fevereiro 9, 2026

Morte de americano em ação migratória levanta dúvidas

G1

A morte de Alex Jeffrey Pretti, um cidadão americano de 37 anos, durante uma operação de controle de imigração em Minneapolis, gerou uma onda de protestos e intensificou o escrutínio sobre as autoridades federais. O incidente, ocorrido em 24 de janeiro de 2026, rapidamente transcendeu a narrativa inicial. Novas análises de vídeo e depoimentos de testemunhas vieram à tona, desafiando a versão oficial apresentada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) sobre as circunstâncias do tiroteio. Pretti, enfermeiro de UTI e engajado em movimentos sociais, participava ativamente de manifestações contra a política de imigração, e sua morte em uma ação migratória agora exige uma investigação aprofundada para esclarecer os fatos.

As circunstâncias da morte de Alex Pretti

A versão oficial e os primeiros questionamentos

Após o trágico incidente, as autoridades divulgaram uma versão inicial que apontava para uma suposta ameaça por parte de Alex Pretti. Segundo declarações oficiais, o homem estaria armado, teria sacado uma arma de fogo e colocado os agentes em risco iminente, levando um deles a disparar em legítima defesa. Membros do governo chegaram a classificar o caso como um ato de “terrorismo doméstico”, reforçando a tese de que a ação dos agentes foi uma resposta a uma agressão violenta.

No entanto, essa narrativa rapidamente começou a ser contestada. Alex Pretti era um enfermeiro de UTI, cidadão americano, e trabalhava em um hospital ligado ao Departamento de Assuntos de Veteranos. Ele era conhecido por seu engajamento em causas sociais e sua participação pacífica em protestos contra a política migratória. Familiares e vizinhos o descreveram como uma pessoa tranquila e solidária, o que gerou imediata estranheza e incredulidade diante das alegações de que ele teria provocado o confronto armado. A autorização legal de Pretti para portar uma arma de fogo adicionou uma camada de complexidade, mas as evidências emergentes indicavam que os agentes talvez não soubessem desse fato no momento do ocorrido, ou que a situação não se desenrolou como descrito oficialmente. A desconexão entre o perfil de Pretti e a versão oficial alimentou os primeiros questionamentos sobre a conduta dos agentes.

Análises de vídeo e a dinâmica do confronto

A controvérsia ganhou força com a divulgação e análise de vídeos gravados por testemunhas no local. As imagens, que rapidamente circularam entre o público e foram examinadas por especialistas, mostram um cenário distinto daquele apresentado pelas autoridades. Em nenhum momento dos vídeos Pretti aparece sacando uma arma ou ameaçando diretamente os agentes. Pelo contrário, as gravações indicam que ele estava segurando um telefone celular em uma das mãos, aparentemente filmando a operação dos agentes federais.

O momento crítico capturado pelas câmeras revela Pretti se posicionando entre um agente de imigração e uma mulher que estava sendo atingida com spray de pimenta. Essa tentativa de intervenção para auxiliar a mulher precedeu um cerco imediato. Ele foi rapidamente cercado por um grupo de sete agentes federais, derrubado e imobilizado no chão. Enquanto Pretti estava contido, ajoelhado e aparentemente sem oferecer resistência ativa, um dos agentes se aproxima e, de acordo com as análises detalhadas, parece retirar uma arma, enquanto outro agente aplica repetidamente spray de pimenta no enfermeiro já imobilizado. O agente que teria sacado a arma se afasta, e o agente posicionado diretamente acima de Pretti, enquanto ele ainda estava de joelhos e imobilizado, aparenta disparar um tiro à queima-roupa. Imediatamente após esse primeiro disparo, mais tiros são ouvidos e visualizados. Outras análises paralelas do incidente sugerem que um agente disparou quatro vezes em rápida sucessão nas costas de Pretti, seguido por disparos adicionais, consolidando a imagem de uma execução em vez de um ato de legítima defesa contra uma ameaça iminente.

Testemunhos e o contexto da operação

Relatos de testemunhas oculares

Além das imagens, dois depoimentos prestados sob juramento à Justiça reforçaram as dúvidas em torno da versão oficial e forneceram uma perspectiva humana e detalhada dos momentos que antecederam e sucederam os disparos. Um desses relatos veio de um médico pediatra, cuja identidade foi omitida dos documentos públicos para proteger sua privacidade. Residente nas proximidades, o profissional observou parte da ação de seu apartamento. Ele afirmou ter testemunhado um homem sendo empurrado ao chão e, em seguida, atingido por diversos disparos. Após os tiros, o médico desceu rapidamente à rua, identificou-se como profissional de saúde e solicitou permissão para prestar socorro à vítima.

