humana diante das forças da natureza.

Mobilização massiva para limpeza e recuperação

A intensidade da nevasca desta semana obrigou as cidades a intensificarem suas operações de limpeza em uma escala sem precedentes. Em Nova York, a prefeitura atuou incansavelmente, espalhando aproximadamente 65 milhões de quilos de sal nas ruas até terça-feira, na tentativa de derreter o gelo e a neve e garantir a transitabilidade. Além disso, contratou pelo menos 3.500 trabalhadores emergenciais dedicados exclusivamente à remoção de neve de pontos de ônibus e vias públicas, uma força-tarefa colossal para desobstruir a megalópole. A prefeita de Boston, Michelle Wu, foi vista ajudando pessoalmente na remoção da neve acumulada em torno de um hidrante, demonstrando o engajamento das lideranças na resposta à crise.

O fornecimento de energia, severamente afetado pela tempestade, começou a ser restabelecido para muitos dos moradores em Massachusetts, Nova Jersey, Delaware e Rhode Island. Contudo, na manhã de quarta-feira, cerca de 160 mil clientes ainda permaneciam sem luz em Massachusetts, evidenciando que o trabalho de recuperação ainda estava longe de ser concluído e que o impacto nas residências persistia.

Esforços de desobstrução e volumes recordes

A tempestade de segunda-feira cobriu a região com uma camada de neve intensa, provocando o cancelamento de milhares de voos, a interrupção do transporte público e a queda de inúmeras linhas de energia. Em Rhode Island, o acúmulo de neve superou a marca histórica de 90 centímetros em algumas localidades, ultrapassando os registros da nevasca de 1978, considerada uma das mais severas da história recente. Este volume excepcional reflete a magnitude do evento climático.

Para ilustrar a vastidão da nevasca, cálculos de um renomado meteorologista, ex-cientista-chefe da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, indicam que, se toda a neve que caiu entre Maryland e Maine tivesse sido concentrada apenas em Manhattan, formaria uma pilha com mais de 1,6 quilômetro de altura. Diante de tal volume, as autoridades de Nova York estão empregando métodos inovadores, utilizando grandes reservatórios de água aquecida para acelerar o derretimento de neve e gelo – uma técnica que já eliminou milhões de quilos de acúmulo em tempestades anteriores. Na cidade de Providence, caminhões estão transportando a neve para cinco locais específicos de descarte, e a abertura de novas áreas pode ser necessária devido à quantidade massiva e excepcional de neve coletada, evidenciando o esforço logístico sem precedentes.

A lenta retomada da normalidade

Apesar dos desafios persistentes, sinais de uma lenta retomada da normalidade começaram a surgir. Grandes redes escolares iniciaram a reabertura para aulas presenciais nesta quarta-feira, incluindo a Filadélfia, que havia optado pelo ensino remoto no início da semana. As escolas em Boston também retomaram suas atividades após o recesso de inverno, trazendo um senso de rotina para milhares de estudantes e famílias. No entanto, nas regiões mais atingidas de Rhode Island, as aulas presenciais permaneceram suspensas, com os alunos continuando em regime de ensino virtual. Em Nova York, mais de 900 mil estudantes retornaram às salas de aula, embora muitos tenham enfrentado montes de neve e equipamentos de limpeza durante o trajeto matinal, uma cena que se tornou comum nas cidades afetadas.

Escolas reabrem, voos normalizam

O setor de transporte aéreo, duramente impactado pela nevasca, também começou a mostrar melhorias. Milhares de voos com origem ou destino nos Estados Unidos foram cancelados nos dias anteriores. No entanto, nesta quarta-feira, a situação começou a se normalizar, com o registro de aproximadamente 200 cancelamentos, um número significativamente menor em comparação com os picos da tempestade, conforme dados de um site de monitoramento de voos. O Aeroporto Internacional T. F. Green, em Rhode Island, reabriu na terça-feira, permitindo que alguns voos decolassem normalmente no dia seguinte, enquanto outros ainda enfrentaram cancelamentos. A gratidão pela retomada dos serviços foi palpável: passageiros que chegaram a Nova York vindos de Buenos Aires na noite de terça-feira aplaudiram ao pousar, após terem suportado atrasos e cancelamentos provocados pela tempestade.

A região nordeste dos Estados Unidos demonstra resiliência em face de um dos maiores desafios climáticos dos últimos anos. Com os esforços de limpeza em curso, a gradual restauração dos serviços essenciais e a reabertura de instituições cruciais, a expectativa é de que a rotina seja plenamente restabelecida. Contudo, a necessidade de vigilância contra os riscos remanescentes, como o gelo negro e a remoção completa da neve, permanece primordial para a segurança de todos.

Acompanhe as últimas atualizações sobre os impactos do inverno e as ações de recuperação em nossa cobertura contínua.

Fonte: https://g1.globo.com

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