fevereiro 9, 2026

Austrália propõe leis mais duras contra símbolos extremistas após ataque em Sydney

G1

O estado de Nova Gales do Sul, na Austrália, anunciou a intenção de endurecer as leis contra símbolos extremistas, uma medida que ganha urgência após um trágico ataque antissemita que resultou na morte de 15 pessoas na famosa praia de Bondi, em Sydney. O atentado, ocorrido durante as celebrações de Hanukkah, foi classificado como terrorista pelas autoridades e atribuído à inspiração do Estado Islâmico, com bandeiras artesanais do grupo supostamente encontradas no veículo dos suspeitos. Diante da gravidade do incidente e do aumento alarmante de manifestações de ódio, tanto o governo estadual quanto o federal se mobilizam para revisar e fortalecer a legislação existente, visando coibir a radicalização e proteger a comunidade de futuras ameaças. As novas propostas abrangem desde a proibição de exibições públicas de símbolos de grupos extremistas até a ampliação dos poderes policiais e o combate ao discurso de ódio online, refletindo uma resposta abrangente e multifacetada à crescente preocupação com a segurança e a coesão social no país.

Legislação estadual em Nova Gales do Sul visa coibir extremismo

A iniciativa para endurecer a legislação em Nova Gales do Sul surge como uma resposta direta e imediata ao brutal ataque na praia de Bondi, que chocou a nação. As investigações policiais classificaram o incidente como um ato terrorista, impulsionado por motivações antissemitas e com indícios de ligação ao Estado Islâmico, dada a descoberta de bandeiras artesanais do grupo no veículo utilizado pelos agressores. O atentado, que ceifou a vida de quinze indivíduos durante um período de celebração religiosa, destacou a vulnerabilidade da sociedade a grupos extremistas e a urgência de medidas preventivas mais robustas. Em face desta tragédia, o parlamento estadual foi convocado para uma sessão extraordinária, evidenciando a prioridade e a gravidade com que o governo está tratando a questão.

Proibição de símbolos e poderes policiais ampliados

O projeto de lei, que será debatido no Parlamento de Nova Gales do Sul, propõe uma série de modificações significativas na legislação vigente. Entre as principais alterações, está a criminalização da exibição pública de símbolos ou bandeiras de grupos extremistas, como a do Estado Islâmico. A infração, uma vez aprovada, poderá acarretar penas de até dois anos de prisão, além de multas substanciais, representando um claro endurecimento na postura legal contra a propaganda e o incitamento ao ódio. Esta medida visa desincentivar a glorificação de ideologias violentas e a proliferação de símbolos que representam ameaças à paz e à segurança públicas.

Além disso, o primeiro-ministro do estado, Chris Minns, anunciou a proibição do slogan “globalize the intifada” em manifestações públicas. A expressão, que se traduz como “globalizar o levante”, remete às revoltas palestinas contra Israel e tem sido um ponto de discórdia. Enquanto defensores da causa palestina argumentam que o termo se refere a protestos globais contra o conflito em Gaza, líderes da comunidade judaica expressam preocupação, afirmando que a expressão estimula a violência e os ataques contra judeus. Minns foi enfático ao declarar que os acontecimentos recentes demonstram que o slogan configura “discurso de ódio e incentiva a violência”, reiterando que tal incitação não tem lugar na sociedade australiana. A proposta também prevê a ampliação dos poderes da polícia, permitindo que as autoridades exijam a remoção de máscaras e coberturas faciais durante protestos. Esta medida busca aumentar a transparência e a identificação dos participantes em manifestações, auxiliando na prevenção de atos ilegais e na responsabilização de indivíduos que porventura cometam delitos sob anonimato.

Resposta federal e o cenário do antissemitismo

Paralelamente às ações em nível estadual, o governo federal australiano, sob a liderança do primeiro-ministro Anthony Albanese, também prometeu uma abordagem mais rigorosa para combater a radicalização e os crimes de ódio em todo o país. As propostas federais buscam criar um arcabouço legal mais robusto e abrangente para enfrentar o extremismo e suas manifestações, sinalizando um compromisso nacional com a segurança e a coesão social. A intenção é que as medidas sejam aplicadas em todo o território australiano, complementando as iniciativas estaduais e garantindo uma resposta unificada contra o ódio.

Estratégia nacional e a escalada de incidentes de ódio

Entre as propostas do governo federal, destaca-se a ampliação da definição legal de discurso de ódio, visando abranger inclusive líderes religiosos ou comunitários que, porventura, promovam ou incitem à violência. Esta medida representa um passo significativo para responsabilizar figuras de autoridade que possam influenciar negativamente suas comunidades. Além disso, o governo federal pretende instituir penas mais severas para crimes motivados por ódio, enviando uma mensagem clara de que tais atos não serão tolerados e terão consequências proporcionais à sua gravidade. A proposta também permitirá que juízes considerem o ódio como um fator agravante em casos de ameaças e assédio online, reconhecendo a crescente preocupação com a disseminação de conteúdo nocivo na internet. O governo também planeja a designação formal de grupos considerados odiosos, o que facilitaria a ação legal contra suas atividades e símbolos.

Paralelamente a essas iniciativas legislativas, o primeiro-ministro Albanese também anunciou planos para apertar ainda mais as já rigorosas leis de controle de armas da Austrália. Esta revisão busca fortalecer as salvaguardas existentes e evitar que armas caiam nas mãos de indivíduos com intenções extremistas. A preocupação com o extremismo e o discurso de ódio é exacerbada pelo contexto social. A Austrália, com uma população de aproximadamente 28 milhões de habitantes, abriga cerca de 117 mil judeus. Um relatório divulgado em julho pela enviada especial do governo para o combate ao antissemitismo revelou um aumento alarmante nos incidentes antissemitas, que mais do que triplicaram no ano seguinte ao ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 e à subsequente ofensiva israelense em Gaza. Os registros incluem uma variedade de atos de ódio, desde agressões físicas e vandalismo até ameaças e intimidação online. Essa escalada de incidentes tem alimentado uma pressão considerável por respostas mais firmes e eficazes das autoridades australianas, que agora buscam demonstrar uma postura proativa e intransigente contra todas as formas de ódio e extremismo.

Consolidando a segurança e a coesão social

Diante da onda crescente de extremismo e da polarização exacerbada por eventos globais, a Austrália demonstra um compromisso inequívoco em proteger seus cidadãos e em preservar os valores de tolerância e respeito. As medidas propostas pelos governos estadual e federal representam uma frente unificada contra o ódio e a radicalização, buscando não apenas punir, mas também prevenir futuros ataques. Ao endurecer a legislação contra símbolos extremistas, ampliar poderes policiais, coibir o discurso de ódio e fortalecer o controle de armas, o país busca solidificar sua segurança interna e reafirmar seu compromisso com a coesão social em um momento de desafios crescentes. A resposta robusta e multifacetada reflete a determinação de garantir que a Austrália permaneça um ambiente seguro e acolhedor para todas as suas comunidades.

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Fonte: https://g1.globo.com

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