Segundo seu depoimento, os agentes inicialmente hesitaram, exigindo comprovação de sua formação antes de permitir sua aproximação ao local. Ao finalmente ter acesso a Pretti, o médico não encontrou pulso e iniciou manobras de reanimação cardiopulmonar até a chegada das equipes de emergência, que assumiram o atendimento. O outro depoimento crucial foi fornecido por uma pessoa que se identificou como artista infantil, também presente no local. Essa testemunha contestou enfaticamente a versão divulgada pelas autoridades, afirmando que o que observou não correspondia ao que foi oficialmente apresentado. Ela relatou que Pretti se aproximou dos agentes portando apenas uma câmera ou celular, com a clara intenção de registrar a ação e prestar auxílio a uma mulher que havia caído durante o confronto. A testemunha assegurou não ter visto o enfermeiro sacar ou sequer segurar qualquer arma durante toda a abordagem dos agentes. “O homem não se aproximou com uma arma. Ele os abordou com uma câmera. Ele só estava tentando ajudar uma mulher a se levantar e eles o derrubaram no chão”, declarou a testemunha. Seu relato reforça a ideia de que Pretti foi derrubado, imobilizado no chão e baleado enquanto já estava contido e sem oferecer risco aparente.

Controvérsia sobre táticas federais

Os depoimentos e as evidências visuais foram anexados a uma ação judicial em curso, movida com o apoio da American Civil Liberties Union (ACLU) de Minnesota. Essa ação acusa agentes federais de violar os direitos de manifestantes durante operações de imigração recentes. O caso de Alex Pretti não é um evento isolado, mas se insere em um contexto mais amplo de críticas às táticas empregadas pelas forças federais. No início do mês em questão, um juiz federal chegou a impor restrições à atuação desses agentes, limitando o uso de táticas consideradas agressivas contra manifestantes, como parte desse mesmo processo.

Contudo, essa medida protetiva foi temporariamente suspensa por um tribunal de apelação após um recurso interposto pelo governo federal. A morte de Pretti, no entanto, reacendeu a urgência dessa questão. No sábado do incidente, os advogados dos manifestantes protocolaram um novo pedido de urgência para que as restrições anteriormente impostas voltassem a valer. O argumento central era que os acontecimentos recentes, culminando na morte do enfermeiro, reforçavam dramaticamente a necessidade de manter limites claros à atuação federal e de proteger o direito à manifestação pacífica. A conduta dos agentes em protestos continua sendo um alvo de críticas e objeto de intenso debate jurídico e público, sublinhando a tensão entre a segurança pública e as garantias civis.

Desdobramentos e busca por clareza

A morte de Alex Jeffrey Pretti em Minneapolis não é apenas uma tragédia individual, mas um catalisador para um debate mais amplo sobre o uso da força por agentes federais e a transparência em suas operações. As discrepâncias gritantes entre a versão oficial e o conjunto de evidências apresentadas por vídeos e testemunhos sob juramento exigem uma investigação exaustiva e imparcial. A imagem de um enfermeiro, cidadão americano, pacífico e engajado em causas sociais, baleado enquanto aparentemente estava desarmado e imobilizado, levanta sérias questões sobre a responsabilidade e a prestação de contas das agências de segurança envolvidas.

Este caso se insere em um cenário de crescentes tensões sociais e jurídicas sobre a atuação de forças federais em contextos de protesto, evidenciado pela ação da ACLU e as decisões judiciais sobre táticas agressivas. A família de Alex Pretti o descreve como um homem apaixonado pela natureza e profundamente preocupado com as pessoas, o que contraria veementemente qualquer alegação de que ele representaria uma ameaça violenta. A demanda por justiça e clareza neste caso ecoa o apelo por maior supervisão e reforma nas práticas das agências de imigração, garantindo que tais tragédias não se repitam e que a verdade prevaleça em um momento tão delicado. A busca por respostas definitivas continua sendo a prioridade, em meio a um clamor público por accountability e por uma avaliação rigorosa das condutas dos agentes federais.

Para acompanhar todos os desdobramentos desta investigação e outras notícias sobre direitos civis e ações federais, acesse nosso portal.

Fonte: https://g1.globo.com

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