fevereiro 8, 2026

Catarata: como a cirurgia moderna devolve a visão aos idosos

Brazil Health

A catarata, condição ocular que afeta a maioria dos indivíduos na terceira idade, emerge como um dos principais desafios à qualidade de vida e autonomia à medida que a população envelhece. Caracterizada pela opacificação do cristalino, a lente natural do olho, esta doença progressiva causa uma deterioração gradual da visão, manifestando-se como embaçamento, dificuldade em tarefas cotidianas como ler e dirigir, sensibilidade à luz e uma percepção menos vibrante das cores. Embora seja uma consequência quase inevitável do processo de envelhecimento, a boa notícia é que a catarata é plenamente tratável. Graças aos avanços significativos na medicina oftalmológica, a cirurgia moderna oferece uma solução segura e eficaz, capaz de restaurar a clareza visual com precisão notável. Entender a origem da doença, seus sinais precoces e as opções de tratamento disponíveis é fundamental para garantir que idosos possam desfrutar de uma vida plena e independente.

Compreendendo a catarata e seus impactos na qualidade de vida

O que é e por que surge?
A catarata é um fenômeno biológico diretamente ligado ao envelhecimento, onde as proteínas que compõem o cristalino – a lente transparente localizada atrás da íris – começam a se aglomerar e endurecer. Este processo natural resulta na perda da transparência do cristalino, transformando-o de uma estrutura límpida em uma barreira opaca. Essa opacificação impede que a luz atinja a retina de forma adequada, comprometendo a formação de imagens nítidas e claras.

Embora a idade seja o fator de risco mais predominante, com a incidência aumentando exponencialmente após os 60 anos e afetando uma parcela significativa de pessoas acima dos 70, outros elementos podem acelerar o desenvolvimento da catarata. Condições sistêmicas como o diabetes mellitus, que desregula os níveis de glicose no sangue, podem precipitar a opacificação do cristalino. A exposição prolongada e desprotegida à radiação ultravioleta do sol é outro fator bem estabelecido, ressaltando a importância do uso de óculos de sol com proteção UV. Hábitos de vida como o tabagismo, que introduz toxinas prejudiciais ao organismo, e o uso prolongado de medicamentos corticosteroides, frequentemente empregados no tratamento de diversas condições inflamatórias, também estão associados a um risco aumentado. Além disso, a predisposição genética desempenha um papel, com um histórico familiar de catarata indicando uma maior probabilidade de desenvolvimento precoce da condição.

Sinais de alerta e a progressão da doença
O início da catarata é frequentemente insidioso e pode passar despercebido em seus estágios iniciais. Muitos pacientes relatam uma sensação de “névoa” ou “filme” sobre a visão, como se estivessem olhando através de uma janela embaçada. Essa percepção se agrava progressivamente, interferindo nas atividades mais simples do dia a dia. Ler livros ou jornais torna-se um desafio, exigindo mais luz ou lentes de aumento. Dirigir, especialmente à noite, passa a ser perigoso devido à redução da acuidade visual e à dificuldade de perceber contrastes, além do ofuscamento causado por luzes fortes. A sensibilidade à luz (fotofobia) e o aparecimento de halos luminosos ao redor de fontes de luz, como faróis de carros ou lâmpadas, são sintomas comuns que comprometem a segurança e o conforto.

Outros sinais incluem uma percepção das cores menos vibrante e mais “desbotada”, além de mudanças frequentes no grau dos óculos, que já não corrigem adequadamente a visão embaçada. Em alguns casos, a visão dupla em um único olho (diplopia monocular) também pode ocorrer. Com o tempo, a visão pode tornar-se tão comprometida que impede a realização de tarefas cotidianas essenciais, afetando a independência e a qualidade de vida de maneira significativa. É nesse ponto que a intervenção cirúrgica se torna não apenas recomendada, mas essencial para restaurar a funcionalidade visual.

A evolução da cirurgia de catarata: segurança e precisão

A única solução eficaz e o avanço das técnicas
Ao contrário de outros problemas de visão que podem ser corrigidos com óculos, lentes de contato ou colírios, a catarata é uma condição irreversível. Uma vez que o cristalino começa a opacificar, não há medicamentos ou terapias não cirúrgicas que possam reverter o processo ou retardar sua progressão de forma significativa. O único tratamento verdadeiramente eficaz e definitivo é a cirurgia, que consiste na remoção do cristalino opaco e sua substituição por uma lente intraocular (LIO) artificial.

