fevereiro 9, 2026

Milão rejeita Agentes do ICE nos Jogos de inverno

G1

A iminente chegada de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) à Itália para a proteção de delegações norte-americanas durante os Jogos Olímpicos de Inverno gerou uma onda de protestos e críticas no país europeu. A presença dos agentes do ICE, uma agência controversa devido à sua atuação em operações anti-imigração nos EUA, foi recebida com forte oposição por autoridades italianas, levantando a possibilidade de uma crise diplomática significativa entre Washington e Roma. A prefeitura de Milão, cidade que sediará parte dos jogos, expressou veementemente seu descontentamento, afirmando que os agentes não são bem-vindos.

A controvérsia em torno da presença do ICE nos jogos de inverno

A forte reação de Milão e o debate político italiano

A voz mais contundente contra a vinda dos agentes do ICE partiu do prefeito de Milão, Giuseppe Sala. Em declarações à mídia italiana, Sala classificou a agência como uma “milícia que mata” e foi enfático ao declarar que os agentes “não são bem-vindos” na cidade, questionando se não seria possível “dizer não ao Trump ao menos uma vez”. Essa postura revela a profundidade do descontentamento e a percepção negativa sobre a imagem do ICE entre a população e as autoridades locais.

A crítica não se restringiu ao prefeito. Outros políticos italianos, incluindo membros de partidos da coalizão governista da primeira-ministra Giorgia Meloni, que é vista como aliada de Trump, também manifestaram preocupação. Maurizio Lupi, líder do partido Noi Moderati, integrante da coalizão, descreveu a situação como uma “completa idiotice”, embora tenha ressalvado a necessidade de órgãos de segurança italianos coordenarem ações com suas contrapartes estrangeiras. O partido de oposição de centro Italia Viva, liderado pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, adotou uma linha ainda mais dura, exigindo que os agentes do ICE sejam impedidos de entrar no país. Em uma publicação em redes sociais, o partido classificou o ICE como “um símbolo de violência, repressão, abusos e violações de direitos humanos”, e sua aceitação na Itália, uma “loucura”. Paralelamente, o sindicato de extrema esquerda USB anunciou um ato de protesto com o lema “ICE OUT – From Minneapolis to Milan” para o dia 6 de fevereiro, data da cerimônia de abertura dos jogos em Milão.

O papel oficial do HSI e as garantias americanas

Em meio à efervescência política, informações divulgadas por fontes diplomáticas detalharam a natureza da missão dos agentes americanos. A divisão de Investigações de Segurança Interna (HSI, na sigla em inglês) do ICE dará apoio ao serviço de segurança do Departamento de Estado dos EUA. O objetivo declarado é proteger as delegações norte-americanas durante os Jogos de Inverno Milão-Cortina, previstos para ocorrer de 6 a 22 de fevereiro.

É fundamental ressaltar que os agentes do HSI, conforme garantias diplomáticas, não realizarão nenhuma atividade de fiscalização migratória enquanto estiverem em solo italiano. Sua atuação será focada em “mitigar riscos provenientes de organizações criminosas transnacionais”, uma função que se alinha com o mandato global do HSI. Além disso, foi reafirmado que todas as operações de segurança permanecerão sob a autoridade das forças italianas, buscando assim tranquilizar as preocupações sobre a soberania e o controle local. No entanto, essas distinções nem sempre são suficientes para dissipar as preocupações de críticos que veem a agência como um todo, sem separar suas divisões.

O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA sob escrutínio

As duras críticas e incidentes domésticos nos Estados Unidos

A forte reação italiana não é um evento isolado, mas sim um reflexo da imagem pública do ICE, especialmente após a intensificação das políticas migratórias repressivas implementadas pelo presidente Donald Trump. Desde que retornou à Casa Branca, Trump tem promovido uma agenda dura contra imigrantes, e o ICE, juntamente com a Patrulha de Fronteiras, tem sido alvo de severas críticas nos EUA por sua atuação considerada truculenta em operações anti-imigração.

Um incidente recente em Minneapolis ilustra a gravidade das acusações. Dois cidadãos norte-americanos foram mortos durante uma ampla operação do ICE na cidade, desencadeando uma crise entre o governo federal e as autoridades locais. Os protestos da população de Minneapolis e a condenação generalizada das ações dos agentes do ICE contra a população americana repercutiram também fora dos EUA, contribuindo para a visão negativa da agência no cenário internacional. Essa percepção é um dos pilares da resistência italiana à presença dos agentes em seu território.

Precedentes da atuação internacional do HSI em grandes eventos

Apesar da controvérsia, a presença do HSI em grandes eventos esportivos, tanto nos EUA quanto no exterior, não é inédita. A agência já participou de eventos como o Super Bowl e outras edições dos Jogos Olímpicos fora do país, incluindo os Jogos Olímpicos de 2024 em Paris. Essas participações ocorrem geralmente no âmbito de parcerias internacionais relacionadas ao combate ao tráfico de pessoas e ao tráfico de drogas.

Embora a missão primária do HSI seja focada no crime transnacional, a linha entre suas diferentes funções pode ser percebida como tênue. Internamente, nos Estados Unidos, muitos agentes do HSI são frequentemente destacados para apoiar rotinas de fiscalização imigratória, o que pode confundir sua imagem e gerar a percepção de que, independentemente do contexto, a agência está ligada a ações controversas. A distinção entre as responsabilidades do HSI em território estrangeiro (mitigação de riscos criminais) e as de outras divisões do ICE (fiscalização migratória) é crucial para as autoridades americanas, mas nem sempre clara ou aceita pelos críticos, especialmente em um ambiente de alta sensibilidade política como os Jogos Olímpicos.

Implicações e o futuro diplomático

A tensão em torno da presença dos agentes do ICE nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina sublinha as complexidades das relações internacionais, especialmente quando políticas domésticas de um país geram repercussões e desconfiança em outro. Embora os Estados Unidos e a Itália sejam aliados tradicionais, a questão da imigração e a atuação de agências como o ICE representam um ponto de atrito que pode testar a solidez desses laços. A ausência de um pronunciamento público por parte do governo Trump sobre os protestos italianos, até o momento, adiciona uma camada de incerteza à situação.

A presença de altas autoridades americanas, como o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, na cerimônia de abertura dos jogos em Milão, demonstra a importância que os EUA atribuem ao evento e à sua representação. Contudo, essa visibilidade pode ser ofuscada pela controvérsia em torno do ICE, transformando a segurança das delegações em um campo de batalha diplomática. Resta observar como as autoridades italianas e americanas conseguirão navegar essa situação delicada, garantindo a segurança dos jogos sem escalar a crise política. O desfecho desta situação poderá definir um precedente para a atuação de agências de segurança estrangeiras em eventos globais, ressaltando a importância do alinhamento entre as políticas domésticas e a imagem internacional de um país.

Para saber mais sobre os desdobramentos desta e de outras notícias internacionais, acompanhe as atualizações e análises em nosso portal.

Fonte: https://g1.globo.com

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