março 12, 2026

Mansur, Fundador da Reag, nega elo com PCC e confirma Banco Master na CPI

A Reag teve a liquidação extrajudicial decretada pelo BC em janeiro

João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, compareceu à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado na última quarta-feira, em um depoimento marcado por declarações diretas e o uso estratégico do direito ao silêncio. Diante dos senadores, Mansur confirmou que o Banco Master era, de fato, um dos clientes da sua administradora de recursos, ressaltando a natureza de um relacionamento comercial comum, equiparável ao de outras instituições financeiras e empresas no mercado. Contudo, o ponto mais sensível de sua fala foi a veemente negação de qualquer ligação entre a Reag e o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma acusação que tem pairado sobre a gestora em meio a investigações federais. O empresário atribuiu as dificuldades da Reag ao fato de ser uma instituição “grande e independente” em um mercado que, segundo ele, penaliza essa autonomia. A sua participação na CPI lança luz sobre as complexas tramas financeiras e as sérias acusações que envolvem nomes proeminentes do cenário econômico brasileiro, em um esforço contínuo para desvendar possíveis esquemas ilícitos.

Depoimento na CPI do Crime Organizado

A confirmação do Banco Master como cliente
Durante a sessão da CPI do Crime Organizado, presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), João Carlos Mansur foi questionado sobre a estrutura e as operações da Reag Investimentos. Em resposta, o empresário foi categórico ao confirmar que o Banco Master figurava entre a sua carteira de clientes. Ele detalhou que o relacionamento com o Banco Master era similar ao que a Reag mantinha com outras instituições financeiras e empresas de mercado. “O Banco Master era um dos clientes, como outros bancos, como outras instituições financeiras e como outras empresas de mercado, um cliente como o senhor, como eu, como o nosso advogado. Então, normal”, explicou Mansur, buscando desmistificar a natureza dessa relação comercial e enquadrá-la dentro da normalidade do mercado de capitais. Essa declaração é crucial no contexto das investigações da Operação Compliance Zero, que apuram possíveis esquemas fraudulentos envolvendo o Banco Master e a Reag Investimentos, apontando para uma conexão financeira direta entre as duas entidades.

A negação de vínculos com o PCC
Um dos pontos mais sensíveis e aguardados do depoimento de Mansur foi a sua posição em relação às acusações de ligação da Reag com o Primeiro Comando da Capital (PCC). De forma veemente, o fundador da gestora de recursos negou qualquer associação com a facção criminosa. Mansur enfatizou a diligência e consciência com que a Reag operava, lamentando o que descreveu como um “rolo compressor” de acusações. Para corroborar sua defesa, ele citou o procedimento da Operação Carbono Oculto, que investigou lavagem de dinheiro envolvendo o PCC. Segundo Mansur, em 15 mil páginas de documentos desse processo, “não existe nenhuma menção à associação com o PCC ou com o crime organizado”. Essa afirmação direta tenta desqualificar as suspeitas que levaram a Reag a ser alvo de investigações federais, colocando em xeque a base das alegações de envolvimento com o crime organizado e a origem dos recursos geridos.

O direito ao silêncio e as razões
Apesar de ter respondido a algumas perguntas, João Carlos Mansur adotou uma postura de silêncio em diversos momentos cruciais do depoimento. Questionado diretamente pelo senador Contarato sobre a que atribuía a associação da Reag com o PCC nas investigações, Mansur optou por não responder, alegando estar em “ambiente público”. Essa postura foi mantida ao longo de grande parte da oitiva. A decisão de permanecer em silêncio foi fundamentada em uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. A medida assegurou a Mansur o direito de não responder a perguntas que pudessem implicar em sua autoincriminação no âmbito da CPI. O uso desse recurso legal é uma prerrogativa de depoentes em situações de potencial prejuízo, destacando a seriedade e a complexidade das acusações que pesam sobre o fundador da Reag e a própria empresa, bem como as implicações legais de suas declarações.

O contexto das investigações e acusações

A Operação Compliance Zero e o Banco Master
A Reag Investimentos e o Banco Master estão sob os holofotes de intensas investigações federais, sendo a Operação Compliance Zero uma das principais frentes. Conduzida pela Polícia Federal, esta operação investigou um sofisticado esquema de vendas de carteiras de crédito supostamente inexistentes, realizadas pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). O alerta inicial sobre essa suposta fraude bilionária partiu do Banco Central, que comunicou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) sobre as irregularidades. Segundo as autoridades, a Reag Investimentos teria atuado como operadora nesse arranjo, facilitando a triangulação de recursos oriundos dessas operações fraudulentas. Essa função da gestora de recursos no esquema levanta sérias questões sobre a governança e a conformidade das suas operações, colocando a Reag no centro de uma complexa teia de acusações financeiras que buscam desvendar a extensão e os responsáveis pelas supostas fraudes.

A Operação Carbono Oculto e a Reag
Antes mesmo da Compliance Zero, a Reag Investimentos já havia sido alvo de outra grande investigação federal, a Operação Carbono Oculto. Em agosto, a gestora de recursos entrou na mira da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que apuravam um esquema de lavagem de dinheiro com suposto envolvimento direto da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Esta operação buscou desvendar como vastas somas de dinheiro ilícito seriam “lavadas” através de estruturas financeiras, e a Reag foi apontada como um dos possíveis elos nesse complexo sistema. As investigações da Carbono Oculto foram as que levaram à associação da Reag com o PCC, uma acusação veementemente negada por João Carlos Mansur em seu depoimento à CPI, que citou a ausência de menções em 15 mil páginas do processo como prova de inocência. A dimensão dessas acusações ressalta a gravidade das suspeitas que pairam sobre a gestora de recursos.

A liquidação extrajudicial da Reag
O acúmulo de investigações e as sérias acusações contra a Reag Investimentos culminaram em uma medida drástica por parte das autoridades regulatórias. O Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da gestora de recursos, um processo que foi oficializado em janeiro de 2026. A liquidação extrajudicial é uma intervenção regulatória severa, aplicada quando uma instituição financeira apresenta sérios problemas financeiros ou operacionais que comprometem sua solidez e a segurança dos recursos de seus clientes. Embora a data de 2026 possa parecer distante no contexto de investigações em andamento, a decretação sinaliza a gravidade da situação em que a Reag se encontrava, impactando profundamente o futuro da empresa e de seus stakeholders, e reforçando a necessidade de transparência e rigor no mercado financeiro para coibir irregularidades e proteger investidores.

Conclusão
O depoimento de João Carlos Mansur à CPI do Crime Organizado revelou a intrincada rede de relações e suspeitas que envolvem a Reag Investimentos e o Banco Master, em meio a acusações de fraudes bilionárias e lavagem de dinheiro. A confirmação da relação comercial com o Banco Master, aliada à firme negação de laços com o PCC, desenha um cenário complexo que exige aprofundamento das investigações. O uso do direito ao silêncio por Mansur sublinha a delicadeza do caso e a potencial autoincriminação em jogo, enquanto as operações Compliance Zero e Carbono Oculto continuam a desvendar os meandros de esquemas que, se comprovados, teriam repercussões significativas para o mercado financeiro brasileiro. A liquidação extrajudicial da Reag pelo Banco Central é um indicativo da gravidade das inconsistências encontradas, e a sociedade aguarda respostas claras sobre a responsabilidade dos envolvidos e a eficácia dos mecanismos de controle e combate ao crime organizado no setor financeiro.

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Fonte: https://jovempan.com.br

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