O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou uma defesa enfática pela redução da taxa básica de juros do Brasil, a Selic, para um patamar de um dígito, expressando a convicção de que o país não deve retornar a índices de dois dígitos. Durante uma reunião do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) em Salvador, Bahia, Haddad articulou sua visão sobre a política monetária atual, caracterizando-a como excessivamente restritiva. Segundo o ministro, o atual nível da Selic, que se mantém em patamar elevado, pode comprometer os esforços de ajuste fiscal em curso. Suas declarações sublinham um debate crucial sobre o equilíbrio entre controle inflacionário e estímulo ao crescimento econômico, reforçando a importância de uma taxa básica de juros que seja condizente com a saúde fiscal do país e as aspirações de desenvolvimento sustentável.
A defesa de juros de um dígito e seus fundamentos
A crítica ao patamar da Selic e seus riscos à política fiscal
Em seu discurso e nas respostas subsequentes a militantes e convidados, Fernando Haddad não hesitou em abordar o tema da taxa Selic, classificando-a como um fator que “está restritiva num patamar que pode comprometer, inclusive, o trabalho fiscal”. A avaliação do ministro aponta para uma preocupação central: juros altos encarecem o custo da dívida pública, elevando as despesas do governo com o serviço da dívida e, consequentemente, drenando recursos que poderiam ser destinados a investimentos ou outras áreas prioritárias. Essa dinâmica pode gerar um ciclo vicioso, onde a política monetária restritiva acaba por dificultar a própria consolidação fiscal. Ele fez uma referência velada ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicando que a autoridade monetária está ciente das pressões e desafios impostos pelo cenário atual.
A preocupação de Haddad com os impactos da Selic no trabalho fiscal é uma questão de grande relevância para a estabilidade econômica do país. Quando a taxa básica de juros se mantém em níveis elevados por um período prolongado, os gastos do governo com o pagamento de juros da dívida pública aumentam significativamente. Este cenário pode reduzir o espaço para investimentos essenciais em infraestrutura, educação, saúde e programas sociais, que são motores fundamentais para o crescimento de longo prazo. Além disso, uma política monetária excessivamente contracionista pode desestimular o investimento privado e o consumo, levando a uma desaceleração econômica que, por sua vez, impacta a arrecadação de impostos. O ministro da Fazenda argumenta que essa desaceleração, se intensa, provocaria um “repartimento na política fiscal”, ou seja, uma redistribuição das prioridades orçamentárias de forma prejudicial à recuperação econômica.
A visão de uma trajetória consistente e o papel do Banco Central
Haddad expressou que, no trabalho de política monetária, é fundamental buscar o “traçado certo”, reconhecendo os “constrangimentos” pelos quais o Banco Central passa. Ele ponderou que a sinalização feita no último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), indicando uma trajetória consistente de cortes na taxa de juros, é um passo na direção correta. Para o ministro, essa consistência é crucial para garantir que a economia possa se ajustar e crescer sem as amarras impostas por juros proibitivos. Ele reiterou ter defendido consistentemente a necessidade de se buscar uma trajetória para taxas de juros de um dígito, enfatizando que o Brasil deve almejar e consolidar esse patamar de forma permanente, nunca mais retornando aos juros de dois dígitos.
A expectativa de uma trajetória de cortes “consistente” por parte do Copom é um alicerce para a confiança dos agentes econômicos e para o planejamento de longo prazo. Uma previsibilidade na redução dos juros permite que empresas planejem investimentos, que famílias considerem empréstimos e financiamentos, e que o consumo seja estimulado de forma saudável. Haddad enfatizou que, mesmo diante de juros altos, existem expedientes para garantir um crescimento econômico mínimo. Ele exemplificou com o desempenho do ano anterior, estimando um crescimento entre 2,2% e 2,4%, e reiterou sua meta inicial de governo de alcançar uma média de 3% de crescimento, o que representaria o dobro da média dos últimos oito anos. Esta visão otimista para o crescimento, mesmo sob as atuais condições, reflete a crença na resiliência da economia brasileira e na capacidade das políticas governamentais de mitigar os efeitos de um ambiente de juros mais elevados.
Crescimento econômico e integridade institucional
Perspectivas de avanço econômico em cenário desafiador
O ministro da Fazenda sublinhou a importância de garantir um crescimento econômico sustentado, mesmo em um cenário de desafios macroeconômicos. Ele destacou que, apesar das condições adversas, o Brasil tem demonstrado capacidade de avançar. Ao projetar um crescimento entre 2,2% e 2,4% para o ano anterior e ambicionar uma média de 3% no plano de governo, Haddad sinaliza um otimismo calculado. Essa média, que dobraria o crescimento dos últimos oito anos, é vista como um passo inicial para patamares ainda mais elevados de desenvolvimento. Tal perspectiva é fundamental para a criação de empregos, a melhoria da renda e a redução das desigualdades, elementos que o governo considera pilares para a reconstrução econômica e social do país.
Para Haddad, o crescimento mínimo garantido é um sinal de que a economia brasileira possui fundamentos sólidos e que, com as políticas adequadas, pode prosperar. Ele sugere que, uma vez que se alcance e se estabilize um crescimento robusto, abre-se espaço para ambicionar taxas de expansão ainda maiores. Este panorama de resiliência e potencial é crucial para atrair investimentos e gerar um ambiente de negócios mais dinâmico. A confiança em um futuro de crescimento se alinha com a necessidade de uma política monetária que apoie, em vez de frear, essa expansão. A articulação entre as políticas fiscal e monetária é, portanto, vista como essencial para que o país possa alcançar seus objetivos de desenvolvimento.
O combate à corrupção sob a ótica da técnica e da impessoalidade
Além das questões econômicas, Fernando Haddad abordou o tema do combate à corrupção, alinhando-se às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro afirmou que o atual governo se destaca por combater a corrupção de “maneira institucional, sem politizar, na técnica”. Essa abordagem é evidenciada pela autonomia e atuação técnica de órgãos como a Polícia Federal, o Banco Central, a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Haddad garantiu que esses órgãos operam sem interferência política, focando na aplicação da lei e na elucidação dos fatos.
A diretriz do presidente Lula, segundo Haddad, é clara: “eu não quero saber, quem fez paga, não tem partidarização, não tem politização”. Isso significa que ninguém será impedido de ser investigado, independentemente de sua posição – seja ministro, parente ou qualquer outra figura pública. Essa prática visa garantir que as investigações venham à tona e que a responsabilização pelos atos ilícitos seja feita de forma justa e transparente. A ênfase na impessoalidade e na técnica é um pilar da estratégia governamental para restaurar a confiança nas instituições e assegurar a integridade da gestão pública, reforçando o compromisso com a ética e a legalidade em todos os níveis.
Desafios e perspectivas futuras
As declarações do ministro Fernando Haddad em Salvador oferecem uma visão clara das prioridades econômicas e institucionais do governo. A insistência em uma taxa de juros de um dígito e a crítica à Selic atual revelam a urgência de uma política monetária que se alinhe mais estreitamente com os objetivos de crescimento e sustentabilidade fiscal. Paralelamente, a reafirmação do compromisso com o combate institucional e técnico à corrupção reforça a busca por maior integridade e transparência na administração pública. Esses dois pilares, o desenvolvimento econômico e a governança ética, são apresentados como fundamentais para construir um futuro mais próspero e justo para o Brasil. A concretização dessas visões dependerá da contínua articulação entre as diferentes esferas do governo e da resposta dos agentes econômicos.
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Fonte: https://jovempan.com.br