março 19, 2026

Bolívia classifica PCC e CV como terroristas, contrariando Brasil Após reunião com Lula

Conexão Política

Em um movimento que ecoa divergências diplomáticas e estratégicas na América do Sul, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou publicamente que organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) operam sob uma forma de terrorismo. A postura do líder boliviano, que classifica PCC e CV como terroristas, contraria abertamente a visão do governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva. Esta declaração foi proferida logo após uma reunião bilateral entre os dois presidentes em Brasília, onde foi assinado um acordo de cooperação no combate ao crime organizado transnacional. A complexidade da situação é acentuada pelo recente alinhamento de Paz com o governo dos Estados Unidos, que também defende essa categorização, levantando questões sobre a soberania e as estratégias regionais de segurança.

A divergência diplomática e o enquadramento do crime organizado

A afirmação do presidente Rodrigo Paz de que o PCC e o CV produzem uma forma de terrorismo trouxe à tona uma profunda discordância na abordagem regional do crime transnacional. Paz foi enfático ao declarar que, embora o grau de classificação do terrorismo seja multifacetado, as ações dessas facções são centrais na missão contra o crime organizado e as máfias, por serem “parte de um ciclo de terrorismo”. Essa interpretação boliviana reflete uma linha de pensamento defendida pelo governo dos Estados Unidos, especialmente durante a gestão de Donald Trump, com quem Paz se reuniu no início de março durante a cúpula “Escudo das Américas”, realizada em Miami. O evento, que sublinhou o alinhamento de certos países da região com a política americana de segurança, excluiu notavelmente Brasil, México e Colômbia.

O posicionamento de La Paz e a cautela de Brasília

Apesar do tom conciliatório da reunião em Brasília e da assinatura do acordo de cooperação, o governo brasileiro manifesta uma notável resistência à inclusão do PCC e do CV na categoria de organizações terroristas. Fontes do Palácio do Planalto e do Itamaraty avaliam que tal medida poderia abrir um precedente legal para sanções internacionais mais rigorosas e para uma atuação mais agressiva de Washington no combate ao narcotráfico na região. Há um receio palpável de que essa classificação pudesse justificar operações militares ou outras ações unilaterais dos Estados Unidos fora de seu território, comprometendo a soberania dos países latino-americanos. Além das preocupações geopolíticas, existe a apreensão de que o enquadramento dessas facções como terroristas pudesse ser explorado politicamente pela oposição durante o período eleitoral brasileiro, gerando instabilidade interna. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, já havia expressado formalmente essa preocupação ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, em uma conversa telefônica, destacando a seriedade da questão para Brasília.

O impacto das ações e a influência internacional

A dinâmica entre a Bolívia e os Estados Unidos foi visivelmente reforçada por ações concretas contra o narcotráfico. Apenas três dias antes do encontro de Paz com Lula, as forças policiais bolivianas realizaram uma importante operação em Santa Cruz de la Sierra, resultando na prisão do narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, de 34 anos. Marset, que estava entre os cinco traficantes mais procurados pela agência antidrogas dos EUA (DEA), foi imediatamente extraditado para os Estados Unidos. A operação, que também capturou membros de sua equipe de segurança e apreendeu armas de grosso calibre, foi um triunfo para a cooperação bilateral, especialmente considerando que o Departamento de Estado americano havia oferecido uma recompensa de US$ 2 milhões por informações que levassem à sua captura. Em uma nota divulgada nas redes sociais, o Departamento de Estado americano elogiou a ação, afirmando que “o reinado de terror e caos de Sebastian Marset chegou ao fim”, e creditando o sucesso à “liderança do presidente Rodrigo Paz e à crescente cooperação entre as forças policiais dos EUA e da Bolívia”.

A extradição de Marset e as conexões do PCC

A relevância da prisão e extradição de Sebastián Marset transcende a esfera boliviana e americana, atingindo diretamente o contexto da atuação do PCC. Investigações detalhadas apontam que Marset mantinha conexões diretas e significativas com a facção brasileira. Em um vídeo que circulou em outubro de 2025, ele apareceu portando armas longas ao lado de indivíduos encapuzados que exibiam símbolos do PCC, ameaçando iniciar uma guerra na fronteira entre Brasil, Bolívia e Paraguai. Essa evidência sublinha a profundidade de seu envolvimento com o crime organizado transnacional. Além de coordenar o envio de cocaína da Bolívia para o Brasil, Marset cultivava vínculos estreitos com a máfia italiana ‘Ndrangheta, facilitando carregamentos de drogas destinados à Europa. Santa Cruz de la Sierra já havia sido palco de outra prisão de alto perfil em maio de 2025, quando Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta e apontado como um dos chefes do PCC, foi detido, evidenciando a Bolívia como um ponto estratégico para as operações da facção.

Cooperação bilateral e os desafios da segurança regional

Apesar das diferenças ideológicas e estratégicas sobre a classificação de grupos criminosos, Brasil e Bolívia buscaram fortalecer seus laços na luta contra o crime transnacional. O acordo assinado em Brasília, além da retórica da cooperação, prevê ações conjuntas para prevenir e reprimir o tráfico de drogas e de pessoas, o contrabando, o roubo de veículos, a lavagem de dinheiro, a mineração ilegal e os crimes ambientais. A parceria se estende à busca de fugitivos e ao intercâmbio de informações entre as forças policiais de ambos os países, reforçando o compromisso mútuo com a segurança pública nas fronteiras. Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que “Brasil e Bolívia estão unidos na preocupação com a segurança pública” e que o acordo “renova nosso compromisso com o combate ao crime organizado dos dois lados da fronteira”.

Em meio a esse cenário complexo, o presidente Rodrigo Paz defendeu sua postura de manter interlocução simultânea com Washington e Brasília, alegando que a prioridade inegociável sempre será a Bolívia. “Me preocupa mais que a Bolívia entenda seu novo papel. Se em oito dias a Bolívia pode estar com Trump e com Lula, deem um crédito à Bolívia”, afirmou, demonstrando uma estratégia pragmática de política externa. Contudo, a reunião bilateral também foi marcada por momentos de tensão. Paz acusou o Brasil de exportar violência para o país vizinho, uma declaração que gerou visível incômodo nos bastidores do encontro. Para além da segurança, os dois países firmaram acordos de cooperação turística e de interconexão elétrica entre o Departamento de Santa Cruz e Corumbá, buscando expandir as áreas de colaboração mútua e desenvolvimento regional, apesar das divergências evidentes em torno da categorização das facções criminosas.

Qual a sua opinião sobre a classificação de facções criminosas como terroristas e suas implicações para a soberania regional? Deixe seu comentário.

Fonte: https://www.conexaopolitica.com.br

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