A cirurgia de catarata é um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados e seguros do mundo, com taxas de sucesso altíssimas e um perfil de risco extremamente baixo quando realizada por profissionais experientes. A técnica padrão atualmente é a facoemulsificação, que revolucionou a oftalmologia. Nela, o cirurgião faz uma microincisão no olho (geralmente de 2 a 3 milímetros) e utiliza um aparelho de ultrassom de alta frequência para fragmentar o cristalino em pequenas partículas, que são então aspiradas suavemente. Este método minimamente invasivo reduz o trauma cirúrgico, acelerando a recuperação e diminuindo o risco de complicações pós-operatórias. Em centros avançados, a cirurgia pode ser complementada por tecnologias assistidas por laser (femtossegundo), que automatizam e aumentam a precisão de etapas cruciais do procedimento, como a abertura da cápsula do cristalino e a fragmentação inicial. O procedimento é realizado sob anestesia local, geralmente com sedação leve, e o paciente geralmente retorna para casa no mesmo dia, com a recuperação visual iniciando-se rapidamente nos dias seguintes.

Lentes intraoculares: a chave para resultados personalizados
A inovação mais marcante na cirurgia de catarata nos últimos anos reside na tecnologia das lentes intraoculares (LIOs) e nos métodos de cálculo personalizados que permitem resultados visuais cada vez mais precisos e adaptados às necessidades individuais de cada paciente. Existem diversos tipos de LIOs, e a escolha adequada pode fazer uma diferença substancial na qualidade de vida pós-cirúrgica, muitas vezes superando a visão que o paciente tinha antes do desenvolvimento da catarata.

As lentes monofocais, as mais comuns, corrigem a visão para uma única distância (geralmente para longe), e o paciente pode precisar de óculos para atividades de perto, como leitura. No entanto, as LIOs multifocais e trifocais representam um avanço significativo, permitindo que o paciente enxergue bem em múltiplas distâncias – longe, intermediário (para uso de computador, por exemplo) e perto – reduzindo ou até eliminando a necessidade de óculos para a maioria das atividades cotidianas. Além disso, para pacientes que possuem astigmatismo preexistente, as lentes tóricas são uma opção que corrige essa condição refrativa simultaneamente à remoção da catarata, proporcionando uma visão ainda mais nítida e focada. A seleção da LIO é feita após uma avaliação oftalmológica detalhada, que inclui biometria ocular precisa, medições complexas do olho e uma discussão aprofundada das expectativas e estilo de vida do paciente. Essa personalização permite que muitos indivíduos alcancem uma independência parcial ou total dos óculos após a cirurgia, melhorando drasticamente sua qualidade visual e liberdade no dia a dia.

Preservando a visão e a autonomia na terceira idade
A catarata é uma das poucas condições que, uma vez diagnosticada, possui uma cura efetiva e transformadora. O impacto da cirurgia na vida dos pacientes é notável e frequentemente imediato. Muitos relatam uma melhora drástica na nitidez visual, uma percepção das cores mais vibrante e uma restauração da capacidade de realizar atividades que antes eram desafiadoras, como ler um livro, dirigir à noite, ou simplesmente reconhecer rostos com clareza. Essa recuperação da visão não apenas melhora a qualidade de vida, mas também aumenta a segurança e a autonomia, reduzindo o risco de quedas e acidentes em idosos, que são frequentemente associados à deficiência visual.

Em um cenário global onde a população está envelhecendo rapidamente, especialmente no Brasil, o diagnóstico precoce e o acesso à cirurgia de catarata são mais do que uma questão de saúde; são um imperativo social e de saúde pública. Preservar a capacidade funcional e a independência dos idosos contribui significativamente para o bem-estar individual e coletivo, permitindo que continuem ativos, produtivos e engajados em suas comunidades. As consultas oftalmológicas periódicas são cruciais, sendo recomendada uma avaliação anual a partir dos 55 anos de idade, ou mais cedo para aqueles com fatores de risco, como diabetes ou histórico familiar. O adiamento excessivo da cirurgia pode não só prolongar o sofrimento visual, mas também tornar o procedimento mais complexo, com potenciais riscos aumentados. A combinação do envelhecimento natural com os avanços tecnológicos e os resultados previsíveis faz da cirurgia de catarata um dos procedimentos mais transformadores na oftalmologia moderna. Quando diagnosticada e tratada no momento certo, a catarata deixa de ser um obstáculo incapacitante e se torna apenas uma etapa esperada da vida, plenamente superável com o cuidado e a tecnologia adequados, culminando na restauração da preciosa capacidade de ver o mundo com clareza e desfrutar de uma vida mais plena e ativa.

Se você ou um familiar apresenta algum dos sintomas mencionados ou atingiu a idade recomendada para exames regulares, não hesite em procurar um oftalmologista. Agir preventivamente é o primeiro passo para manter uma visão saudável e uma vida plena.

Fonte: https://jovempan.com.br

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